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16 de mar. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 7: Realização e Determinação

Agora percebo o quanto aprendi sobre a vida durante este curto período em que estive aqui. Ou melhor, foi aqui que comecei a viver, e a aprender o que essa palavra realmente significa.

Todos os dias são monótonos, mas ainda me vejo colocando tudo de mim em cada um deles. Meu trabalho pode ser repetitivo e cansativo, mas quando vejo meus animais, que já se tornaram minha família, meus vizinhos, minha plantação e todo a natureza que me cerca, só consigo desejar permanecer assim para sempre. Guardando esses momentos de satisfação e felicidade em minha alma pelo resto da minha vida.

Me sinto purificado pelo meu suor, como nunca me senti depois de passar horas sentado estudando. Sinto minha alma se elevar, como nenhum livro jamais conseguiu me fazer. Vejo o mundo com olhos novos, repletos de expectativa e ansiedade. Tenho amigos e companheiros que compartilham desses sentimentos, como nenhum colega nunca soube fazer. Sinto ter descoberto a mim mesmo.

Mas ainda me falta muito trabalho para merecer este lugar. Apesar de ter conseguido recolocar a fazenda nos trilhos, ela não pode ser comparada ao que um dia foi. A fazenda da minha infância, onde meu velho amigo depositou toda a vida dele. A fazenda que eu desejo recuperar, mas que permanece tão longe. Aquilo que me deu tudo o que eu tenho agora.

E por isso, eu sinto que não poderei ficar por mais muito tempo. Se eu não conseguir recuperar este lugar, eu não mereço a vida que ele me proporcionou. É meu dever retribuir tudo o que eu recebi, mas não me sinto capaz de alcançar esta meta. Me falta muito para ser como meu velho amigo.

E com esses pensamentos na cabeça, resolvo ir a biblioteca. Lá sempre encontro paz de espírito para refletir e ganhar a confiança de que necessito.

Ah, e isso me lembra de uma coisa. É melhor preparar alguma coisa que aprendi nas aulas de culinária da senhorita Patrícia. A senhorita Mariana (a jovem que cuida da bibliotéca) está sempre sozinha por lá durante o dia (o que me deixa preocupado), e eu deveria agradecer pelos diversos livros que já peguei emprestado com ela.

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"Devemos aproveitar nossas vidas ao máximo. Não porque elas são únicas e não vão se repetir, mas porque este é o único modo em que podemos realmente nos sentir vivos."

14 de fev. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 6: Festival

Adoro a minha nova vida!

Ontem como sempre, eu acordei de manhã bem cedo e comecei minha rotina diária, regando as plantas, colhendo as frutas e vegetais e alimentando os animais. Me sinto muito mais forte e vigoroso do que quando me mudei. É como dizem, o trabalho realmente fortalece o homem!

Bem, depois disso o prefeito apareceu e me avisou que a cidade iria fazer um festival no dia seguinte (ele aparentemente esqueceu de me avisar com maior antecedência) e me convidou para participar.

Todos iriam se reunir na praça da cidade, e o festival era basicamente um concurso de culinária anual. Como eu não tinha tempo para preparar nada, apenas concordei em ir e participar como um dos jurados que iriam provar os pratos e escolher o melhor (todos na cidade eram parciais demais, então apenas eu, o padre e o prefeito estávamos em condições de fazer um julgamento justo, uma vez que a esposa do prefeito já faleceu).

E então, no dia seguinte eu despertei mais cedo do que de costume (já aprendi a acordar quando eu quiser), terminei todos os meus deveres na fazenda o mais rápido possível e fui até a praça para ajudar no preparo do festival. Nenhum dos participantes havia chegado aquela altura.

Assim que eu, o prefeito, um jovem que trabalhava na oficina do ferreiro e o irmão mais velho da senhorita Patrícia (duas pessoas extremamente carismáticas) terminamos de preparar as mesas, as cadeiras e os enfeites, os participantes começaram a chegar. A primeira a chegar foi uma garota que trabalhava no restaurante (Ou bar. O prefeito disse que ela e o pai dela, dono do bar, costumam vencer o festival todas as vezes), o nome dela era Ângela. Nunca a tinha visto, e não tive a oportunidade de conversar com ela direito.

Em seguida, chegaram praticamente juntas as senhoritas Elen e Patrícia. Conversamos um pouco, mas como elas também eram participantes não tivemos muito tempo. Todo participante tinha que preparar a comida na frente de todo mundo, para que não houvessem trapaças (qualquer coisa que necessitasse de muito tempo poderia ser pre-preparada, mas ainda era necessário completar o prato na frente de todo mundo. E é claro, isso era considerado na hora de escolher o campeão). Mais e mais pessoas chegaram depois, mas eu já não tinha tempo para conversar e não prestei atenção.

O concurso acabou (como o esperado) com uma vitória da senhorita Ângela. O pai dela parecia muito orgulhoso e decepcionado ao mesmo tempo, o que foi interessante de ver. Depois de provar a comida dos dois e ver como eles se dedicavam a seus trabalhos, achei que seria interessante aprender a cozinhar e participar no festival do ano que vem. Talvez eu peça para a senhorita Patrícia ou a senhorita Elen que me ensinem a cozinhar. Apesar de terem perdido, ambas cozinham muito bem...

Bem, de qualquer forma, foi um dia muito divertido. Mal posso esperar pela próxima vez.

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"Quando sentimos saudade, vivemos imaginando o dia em que reveremos nossos queridos. Quando finalmente os encontramos, desperdiçamos nosso tempo com eles. Que triste contradição."

20 de jan. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 5: Lar

Agradeço a Deus por ter escolhido ficar aqui.

Esta semana foi simplesmente maravilhosa. Finalmente terminei o livro que havia pego emprestado na biblioteca e pude ir visitar a senhorita bibliotecária novamente. A conversa foi curta, mas eu mal posso esperar para repeti-la.

Depois disso, quando eu passei no mercado para comprar comida e algumas sementes, me encontrei com a senhorita Elen. Ela estava fazendo comprar para sua avó. Conversamos um pouco sobre a minha adaptação a cidade e o trabalho dela como enfermeira. Ela parece admirar muito aquele medicozinho grosseiro...

Enfim, resolvi acompanhá-la até a casa da avó. A distância era curta, mas eu apreciei a companhia. As garotas daqui são muito mais simpáticas do que as da faculdade... Sem dúvida fiz a escolha certa ao me mudar.

De qualquer modo, voltei para a casa e continuei a tocar minha vida. Hora ou outra, algum visitante vinha para me cumprimentar. As vezes era o prefeito, as vezes era o padre, as vezes o senhor que trabalha na fazenda ao lado da Fazenda Poultry (ainda não decorei o nome dele nem da fazenda dele), mas em geral minha casa é bem movimentada.

Engraçado como já me acostumei a chamar este local de minha casa... Bem, sem dúvida esta cidade e seus moradores já se tornaram mais queridos para mim do que qualquer outra coisa, mas nem mesmo quando eu morava com meus pais eu me referia a casa onde eu morava como "minha"...

Falando nisso, não falo com meus pais a algum tempo... Vou mandar uma carta para eles amanhã de manhã. Era para eu ter feito isso ontem, mas uma visita inesperada acabou me distraindo.

Ah, claro! Como pude ter me esquecido? O trabalho hoje foi tão exaustivo que acabei me distraindo e não falei sobre minha visita de ontem.

Patrícia, a filha da jovem senhora dona da Fazenda Poultry, apareceu repentinamente para me cumprimentar e pediu permissão para ver a fazenda. Ela sem dúvida era parecida com a mãe. Eu diria até uma versão menor da mesma. Até mesmo sua atitude conseguia ter uma versão mais juvenil da vigorosidade da mãe. Sem falar na sua beleza inocente que conseguia superar até mesmo a senhorita Elen.

Enquanto eu mostrava a ela a fazenda, pude perceber que ela parecia feliz ao vê-la viva novamente. Se comparássemos o estado em que ela estava quando eu cheguei ao estado em que ela está agora, não seria possível dizer que é a mesma fazenda. Pensar nisso me fez lembrar de como ela era na minha infância...

Se bem que as minhas memórias não são das mais confiáveis... Bem, depois de conversarmos um pouco, ela se despediu e foi embora. Aparentemente, ela queria mesmo era ver a galinha que a mãe dela havia me dado. Era uma de suas favoritas.

Nunca pensei na minha vida toda que seria capaz de conhecer garotas tão interessantes quanto as daqui. E também tem aquela mulher que me ajudou no primeiro dia... Melhor eu trabalhar bastante para ser merecedor de tanta sorte!

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"Numa vida feita de encruzilhadas, as chances que o destino nos reserva só existem e podem ser aproveitadas graças as escolhas que tomamos"

11 de jan. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 4: O Trabalho e os Animais

Definitivamente, os últimos três dias foram os mais cansativos da minha vida...

Finalmente arranjei tempo para ler o livro que peguei emprestado da biblioteca e para escrever neste diário depois de limpar e semear a terra e cuidar daqueles benditos animais... Nunca pensei que seria tão difícil assim cuidar de uma fazenda! Como ele conseguia naquela idade? Começo a duvidar de mim mesmo e de minha capacidade de permanecer aqui por muito tempo...

No primeiro dia, eu passei a manhã, a tarde e grande parte da noite preparando o terreno para o plantio. Como se não bastasse, um vendedor da cidade passou aqui querendo comprar minhas mercadorias! Eu ACABEI de chegar! É CLARO que eu não tenho nada pronto!

De qualquer jeito, ele foi embora rápido. Um pouco desapontado, mas rápido. Agora estou um pouco arrependido pelo modo que o tratei, me encontrava muito estressado para conversar. Vou pedir desculpas da próxima vez que encontrá-lo.

Bem, no segundo dia eu terminei de preparar o terreno e comecei a plantar. Isso não foi tão difícil quanto eu esperava. O que me matou mesmo foi regar tudo... não acredito que vou ter que fazer isso diariamente...

Enquanto eu trabalhava, um velho senhor de uma das fazendas vizinhas passou por aqui e me ofereceu um jovem cavalo. Ele disse que o filhote é cria de um dos cavalos que vivia aqui antigamente e que era meu por direito. Mesmo assim, eu agradeci a ele e o convidei para vir conversar ou comer alguma coisa quando tivesse tempo. Ele parece ser um conhecido do meu velho amigo, então achei que seria legal fazer amizade.

Parece que estou me encaixando melhor aqui do que na minha cidade...

Enfim, no terceiro dia, eu acordei cedo, reguei as plantas, alimentei o cavalo e saí a procura de mais animais. O prefeito havia dito que haviam duas fazendas na redondeza, uma delas especializada em galinhas. Resolvi passar nela primeiro.

A Fazenda Poultry* ficava a apenas alguns minutos de caminhada, não foi muito difícil encontrá-la. Ela era cercada por uma grande plantação de milho, eu podia escutar as galinhas a metros de distância.

Ao me aproximar da fazenda, uma mulher de cabelos rosados me chamou a atenção. Ela parecia estar nos seus vinte, trinta anos de idade, mas cuidava dos animais vigorosamente.
Tentei me aproximar lentamente sem fazer muito barulho para evitar assustá-la, mas ela me viu antes que eu pudesse chamá-la. Sem cerimônias, fui convidado para entrar e tomar uma xícara de chá. Conversamos um pouco e eu fiquei sabendo que ela era a atual dona da fazenda, e que vivia lá com seus dois filhos, um garoto da minha idade e uma menina quatro anos mais nova. Nenhum deles se encontrava na casa durante a minha visita.

Depois de conversarmos, eu expliquei a minha situação e ela gentilmente me cedeu uma de suas galinhas. Conversamos por mais algum tempo e eu fiquei de voltar para visitá-la mais vezes. Parece que ela possuí alguma doença que a impossibilita de se exercitar muito. Fiquei surpreso com isso, ela me parecia uma mulher tão saudável!

Espero ter mais tempo para fazer essas visitas agora que meu trabalho está mais estável. Gostaria muito de conhecer a jovem filha da gentil dona da Fazenda Poultry. Acho que o nome dela era Patrícia...

*Poultry: Ave doméstica.

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"O valor da nossa vida não está naquilo que realizamos, e sim no quanto nos dedicamos no nosso dia-a-dia"

7 de jan. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 3: A Cidade e a Biblioteca

Hoje foi o meu segundo dia cuidando desta fazenda e já me encontro completamente exausto. Não consigo imaginar como meu velho amigo conseguia dar conta de tantos detalhes diariamente.

Passei a noite inteira de ontem arrumando a casa até que ela ficasse num estado decente, e por causa disso acabei indo dormir muito tarde. Ainda assim tentei acordar cedo, e de manhã comecei a explorar os móveis da casa. Entre os eletrodomésticos restantes, apenas uma televisão antiga e a geladeira funcionam, o que significa que vou ter problemas para cozinhar sozinho. Fora isso, apenas uma mesa, um baú e o armário restaram.

Assim que terminei de ajeitar tudo, o prefeito retornou com um mapa da cidade e alguns documentos para que eu assinasse. Depois de resolver toda a burocracia, ele me levou para ver a cidade.

Primeiro, visitamos a igreja, que fica ao lado do cemitério. Eu particularmente não sou um homem religioso, mas como um estudioso achei interessante ver um lugar com tanta história e tão belo. O padre também era uma pessoa muito gentil e me convidou para visitar a igreja novamente assim que tivesse tempo.

Em seguida, fomos até um bar que ficava um pouco depois da igreja. Era muito cedo, por isso o lugar se encontrava completamente vazio. O dono do bar estava arrumando as mesas, e nos cumprimentou de forma muito educada quando entramos. Levamos um pouco mais de tempo por lá, pois ele nos ofereceu algumas bebidas, mas depois de uma boa conversa nós acabamos nos despedindo e eu fui novamente convidado para visitar o lugar mais vezes.

O terceiro lugar que visitamos foi a praça da cidade. Quando chegamos, haviam apenas algumas mulheres conversando. O prefeito me apresentou para elas e depois de alguns minutos conversando, elas logo perderam o interesse e voltaram a falar entre si. Acabando completamente ignorados, resolvemos partir sem mais delongas.

Saímos pela estrada a norte do parque, que nos levou direto a clínica da cidade. Lá dentro haviam apenas duas pessoas, um médico cujo nome eu já me esqueci e a senhorita Elen, enfermeira. O primeiro me pareceu uma pessoa muito antipática, completamente o contrário da senhorita. Seu sorriso inocente e sincero me conquistou instantaneamente.

Eu preferiria ter passado mais tempo por lá, mas o médico antipático disse que estávamos atrapalhando e nos expulsou. Ao saírmos, a senhorita Elen ainda brincou dizendo "Espero não vê-los tão cedo!".

Por fim, o prefeito me levou ao mercado. O vendedor pareceu extremamente frustrado quando dissemos que não iríamos comprar nada, mas fora isso ele me pareceu uma boa pessoa. Não nos demoramos por lá.

Terminando o tour, eu resolvi perguntar ao prefeito se havia algum biblioteca ou livraria por perto. Surpreso pelo meu interesse aparentemente incomum, ele me apontou o caminho para a biblioteca da cidade e me deixou partir sozinho para que me acostumasse a andar por ela. Não demorou muito até que eu encontrasse o que procurava.

Para minha satisfação, ela parecia ser bastante grande. No prédio ao lado, parecia haver uma escola fechada, mas eu não dei muita atenção e logo entrei sem nem mesmo bater na porta.

No segundo seguinte, meu queixo caiu.

A quantidade de livros era simplesmente absurda! Eles cobriam todas as paredes até o teto sem falar na quantidade de estantes lotadas perfeitamente organizadas! Eu me demorei por uns cinco segundos paralisado na porta e provavelmente teria ficado paralisado por mais tempo se não fosse pela jovem que gritou assustada e atirou para cima os livros que estava carregando.

"Você está bem?" Perguntei preocupado.

Ela hesitou timidamente por um segundo e depois respondeu "Quem é você?"

Inconscientemente, eu também acabei hesitando em responder pois fique encantado com a expressão extremamente fofa que ela fez ao dizer isso, mas logo respondi sua pergunta.

Depois de ouvir a história de como cheguei ali, ela simplesmente se levantou, apanhou os livros e disse "Desculpe por assustá-lo, mas dificilmente recebo alguma visita. Muito menos de um estranho..."

E com isso dito, ela se pôs a colocar os livros em seus devidos lugares de forma muito introvertida e evitando fazer contato visual comigo. Determinado a continuar a conversa eu perguntei "Tem algum livro que você me recomendaria?".

Ela congelou por um instante, como se esta fosse a última pergunta que ela esperava ouvir de mim. Em seguida, ela foi caminhando até uma estante no canto da sala e apontou para uma pequena série de livros, mantendo seus olhos fixos no chão.

"Aqueles são interessantes..." Disse ela.

Cada vez mais encantado com a timidez e com a fofura dela, eu agradeci e peguei um dos livros.

"Não quer pegar todos de uma vez? Assim não precisará de voltar toda vez que terminar de ler um." Ofereceu ela.

Naquele momento, eu morri de vontade de responder algo como "Mas assim eu não poderei vê-la com tanta frequência", mas minha própria timidez me forçou a responder um simples "Não tem problema." e voltar para casa.

Agora vou ler um pouco antes de dormir. Quanto antes terminar, mais cedo poderei voltar e vê-la. Também não seria nada mal voltar para a clínica e rever a senhorita Elen...

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"Novos começos são recheados de novos encontros e novas possibilidades. Só precisamos saber usar nossa experiência para fazer as escolhas certas."

15 de dez. de 2010

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 2: Chegada

Apenas informando aqueles que jogam/jogaram Harvest Moon Back to Nature ou Friends of Mineral Town, eu pretendo manter os seguinte lugares:

1-Poultry Farm

2-O bar/restaurante

3-O hospital

4-O ferreiro

5-Yodel Farm

6-O mercado

7-A biblioteca

8-A igreja

Planejo também estar adicionando alguns lugares como a estação de trem e a escola.

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Assim que saí da estação de trem, percebi que não me lembrava do caminho para a fazenda de meu amigo. Ainda assim, cometi o erro de subestimar esta pequena cidade e acabei vagando erroneamente por aí por cerca de duas horas, carregando um misto de arrependimento e ansiedade em meu peito.

Na terceira vez que eu passei pela pequena cachoeira próxima a entrada da cidade, encontrei-me com esta belíssima mulher se banhando. Fiquei surpreso por um momento, mas ela estranhamente não pareceu se incomodar com a minha presença. Ao invés disso, ela apenas me perguntou:

"Quem é você?"

Um pouco assustado e gaguejante (confesso ter pouca resistência a mulheres), eu lhe disse meu nome e lhe contei minha história. Como se estivesse lendo um livro extremamente interessante, ela prestava atenção em cada palavra que eu dizia. Conforme eu falava, meu nervosismo desaparecia e eu me sentia cada vez mais confortável. Por fim, mostrei a ela uma carta em que ele havia colocado um mapa indicando como chegar a sua fazenda e pedi por ajuda.

"Siga o rio e atravesse na primeira ponte."

Sem esperar por um agradecimento, ela mergulhou na água e desapareceu misteriosamente. Ainda me pergunto se não foi apenas a minha imaginação, mas enfim...

Cansado de caminhar por aí, segui as instruções que ela me deu e cheguei a uma pequena fazenda que parecia abandonada a meses. A grama chegava aos meus joelhos, o galinheiro e o celeiro estavam uma bagunça e o estábulo estava imundo. Nenhum animal restava.

A única parte da fazenda que se encontrava em perfeito estado era a casa. As janelas estavam um pouco sujas e haviam algumas teias nos móveis, mas nada que uma pequena limpeza não resolvesse.

Antes que eu pudesse continuar a analisar a fazenda, eu escutei os passos de alguém se aproximando. O nervosismo subiu a minha pele no mesmo instante. "Será que ele ainda está vivo?" Pensava eu.

Mas antes que eu pudesse alimentar mais esperanças, um homem baixo, gorducho e bem vestido irrompeu pela porta visivelmente irritado.

"Quem é você, invasor? O que faz dentro desta propriedade?"

Assim que ouvi a palavra "invasor", me dei conta de que havia entrado sem ser convidado. Pedi desculpas imediatamente e me apresentei logo em seguida, mostrando algumas das cartas que carregava comigo.

"Me desculpe você senhor Henrique. O velho Mario sempre falava sobre suas cartas." Disse ele "Mas eu não pensei que realmente viria"

Sem entender o que ele quis dizer com está última fala, eu perguntei:

"Como assim?"

Com um sorriso no rosto, ele abriu uma gaveta no criado mudo ao lado da cama e retirou um envelope. Dentro do envelope, havia uma folha de papel com a mesma caligrafia de minhas cartas.

"Este é o testamento de Mario. Aqui diz que eu deveria deixar esta fazenda com você caso você aparecesse em menos de um ano. Eu esperei todos os dias nos primeiros quatro meses, mas como você nunca veio, comecei a achar que..."

Ele se calou em meio a fala ao olhar para mim. Eu já havia pensado nesta possibilidade, mas ainda assim não pude conter minha tristeza e acabei vertendo algumas lágrimas.

"Eu compartilho de sua dor..." Disse ele, tentando me confortar "Mas antes de tudo, devo lhe perguntar uma coisa. O senhor deseja ficar com a fazenda?"

Secando meus olhos com as mangas, eu assenti com a cabeça. Em seguida, ele me pediu para assinar alguns documentos e disse que voltaria no dia seguinte para me mostrar a cidade. Eu agradeci e disse que passaria a noite ali mesmo.

"Meu nome é Paulo, sou o prefeito da cidade. Pode contar comigo para o que precisar." Disse ele ao sair.

Agora me encontro sozinho na fazenda com a qual sempre sonhei e que se encontra completamente destruída. Vou começar a limpeza dos cômodos, e assim que terminar de guardar minhas coisas no armário, vou me deitar na minha nova casa pela primeira vez.

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"O amanhã sempre esconderá um teto estranho e um leito não familiar, mas é nas dificuldades dos recomeços que encontramos a força para continuarmos caminhando."

11 de dez. de 2010

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 1: Prólogo

Comecei esta série inspirado no jogo Harvest Moon. Provavelmente vai se tornar a minha favorita, então eu espero que vocês gostem!

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Não sei direito o que me levou a fazer o que estou fazendo agora. Os últimos anos da minha vida me parecem agora tão surreais quanto a cabine do trem no qual embarquei. Estou mesmo fazendo isso? Não estou sonhando? E se eu realmente estiver fazendo isso, será que é a coisa certa a fazer?

Desculpe, eu esqueci de me apresentar. Meu nome é Henrique Monteiro, tenho 23 anos, sou solteiro e até ontem eu era um estudante de literatura de uma faculdade bacana que não possuía nenhuma característica especial. Sou apaixonado por livros e gostaria de me tornar um escritor algum dia, mas alguns acontecimentos recentes acabaram exigindo minha atenção.

Quando pequeno, eu visitei com meus pais essa pequena cidade rural nas férias e conheci um velho que morava sozinho em sua fazenda. Durante as férias, eu acabei me fascinando pela vida que ele levava, e quando meus país me levaram de volta, eu comecei a trocar cartas com este velho.

Cerca de seis meses atrás, eu recebi sua última carta. Ele dizia não estar muito bem de saúde, e temia não poder mais compartilhar suas histórias comigo. Bem, qualquer pessoa "normal" iria se sentir triste, responder a carta o mais rápido possível e se despedir de seu amigo. Foi o que eu fiz a princípio.

Mas com o passar dos dias, eu comecei a perceber a falta que aquelas cartas me faziam. Muitas vezes me peguei relendo-as, me perguntando se ele ainda estava vivo ou como estaria sua fazenda. Não demorou muito para eu começar a ter essas "ideias"...

"Eu deveria ir vê-lo..." ou "Eu preciso fazer alguma coisa por ele...". Meus pais já morreram, e eu não possuo namorada nem nada do gênero. Meus únicos amigos são meus colegas de classe, mas provavelmente já iríamos nos separar depois da formatura mesmo. Então decidi pegar este trem e voltar até aquela vila.

Mas agora eu comecei a me perguntar, qual é a razão de eu estar fazendo isto? Eu só conhecia ele por cartas, e não possuo nenhuma memória clara dele. Será que minha vida é tão tediosa assim? Ou será que tem algo mais? Não importa o quanto eu pense, o quanto eu hesite e o quanto eu tema, minha vontade de voltar cresce cada vez mais.

Logo estarei chegando. O que será que me espera daqui para frente?

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"Muitas vezes, pode ser tarde demais para desistirmos. Mas não se esqueça, nunca é tarde demais para recomeçarmos."