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9 de out. de 2013

Sou se sou

Tem algo bem guardado dentro de mim que quer que seja mostrado, lido e que faça sentido na vida de quem o ler. Mas tá bem guardado, trancado, escondido, envergonhado. 
As consoantes, as vogais, as letras, as palavras e as frases se embaralham nessa timidez, nessa complexidade de pensamento. Vive comigo, sobrevive dentro de mim.
É a minha maior verdade, minha realidade adormecida, minha vida não vivida. Sou eu, mas não sou quem sou.
Sou o que quero ser, quando o que quero não sei se realmente devo.
Se devo, se posso, se sou. 
Se devo, não sou. Apenas sou por ter de ser. Sou por influência, por fatores externos, pelo o que os outros são. Se são, por que devo ser? Sou por que devo ser e devo ser por que sou. Acabo sendo tudo o que sou por dever ser pelo o que são. Ou vocês também são por que devem ser? Não somos, achamos que somos por que devemos ser.
Se posso, sou. Sou eu, sou meu. Sou tudo o que sou por que sou o que posso ser. Esse sou. sou por poderem ser e se podem ser: posso ser também. Sou além do que sou quando o além me é possível. Sou possível. Sou incrível, invisível, intangível. Sou meu eu cabível
Se sou, eu sou: por que sou. Há de ser. Há de viver, há pra ser o que sou. Sou por ser, sem querer, sem ofender, sem dizer, sem escrever, sendo sou o que sou. E o que sou vou sendo. Vou vivendo pelo o que sou e sou o que vou vivendo.
Sou e não deixo ser. Só sou.

13 de jun. de 2013

Dezesseis do primeiro tempo

Hoje no Brasil, o menor infrator para o brasileiro, encontra-se em uma zona de conforto. Seus crimes realizados ou muita das vezes "assumidos" são motivos para aflorar na população o desejo de justiça que não é atendido devido à maioridade penal.
Essa sensibilização do povo proveniente dos crimes hediondos envolvendo menores, fez propagar-se a ideia, principalmente nas redes sociais, da redução da maioridade penal. As consequências para quem vê essa lei como solução, não prevê a longo prazo os efeitos sociais que tendem a desencadear no futuro.
Com o menor, de dezesseis anos, sendo julgado e preso, as quadrilhas e traficantes veem a necessidade de aliciar jovens cada vez mais novos, reduzindo a expectativa de vida do brasileiro, pois muitos morrem em "serviço".
Esse menor infrator já preso e junto ao convívio dos maiores infratores tende a se marginalizar cada vez mais, visto que o sistema carcerário não tem em seu regimento a ideia de reintegrar a ética e a moralidade ao jovem. Sendo assim, ao cumprir sua pena, o indivíduo é solto pior de quando entrara.
Tendo em vista toda essa necessidade de medidas e leis que atendam tanto a redução da marginalização dos menores como o do desejo de "justiça" por grande parte da população, são problemas que podem ser solucionados por meios principalmente preventivos como: projetos sociais que tirem os menores da rua, incentivos ao esporte, educação e principalmente ao emprego remunerativo do jovem. Já aos menores infratores: devem ser aplicadas penas com maiores durações voltadas aos serviços comunitários em que esses possam aprender valores e ter a chance de se reintegrar à sociedade de forma politicamente correta.

5 de mai. de 2013

Agora eu era o vilão


É simples, e na verdade sempre foi. Entendi os "por quês", fiz de que não era comigo e entreguei o restante pro cara lá de cima. Terminei as frases com "por favor", e comecei algumas com "licença". Disse "bom dia" pro porteiro e "boa noite" pro guardinha. Troquei o adoçante por açúcar e preferi o pudim ao invés do melão fatiado. Assisti a um filme hollywoodiano e torci pra donzela ter morrido. Andei com os cachorros sem coleira e desliguei o despertador.


Que todo prazer
seja prazeroso.
Que todas as ideias
sejam geniais.
Que todo amor
seja intenso
Que toda verdade
seja sincera
Que todo ódio
seja passageiro
E que toda vida
seja adoçada por açúcar.

3 de mai. de 2013

Sem

Ei, meu bem.
O que tu tens?
Se ainda os têm
Caso for noventa e nove
tem mais um aqui
que lhe convém.

8 de set. de 2012

Ficaria se tivesse ficado, mas não.

Desculpa, eu não consegui escrever mais
Não consegui entender, na verdade, eu não quis
Deixei o papel de lado, talvez até atrás
Perguntei, mas ninguém sabe o que diz

Sentei mais uma vez,

Pra pedir um duplo de três
Conversei.
Rabisquei no guardanapo, talvez dois poemas
Se eu estivesse sóbrio,
mas como não, entrei em um dilema

Se voltar,

vai esquecer, vai deixar, quem sabe, até doer
Depois de quatro linhas, ninguém que ler vai entender

Mais um bêbado sozinho, pensando besteira
Mais um filósofo brilhante, com certas incertezas

Se ficar,

Ficou.

Mais uma noite.
Mais um copo, até mais.
Mais uma vez, mais uma vez.
Menos eu, pelo jeito.

21 de abr. de 2011

Minhas mentiras mais sinceras

Diz que meu copo já está muito cheio
Que as minhas roupas são muito escuras
Que estou preso na mesma música faz um semana
É verdade.

Me diz que,

Falo muito palavrões
E que nunca toquei uma música inteira
Diz que meus poemas são canções
E que são mentiras verdadeiras

Fala que eu ouço muito rock
Mas que não entendo de guitarra
Que eu prefiro fumar na escada
Do que ouvir os seus problemas
Tu tens razão

Acabaria por

Eu não sendo eu, meu copo vazio
Meu rock viraria passado, igual disco de vinil

De tudo que eu passei, essa foi minha melhor decisão.
Não desisti, eu me entreguei, melhor ficar na solidão
Não tenta me ligar, nem perguntar de mim

desatar os nós, romper os laços foi o nosso melhor fim.

16 de abr. de 2011

Ah, aí se vai.

Olho o relógio de hora em hora
Mas na verdade só se passam minutos
Não quis dizer adeus tão cedo
Mas sua voz de noite eu sempre escuto

"Eu volto pra um dia contigo estar junto"

Naquele dia, você já saberia
Se me encontrasse não iria
E se fosse não me encontraria
Difícil acreditar que você chorava
Ou na verdade apenas chovia

De me prender,

Sem saber se você pra mim retornava
Os braços abertos ainda continuava
E no meu violão, nossa música eu tocava
Seria esse sonho que você também sonhava
(?)

Ah, aí se vai,

Se foi, voltou, fostes de novo
Conseguiria se decidir? meu coração já não aguenta mais. Como se um prego fosse martelado na madeira toda vez que viesse ao meu encontro e assim arrancado quando fostes. É o estado do meu sofredor.

Se vê feliz agora,

Onde não é ao meu lado
Vou aceitar a distância como desculpa
Fingir que ninguém estava errado
Melhor assim, isso era amor
Não uma luta.

4 de fev. de 2011

Forever Young

Resolvi fazer desse título uma espécie de sina.

Vamos entrar pela porta, conhecer novos mundos.
Esquecer a chave e pular o muro.

Vamos lutar e sempre conquistar.
Desistir de primeira e para sempre chorar.

Vamos rir, cantar e celebrar.
E se entristecer por ter de se calar.

Vamos viver juntos e sempre nos amar.
E lembrar que você e eu não formamos um belo par.

Me lembro então, que agora sou eu por mim.
E que a estrada é longa, mas um há um pote de ouro no fim.

Vou procurar amores em muitos lugares.
E saber que só em você eu encontro minha metade.

Vou viver enquanto há de se viver.
Saber que sem você não há mais algum porque.

Vou ser você até eu te esquecer.
Saber que serei assim até eu morrer.

Vou fazer do mundo um lugar melhor.
Sendo o que sou, o transformarei em pó.

Mas, eu irei ser feliz, algum dia, quem sabe.
Eu sei, sou eu que construo a felicidade.
E eu irei.
Me tornarei Rei.
E enfim serei.
O que sempre quis ser.

26 de jan. de 2011

Tão quanto o fim é uma certeza.

Porque de repente tudo era mais fácil de se entender, e porque? Demorei tanto pra achar uma resposta... Agora que pergunta questionaria essa resposta? É tão incomum como comum uma sensação desse tipo? Seria assim? Responder o que eu nem sequer sei o que perguntar. Vazio, tão quanto o que fingistes sentir por mim.

- JURO PRA TI - Gritei e não saiu um fio de som.

Ficou por isso, um grito mal gritado, uma briga mal brigada. Pela lei da minha consciência, ganharia aquele que virasse as costas primeiro. Claro, mas isso é óbvio, tão quanto o fim é uma certeza. Perdi.
Pra quem vê de fora, diz que em circunstância alguma, uma briga tem vencedores. Diz isso aquele que não está brigando, diz isso aquele que está do lado da razão. Agora que razão? Qual a razão?
De repente, de novo, me vi perdido na minha própria cabeça.
Eu vivia me perguntando como eu iria ser quando crescer, eu sonhava tanto, mas tanto que de vez em quando já me via no futuro. Juro que agora, prefiro voltar ao passado pra viver o meu futuro que nunca aconteceu. Afinal, todos sonham, quando velhos, voltar a ser criança.
Dessa equação já dá pra se entender que "Gente Grande" não pode mais sonhar, ou pra que sonhar? Se já nem tenho o tempo que necessito pra dormir.
Bastaria apenas dormir pra sonhar, pra fugir.

E lá me fui, tentar dormir. Dessa vez pelo o que me lembro, era uma noite fresca, sem ventiladores, sem cobertas. Me deitei, olhando pro teto. De repente ouço um barulho de chaves e portas, desconfiei, lógico, ela já voltara? Virei e me sentei. Sabia que ela iria abrir a porta do nosso quarto, se é que eu poderia ainda chamar de "nosso". Eu pensava o que ela iria dizer, o que eu poderia responder. Esse pensamento durou uns 12 segundos até que ela adentrasse pela porta que já estava aberta. Olhei pra ela, ainda sentado. Ela olhou pra mim, ainda de pé, olhou pra mim tão forte que só esse olhar me fez baixar a cabeça, não conseguia olhar pra ela, tentar fingir que está tudo bem. Ela andava pelo quarto, sem dizer nada, só se ouvia sua respiração, o barulho da pulseira que eu tinha lhe comprado e o pisar do salto de madeira na madeira. Virou-se pra mim e falou como se nenhuma emoção tivesse ocorrido com ela naquele dia e disse:

- A casa é sua, eu não teria direito algum de te mandar pra fora. Vim buscar um pouco da minha roupa. Se um dia agente se encontrar de novo, finja que não me conheça. - A voz começou a falhar no fim.

Levantei a cabeça, tentei olhar pra ela, no entanto o celular tocou, fui atender e no identificador estava o nome dela. Não entendi, ela estava na minha frente, como?
Me remexi e acordei.Era um sonho, graças a Deus. Olhei pro celular que ainda tocava e acabei por atender.

Amor, você falava a verdade, me desculpa... - Me dizia aos prantos.

Por um momento pensei tanta coisa que só dividindo entre o cérebro e o coração pra suportar tal coisa. Não respondi, apenas desliguei e voltei a dormir.


Pra mim foi novamente um sonho, ou será que foi realmente verdade?
Deixe que o amanhã responda.
Deixe que o tempo mostre a verdade.
Aliás, as frutas já estão doces.

15 de jan. de 2011

Relato de um homem de bom coração.

Se você me deixar ir contigo, eu irei. Se você for sem mim, o que me resta é lhe esperar.
Tu veio, tu foi, tu veio de novo e se foi novamente. Acabou por me deixar e ainda aqui em mim fica aquela vaga lembrança de um promessa mal-comprida de que você voltará. Ainda tenho na boca, aquele gosto amargo, aquele gosto amargo de fruta que não se amadureceu. Quando agente acha que está pronto para tudo, para experimentar tudo, pra provar ao mundo que tudo está bem... Olhamos pro lado no dia seguinte, acordamos e sentimos um peso a mais nos ombros e sentimos o gosto amargo na boca.

- ESPERA, não desligue... Eu ainda não terminei de dizer...

Aquela fruta amarga sendo provada, a cada "tu, tu, tu" do som do telefone.

Eu tinha duas opções: apertar redial ou bater com força o telefone no gancho. Mas não, resolvi terminar a frase e dizer pra ninguém, apenas pro telefone - eu te amo.
Voltei para eu mesmo, sentei no sofá, ligo a tv, finjo assistir, assim como finjo que estou ocupado quando me ligam convidando pra sair.

- Ah, cara... Nem vai dar, sabe como é: Trabalho de faculdade, uns papéis do estágio que eu tenho que entregar... - Eu mentia, muito mal.
- Ah, então deixa pra próxima, véi. Eu sei que você tranco a faculdade e foi demitido porque parou de estudar... - Ria meu amigo, do outro lado da linha. - Mas... tudo bem, eu te entendo assim como a entendi.

Pronto, foi isso. Uma preposição. Não foi dito nome, não foi feito ênfase. Apenas aquele simples e único "a". Voltei pra minha tv, voltei pro meu sofá, acendi um cigarro e quando já estava com ele acesso, tinha me lembrado que o cinzeiro estava cheio, me lembrei também que eu não podia fumar dentro de casa. Então, com o cigarro na mão, peguei a chaves, dei um trago e sai pela porta. Soltei a fumaça já fora de casa enquanto olhava pro céu, um céu sem nuvens, uma noite muito linda na verdade. Traguei de novo. Nessa mesma hora, tossi, e uma voz veio do lado esquerdo... eu sabia de quem era a voz, mas não quis virar.

- Se você tragar de novo, eu prometo que volto pra casa e não te falo o porque de estar aqui.

Estranho, não é? Alguém que jurou te odiar, que pediu para que não entrasse mais em contato, que de todos os meios comunicativos conseguiu te cortar, viesse falar com você sem mais nem menos. E isso foi suficiente pra sentir um calor entre o vão do dedo indicador e do meio, o cigarro queimara em minha mão, e eu acordara daquele sonho. Infelizmente.

Abri a torneira, totalmente. Dessa vez queria saber: se ainda estava sonhando ou se estava acordado. Limpei o rosto, olhei no espelho e não conseguia me ver. Não consegui ver nenhum dos meus sonhos realizados naquele reflexo, nenhuma das promessas compridas, nenhuma emoção por completa. Nenhuma. Nem uma.
Passei pelo hall da casa, tinha muitas opções: sentar no sofá, fumar, dormir, ou quem sabe....
E essa foi a decisão... Sai, sozinho, como de costume. Desci a rua com alguma esperança que a vida pudesse, se ainda pudesse chamar o que eu tinha de vida, me dar uma chance pra realmente viver, pra realmente encontrar um objetivo. Por isso, pensei:

- "E se eu for por um caminho diferente até o metrô?" - Pensei lentamente, e sorri, sorri como se eu fosse o cara mais inteligente do mundo.

Virei a direita, segui reto, olhei para o lado e vi escrito em um outdoor:

"Viva enquanto há vida"

Eu não sei se foi bom, se foi ruim, eu só sei que agora eu estou caminhando, a noite, apostando em qualquer coisa, acreditando no impossível, realizando sonhos.

O meu espelho reflete o meu sonho de agora.
As frutas já estão doces.