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23 de set. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo Final: O Rei, O Lobo, O Homem.

Reescrevi o fim. Espero que gostem. Ah, eu guardei a versão antiga, mas ela não está mais no site. Caso queiram lê-la novamente, me avisem nos comentários.

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Dias e meses se arrastaram. O castelo, a cidade, a floresta e em seguida, o restante do reino. Tudo se tornou um campo de batalha, e todos se tornaram vítimas de algo que só poderia ser comparado a uma guerra.

De um lado, uma fera negra e vermelha, que parecia não ser mais capaz de sentir a dor de suas feridas.

Do outro, um homem brilhando dourado, que parecia não ser mais capaz de conter o prazer de sua loucura.

Impotentes, os sobreviventes faziam apenas rezar e fugir, na esperança de que um dia a batalha chegasse a um fim. Esperando que um herói, como o que desapareceu anos atrás, se revelasse. Esperando que seu rei finalmente vencesse, e trouxesse de volta a paz. Ou até mesmo que a fera o devorasse e aplacasse sua fúria.

Mas nenhum desses sentimentos pôde jamais alcançou nenhum dos dois. Depois de tanto tempo em constante batalha, a unica coisa que ambos conseguiam perceber eram um ao outro. E o único desejo que eles conseguiam compartilhar era o de matar e usurpar a vida e o poder de seu oponente.

Era como se antes mesmo da batalha ter fim, as presas tivessem se unido novamente. Suas vontades, seus pensamentos, suas ações, sues corpos, tudo estava sincronizado. Nem mesmo a fera original, enlouquecida pela eternidade, havia as sublimado a tal nível. Qualquer sentimento a diferenciar seus mestres já havia sido jogado fora pelo bem da vitória. 

Logo, a batalha não tinha fim. Nunca teria. Os dois loucos infinitamente poderosos estavam destinados a batalhar para sempre e destruir a tudo.  

E assim foi. Todos os desejos e sentimentos que guiaram as peças até aquele momento haviam caído por terra, engolidos pela fúria. Uma chama que iria a tudo queimar, até que sobrasse somente a si mesma.

O reino logo encontrou seu fim. A terra também não tardou a ser silenciada. A única coisa que os impedia de acabar com o restante do mundo era o oceano.

E assim eles continuaram, até os dias de hoje. Destruindo suas próprias terras, seus entes queridos, seus servos leais e seus antigos protegidos. Seus antigos sentimentos, suas antigas ambições, até mesmo a memória dos dias de paz, tudo sendo arrastado e apagado por sua fúria. Uma premissa para a humanidade em contradição com a sua própria selvageria, estando igualmente destinada a auto-destruição em fúria.

Lucas Rangel Lima

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"O fim de um grande herói (ou vilão) é sempre o prólogo de um novo mundo"

7 de abr. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 12: O Rei e o Lobo

Um apenas fitava o outro. Duas entidades munidas com poder imensurável, capazes de varrer todo um exército em questão de segundos, frente a frente nos jardins destruídos do castelo. Cada um carregando o símbolo de seu poder. A espada do Herói contra a fúria de seu filho. A lâmina do rei e a presa da fera. O Rei e o Lobo.

Não havia razão para se demorarem mais. Um investiu contra o outro, provocando um choque de poderes que abalou os muros e as paredes do castelo. Os soldados restantes que tentaram se aproximar foram lançados pelo ar e trucidados na queda, como frágeis bonecos de madeira atirados por uma janela.

A espada do rei, desprovida da coragem e da bravura de um herói, não fez mais do que um arranhão na pelurgem espessa do lobo, mas seus poderes foram suficientes para protegê-lo de um ataque.

Mas o Rei não estremecia. Havia apenas uma alegria doentia em seu sorriso. Ele parecia ansiar por esta batalha sua vida inteira, uma batalha até a morte contra o único oponente capaz de levá-lo ao limite. E nada poderia deixa-la mais perfeita quanto sua recompensa.

O Rei ainda não havia deixado de lado sua ambição. Mesmo depois de passar anos tendo sua mente envenenada pela selvageria de sua presa, ele ainda desejava loucamente pelo par completo. Mais do que as terras que ele um dia desejava comandar, mais do que o povo que ele um dia pensava em dominar, mais do que o império que ele um dia sonhava em erguer, ele queria seu poder.

Não, talvez ele apenas estivesse viciado no êxtase da batalha. Talvez ele apenas tivesse desenvolvido um gosto pela destruição que a presa causada. Ou talvez a presa tivesse finalmente o convencido, e ele agora estava trilhando o mesmo caminho que seu oponente.

De qualquer forma, ele continuou a lutar. Não como um herói, digno de empunhar a espada que parecia trincar cada vez mais a cada golpe. Não como um rei, cumprindo seu dever ao proteger seu povo. Ele nunca quis ser nada disso. Ele um dia fora um homem ganancioso. Agora ele era um Deus simplesmente humano.

E então, sua espada finalmente quebrou. Apesar de não ter sido um oponente tão excitante quanto o que enfrentava agora, o herói que lhe traiu e lhe roubou uma das presas havia lutado bravamente antes de morrer e pareceu ter danificado a espada que o mesmo usou para matar a fera original. Era como se ele estivesse enfrentando pai e filho ao mesmo tempo.

Agora, a batalha se resumia a um conflito entre fúria e egoísmo. Uma massa de ódio contra um coração ambicioso.

Um conflito onde nenhum lado iria vencer.

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"Não é que o bem sempre vence o mal. Simplesmente quando o bem perde, não há vencedor."

26 de fev. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 11: Desespero e Loucura

Desculpa ter relaxado esse mês, volta as aulas é uma droga e atrapalha muito a criatividade.

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O jovem não deu atenção as palavras do Rei. Talvez nem mesmo conseguiu escutá-las. Ele apenas disparou contra ele, finalmente transformado por completo.

Ele já não lembrava da sua vingança, nem de seus amados. Sua fúria já havia transcendido todos os limites e se transformado em pura violência. Seu poder era tão monstruoso e nocivo que as estruturas do castelo pareciam prestes a ceder apenas pela sua presença.

Mas o Rei não se deixou ameaçar. Apenas sorriu largamente e se deixou ser atacado.

A investida atravessou as paredes do castelo, destruindo a torre onde estavam e atirando-os num precipício. Durante a queda, o jovem continuou atacando o rei com seus dentes e garras lupinos, rasgando e retalhando a pele de seu inimigo. E mesmo assim o sorriso do rei não estremeceu.

Como se julgasse hilariante e fútil o esforço do jovem para derrotá-lo, o Rei simplesmente se deixou ser pulverizado durante a longa queda até o chão. Mesmo quando os dois se chocaram contra o chão, o Rei não fez nada para amenizar o impacto. Ele não se preocupava com nada, ele não hesitava perante a nada, ele não temia mais nada.

Afinal, nada disso era necessário.

Depois de tantos anos com sua presa, pensar que um jovem desesperado poderia derrotá-lo era inconcebível. Não, aquilo não poderia mais nem ser chamado de desespero. Desespero era uma emoção que apenas um ser humano poderia sentir, e o Rei pelo menos reconhecia que ambos haviam ultrapassado esse nível.

Aquilo era a fúria de um deus louco. Uma existência amaldiçoada com poderes sem limites e emoções que não podiam ser controladas.

E por esta última, ele nunca seria capaz de vencer.

Quando a poeira da queda baixou, o Rei estava novamente de pé e em perfeito estado, com espada desembainhada e o sorriso intocado. Ali iria começar a verdadeira batalha.

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"Aqueles que lutam por amor nunca carregam a fúria em sua espada. Principalmente porque aqueles que lutam pelo ódio também não."

4 de fev. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 10: Fim do Destino

E então, o rancor cegou seus olhos e o jovem já não distinguia quem era seu inimigo. Sua fúria acumulada o transformou em pura violência, controlada apena alma.as por seu último vestígio de pensamento, que servia como canalizador para os sentimentos animalescos que agora inundavam sua alma.

Movido por esse pensamento, ele atropelou e aniquilou metade da cidade, abrindo seu caminho até o rei. seus golpes derrubavam casas, seus uivos explodiam janelas. Nada ousava permanecer em seu caminho, nem mesmo sua própria humanidade. Segundos, minutos, horas e dias se arrastaram para aquela alma enlouquecida, eternidades se atrofiaram nos poucos momentos que ele demorou para alcançar o portão do colossal castelo onde a presença do rei permanecia o desafiando.

E então, ele se abriu. Como se o convidasse a entrar e a testar sua força, sua convicção. Como se desejasse que ele colocasse um fim a toda a história que seu pai começou, que o Rei começou. Como se o chamasse para cumprir sua parte em um destino no qual ele foi forçado a participar.

Depois de um último momento de hesitação, um último reflexo de sua humanidade restante, ele começou a andar. Cada corredor do castelo parecia familiar para ele, como se as memórias do rei fossem transmitidas pelas presas. Pouco a pouco, ele se lembrou de uma época longínqua e surreal, onde um jovem príncipe corria feliz e satisfeito por aqueles corredores, sem se preocupar com o mundo a sua volta.

Mas não houve reação por parte de sua alma. Para ele, as imagens dentro dessas memórias não representavam nada. Seu coração já havia cedido para sua dor animalesca.

E dessa forma, reduzido a um espectro de íra e poder, ele abriu a última porta e encarou o Rei pela primeira vez.

"Seja bem vinda, minha pequena presa*"

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(Só avisando, tem duplo sentido na palavra "presa" que eu destaquei.)

"Ao deixar a si mesmo se tornar uma fera, sujeitai-vos sua vida a um reles caçador"

27 de jan. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 9: O Lobo

Sem poupar nenhum soldado que se colocasse em seu caminho, o jovem agora se deixava levar pela fúria. Ele podia sentir o poder do Rei se aproximando a cada passo que ele dava, como se estivesse a guiá-lo até sua perdição.

Mas o jovem não pretendia perder. Mesmo que o Rei teve muito mais tempo para se acostumar aos seus poderes do que ele, mesmo sabendo que as presas não estavam do seu lado, mesmo seu pai fora derrotado e morto, ele mantinha sua convicção.

Por dias ele viajou, parando apenas para comer e descansar. Seus sonhos foram assombrados por imagens de seu pai e de seu inimigo, como se estivessem a alimentar sua tristeza e seu rancor. Tudo o que ele conseguia pensar era em fazer aquele que matou seu pai sofrer.

No final do oitavo dia, ele finalmente alcançou os muros da cidade onde o Rei se encontrava. Mesmo de longe era possível ver o enorme castelo se estender para os céus, assim como era possível sentir uma ansiedade maligna vinda da maior de suas torres.

Nada mais se colocaria em seu caminho. Como se temessem a fúria do jovem, o muro, as casas e as pessoas simplesmente se desfizeram em chamas para que ele passasse. Não havia piedade em seus atos, toda sua humanidade já havia sido consumida pela vontade da presa. Cada centímetro que ele percorria até o castelo aumentava o ódio em sua alma, transformando-o lenta e irreversivelmente na única criatura que seria capaz de enfrentar e vencer o Rei. Na única criatura que seria capaz de controlar perfeitamente os poderes que ele possuía. Na única criatura fria o suficiente para puni-lo com a crueldade que ele merecia.

A fera apenas contada nas lendas.

O Lobo.

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"As vezes ficamos tão absortos em nossas emoções que acabamos nos tornando os monstros que deveríamos enfrentar".

22 de jan. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 8: Rancor

Depois de passar mais uma semana na floresta embriagado com seus novos poderes e nova perspectiva, o jovem finalmente se lembrou de quem era, de onde morava e de sua família, decidindo então voltar para casa.

A viagem de volta demorou apenas uma tarde.

O longo caminho que ele percorrera por longos dias cheio de perigos e trilhas confusas parecia agora um sonho distante. Sem derramar uma gota de suor, ele trilhou seu caminho de volta por entre a floresta como se andasse por sua própria casa. Seus sentidos estavam mais aguçados do que nunca, seu sangue borbulhava de agitação em suas veias. Ele se sentia como uma fera a solta.

Mas logo que ele saiu da floresta, essas sensações de liberdade foi substituída por receio. O poder que ele havia obtido lhe permitia escutar sons e discernir odores vindos dos lugares mais distantes, o que significava que ele era agora capaz de sentir a presença de cada pessoa em sua vila a distância. E para sua surpresa, seu pai se fora.

Correndo mais rápido do que o vento poderia jamais soprar, o jovem voltou para sua casa e encontrou sua mãe sozinha. Aparentemente, seu pai havia visto ele ser dominado pelo espírito durante um sonho, e partiu para enfrentar o rei em busca de um meio para salvá-lo.

O sonho era claramente uma armadilha ardilosa, provavelmente criada pelo Rei. Ou talvez, o rei nem mesmo soubesse disso, talvez as próprias presas tenham orquestrado os acontecimentos de modo a provocar a fúria do jovem e proporcionar uma chance para que elas se unissem novamente. De qualquer forma, a armadilha logo se provou eficiente.

Com sua audição aguçada, o jovem escutou os passos rápidos do cavalo quilômetros antes de este chegar á vila. Um mensageiro do rei o cavalgava, trazendo um proclame do próprio.

"O traidor que vocês abrigavam veio a mim e morreu. Tragam o filho dele até mim ou a vila será destruída."

Ao ouvir a notícia sobre seu pai, seu guia, seu herói, o garoto perdeu a razão. Seu ódio então se dirigiu ao pobre mensageiro, alimentado pelo poder da presa. Depois de descontar sua frustração, ele tomou do cadáver do mensageiro a folha em que estava escrito o proclame do rei para ler por si mesmo as palavras ali escritas.

A folha queimou em suas mãos quando lágrimas escorreram pelos seus olhos. Foi neste momento que, envenenado pelo ódio e pelo rancor, o jovem fez um juramento a si mesmo. Nunca perdoar o rei.

"E no fim, tomaremos a presa dele"

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"É nos momentos em que a escuridão nos envolve e a tristeza nos cega que nós mais precisamos de ser fortes e ter paz no coração, pois é nessa paz que vive a verdadeira satisfação"

11 de jan. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo 7: Memórias e Lendas

Mas enquanto o guerreiro vivia sua vida em paz, o Rei o procurava desesperadamente. Seu poder incompleto o torturava dia após dia, como se sua presa sentisse falta da outra. E assim, dia após dia, mês após mês, ano após ano, sua ansiedade crescia e o deixava mais forte.

Já o filho do guerreiro, agora possuidor da segunda presa, vivia sua vida feliz e em paz, em uma das poucas vilas que o rei ainda não havia alcançado. Desde a infância até a juventude, ele viveu isolado das garras de seu soberano e sendo treinado por seu pai, que era de longe mais forte do que qualquer outro da vila.

E assim, o tempo passou até que o garoto atingiu a idade que o pai tinha quando enfrentou a fera.

No seu aniversário, ele foi presenteado com uma espada e uma armadura e enviado pelo pai para a floresta, onde ele deveria procurar por suas respostas. Confiante na palavra de seu pai, o jovem embarcou em sua primeira aventura.

Dias e noites ele passou vagando sozinho pela floresta, se alimentando apenas do que a natureza lhe oferecia. Mas mesmo perdido, cansado e enfraquecido, ele continuou andando sem fraquejar até que o vigésimo dia chegasse.

Como um sopro frio do passado, o jovem encontrou um altar antigo que parecia ter acabado de ser terminado. As pedras brilhavam sobre a luz da lua e os espíritos da noite pareciam dançar sobre sua cabeça. Surpreso e encantado, ele subiu no altar por uma escadaria de rocha polida.

Ao chegar no topo, o jovem encontrou o corpo de um homem deitado na mesa do altar. Seus cabelos eram negros como o céu noturno e sua aparência era calma e tranquila, como alguém pôde finalmente descansar depois de séculos de tormento. Ao se aproximar, o jovem notou que o homem possuía feições caninas, e que suas mãos se assemelhavam as garras de um lobo.

Se lembrando das histórias de seu pai, o jovem colocou sua mão sobre os lábios do homem, com a intenção de abri-los. Imediatamente, séculos de memórias misturadas a puro desespero atravessaram sua mente. Era como se a alma daquele homem estivesse ali esperando por ele, esperando para que pudesse compartilhar a história de como ele havia sacrificado a sua humanidade pela sua família e de como ele foi enganado por um espírito e forçado a se tornar uma fera. A história de como ele enfrentara e vencera a contra-gosto centenas e centenas de guerreiros que vieram a procura de seu poder. E a história de como ele fora derrotado por um único jovem carregando uma espada.

Quando tudo acabou, o jovem já não conseguia mais discernir se ele era a criança que nasceu em uma pequena vila ou o homem que viveu séculos como um monstro a habitar a floresta. Mas mesmo mergulhado em confusão, ele sabia de duas coisas. A primeira é que ele agora possuía controle total sobre o poder de sua presa. A segunda é que ainda havia uma presa faltando.

23 de dez. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 6: Derrotado

Ferido, cansado e perdido, o jovem guerreiro corria desesperado a esmo pelas florestas aos arredores do reino. As tropas do rei o perseguiam implacáveis e ele já não tinha mais forças para continuar caminhando.

Quando tudo parecia acabado e os guardas estavam para alcançá-lo, ele decidiu arriscar sua sorte e tentar usar o poder da presa para escapar. Convencido de que esta seria sua única escapatória, ele segurou a presa em sua mão direta e a apertou com toda a sua vontade. Como se escutasse o apelo de seu dono, a presa reagiu emitindo uma luz intensa que cegou os perseguidores por um momento. E no instante seguinte, ele havia sumido.

Quando o jovem guerreiro conseguiu abrir seus olhos, ele se encontrava sentado encostado a uma árvore nos arredores da vila próxima a floresta onde ele enfrentara o lobo. Suas feridas ainda doíam, mas não havia sinais de seus perseguidores por perto. Agradecido, ele guardou a presa novamente e se dirigiu a vila a procura de tratamento e abrigo.

Muitos o reconheceram e ofereceram ajuda, mesmo ele não tendo passado muito tempo interagindo com as pessoas em sua última visita. Ele logo recebeu o tratamento necessário, e, sem ter para onde voltar, decidiu permanecer na vila por uns tempos.

Começou a trabalhar como ajudante de um ferreiro, arranjou uma espada nova e com o passar do tempo, acabou se apaixonando. E assim, meses se passaram sem que os soldados do rei o procurassem ali.

O jovem guerreiro se casou, envelheceu e teve um filho, ao qual deixou seu bem mais precioso e sua memória mais dolorosa. O símbolo de sua glória e de sua derrota. Seu prêmio e sua perdição. A presa restante do lobo.

13 de dez. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 5: A Ambição

Orgulhoso e pronto para receber sua recompensa, o jovem guerreiro foi acompanhado pelos guardas até a sala do trono, onde o rei o esperava. Ansioso, ele manteve as presas guardadas em um pequeno saquinho de pano, para evitar tocá-las e ser novamente influenciado por elas.

Depois de alguns minutos caminhando, os guardas o guiaram até uma porta imensa e elegantemente decorada. Assim que eles se aproximaram, a porta abriu sozinha e os guardas o empurraram para dentro de uma sala fechada iluminada apenas por algumas poucas velas. A luz não era suficiente para tamanho espaço, mas ao lado do trono haviam dois castiçais de ouro que iluminavam perfeitamente o rosto do rei.

Seus olhos estavam cobertos pelos seus cabelos, mas ainda era possível ver seu sorriso imenso rasgando sua face. Em sua cabeça, ele usava uma coroa com diversas pedras preciosas cravadas. Suas vestes pareciam brilhar mais do que as velas que o iluminavam. Mas acima de tudo, sua presença era surpreendentemente "Superior".

Sem hesitação, o jovem guerreiro se adiantou em direção ao rei. Atrás dele, ele pode ouvir a porta se fechando. Agora os dois estavam sozinhos numa situação semelhante a de seu sonho. Ainda confiante, o jovem se colocou mais próximo ao rei e se ajoelhou em sua frente.

"Traga-me as presas" Ordenou o rei. Sua voz emitia um ar soberano e compilia o jovem a obedecer. Como se estivesse hipnotizado, ele se levantou, caminhou até o rei e retirou uma das presas , estendendo-a a sua majestade.

Indiferente ao guerreiro que quase se sacrificou para obter aquele presente, o rei tomou a presa para si e começou a admirá-la, como se esta fosse uma joia. Em seguida, ele a colocou em sua boca.

No instante seguinte, um uivo ecoou pela sala. A presa uniu ao canino do rei, e imediatamente começou a transformá-lo. Todo o poder da fera que residia naquela presa parecia estar sendo transferido para o rei. Seus longos cabelos cresceram mais ainda, seus olhos brilhavam vermelhos como sangue, suas unhas pareciam garras caninas e seu sorriso se tornava cada vez mais perverso.

Se dando conta de suas ações, o jovem guerreiro tomou a presa restante para si e brandiu sua espada. Quando o rei fitou seu oponente, ao invés de se enfurecer ou de se preparar para o combate, ele simplesmente começou a rir. Provocado, o guerreiro investiu imprudentemente contra o rei, que, sem esforço, repeliu o ataque e roubou sua espada.

Ao contrário do lobo, o rei era um oponente inteligente. E agora ele possuía um poder avassalador. Encurralado, o jovem guerreiro fugiu pela porta, esquivou dos guardas surpresos e pulou por uma das janelas, mergulhando no rio que cercava o castelo e desaparecendo na correnteza.

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"As vezes, fugir parece ser a única opção. Mas a vida sempre vai lhe trazer problemas, então é melhor aprender a lidar com eles"

16 de nov. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 4: As Presas

Cansado, ferido e vitorioso, o jovem guerreiro retornou para o seu reino carregando como prova de sua grande vitória as duas presas da fera derrotada. Ao se aproximar das muralhas da cidade onde ficava o castelo, os guardas que estavam de vigia o reconheceram e o guiaram para dentro.

Uma vez dentro da cidade, os guardas o levaram direto para o castelo, onde ele foi informado que o rei iria lhe ver apenas no dia seguinte, pois no momento ele estava ausente. Exausto da viajem cansativa e privado de boas noites de sono, o jovem passou a noite dormindo no castelo, guardando seguramente as presas em seu punho fechado.

Ao cair no sono, o jovem guerreiro se vê de volta a floresta onde dias atrás havia enfrentado a fera. Confuso e perdido, ele se vira e se depara com uma sombra de aparência humana que se aproxima dele lentamente. A cada passo que a sombra dava, a floresta atrás dela se desfazia e o céu acima dela rachava. O jovem tentou se mover, mas seu corpo estava paralisado e ele só pode observar enquanto a sombra se aproximava dele e lhe estendia a mão fechada, como se lhe entregasse algo.

Quando esta estava a apenas alguns passos de distância, o jovem escutou algo se movendo atrás dele. Involuntariamente ele se virou e se deparou com um cenário completamente diferente e uma segunda sombra, desta vez ele a reconheceu como sendo o rei. O cenário era muito semelhante aos arredores do castelo, mas o rei não se movia em sua direção. Ele apenas esperava.

Sabendo o que deveria fazer, o jovem pegou as presas da primeira sombra e foi até a sombra do rei entregá-las. Mas ao se curvar a ela estendendo sua oferenda, ele foi surpreendido por um punhal em seu peito e uma risada maquiavélica.

O jovem acordou surpreso na manhã do dia seguinte e fitou as presas na sua mão. Aquilo havia sido claramente uma mensagem para ele, um aviso. Mas apesar disso, o jovem guerreiro prepotente foi a procura do rei.

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"Não é bom viver sonhando, mas quando não podemos viver nossos sonhos, tudo o que queremos fazer é sonhar."

14 de nov. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 3: A Batalha

Uma vez dentro da floresta, o jovem guerreiro começou sua procura pela fera. Sem temer a lenda que lhe foi contada, ele prosseguiu incansável por entre as árvores na escuridão da noite, mas apenas no crepúsculo do segundo dia que ele viria a encontrar seu objetivo.

Depois de andar por horas a fio sem encontrar sinal nenhum da existência da fera, o jovem guerreiro chegou a um grande altar abandonado. A grama crescia de todos os lugares e o verde da flora cobria o chão e as paredes. Aparentemente, o tempo havia tomado toda a majestade daquele lugar, mas ainda permanecia no ar o resquício de magia. Imediatamente, o jovem guerreiro se adiantou para explorar o templo, mas ao pisar na escadaria, ele sentiu o ar estremecer.

Como se fosse chamado pelo seu altar, a fera lupina finalmente se revelou. Seu tamanho era colossal, mesmo se comparado aos maiores ursos do reino. Seus olhos brilhavam com um desejo assassino e suas presas brancas como marfim pareciam vibrar de excitação. Não parecia haver mais nada do espírito protetor sobrando naquela fera. Ela agora era apenas uma máquina assassina com poderes além da imaginação.

Mas mesmo de frente a tal criatura, o jovem guerreiro não estremeceu. Erguendo sua espada contra a fera, ele investiu num ataque feroz. Sua habilidade em batalha foi testada além dos limites enquanto a fera golpeava e rugia incansável. Cada segundo parecia durar horas, a cada segundo pareciam passar dias e cada instante em que se estendia a luta parecia ser uma vitória para o jovem e corajoso guerreiro. Confiante em suas habilidades, ele partiu para o ataque novamente. Com uma velocidade vertiginosa, ele golpeou o rosto da fera, arrancando uma de suas presas.

No instante seguinte, a fera começou a urrar em dor e fúria enquanto seu poder se esvaia de seu corpo. Pouco a pouco seu tamanho diminuia enquanto a magia estocada em seu corpo retornava para a presa arrancada. O jovem guerreiro se aproximou surpreso da presa arrancada aproveitando do desespero da fera. Seu tamanho havia diminuido e agora ela cabia na palma de sua mão. Sua cor puramente branca agora brilhava com a luz da lua.

Mas o lobo não o deixou esperar mais. Recuperado da dor e da surpresa, ele atacou o guerreiro de frente pela primeira vez, por pouco errando sua cabeça. Seu tamanho e seu poder haviam diminuido, mas ele ainda possuía sua outra presa e metade de seus poderes divinos enquanto o seu adversário brandia uma espada cansado e ferido. Mesmo debilitado e machucado, o lobo ainda tinha a vantagem.

Mesmo assim, o jovem guerreiro ainda mantinha um sorriso no rosto. As coisas não tinham mudado desde o começo da luta, mas ele não planejava morrer ali. Apertando firmemente a pequena presa em sua mão, ele investiu contra o lobo com tudo o que tinha de sua força e habilidade. Ao final desta batalha épica, a última presa do lobo foi finalmente arrancada pela espada do jovem guerreiro.

Imediatamente, o altar entrou e colapso e foi engolido pelo chão num terremoto junto ao corpo do lobo. Cansado, ferido e vitorioso, o jovem guerreiro retornou para casa. Mal sabia ele o que as suas ações iriam desencadear.

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"A justiça foi criada pelos homens, mas ainda assim eles são incapazes de julgar seus limites"

14 de out. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 2: A Lenda

Depois de receber a ordem do rei, o jovem guerreiro partiu para a floresta protegida pela grande fera. Depois de muitos dias de viagem, ele alcançou uma pequena vila situada nas proximidades da floresta. A vila era pacífica e festiva, todos pareciam alheios as ambições do rei de dominar todo aquele território.

Mas o jovem guerreiro não pensava nisso. Ele apenas pensava em terminar o seu dever e demonstrar a sua lealdade ao reino. Mas antes de sair a procura da fera, ele tentou questionar os habitantes da vila para reunir mais informações sobre a fera. Porém, tudo o que eles sabiam era "A lenda".

"Séculos atrás, numa época de grande fome e infelicidade, um homem ofereceu sua vida e a de seus descendentes para o espírito que protegia a floresta. Em troca da fertilidade do solo e do sorriso de seu povo, sua família iria se unir ao espírito para servi-lo até o fim dos tempos. Mas o espírito não julgou a proposta do homem suficiente, e depois de trazê-lo com sua família para a floresta, ele exigiu que lhe fosse dado o corpo do filho mais velho para que pudesse habitar. O homem não pôde permitir tal coisa, e se recusou a dar seu filho para o espírito, oferecendo seu próprio corpo no lugar.

O espírito se sentiu traído e resolveu colocar uma maldição sobre a família do homem. Na noite em que o ritual de possessão iria ser realizado, o espírito usou de seu poder para transformar o homem em um lobo, dando a ele um tamanho colossal e uma forma maligna.

'Agora eu aceitarei seu corpo. Mas como punição por descumprir com sua palavra e não me obedecer, seus filhos, os filhos de seus filhos e todos aqueles que tiverem seu sangue em suas veias também assumiram a mesma forma que você e viverão comigo eternamente dentro desta floresta' Disse o espírito.

E assim foi feito. Graças ao sacrifício da humanidade de muitos, a vida de muitos outros foi salva e a terra nunca mais se fez infértil. Mas até hoje, um grande medo permanece no coração do povo. É contado também que quando o primeiro foi transformado em lobo para ser dado ao espírito, ele jurou vingança por sua família. jurou que sua alma um dia voltaria para punir o guardião egoísta da floresta, e que o corpo que ele tomou seria sua ruína."

Com essa lenda em mente, o jovem guerreiro se dirigiu a floresta com espada em punhos e a bravura nos olhos, decidido a derrotar a fera e a voltar para seu reino para ser aclamado em glórias e honra.

Logo ele iria travar uma batalha que mudaria o curso do destino.

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"Ser integro não significa manter a sua palavra, e sim não deixar que esta vá contra os seus princípios."


10 de set. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 1: Prólogo

Há muito tempo, em um país desconhecido, um jovem rei decidiu expandir o território do seu reino para além das montanhas, na grande floresta onde o deus dos lobos vivia. Não seria fácil lidar com os lobos da floresta, pois o deus dos lobos tinha poderes além da compreensão humana. Foi então que o rei teve uma idéia.

Em um dia chuvoso, o rei mandou seu melhor mensageiro percorrer todo o reino a procura dos mais fortes e corajosos guerreiros e organizou um grande campeonato. O vencedor seria abençoado com a "Espada do Reino" e se tornaria o Primeiro Cavaleiro do rei.

Em pouco tempo, a notícia se espalhou e centenas de guerreiros das províncias mais distantes vieram participar do campeonato. Alguns vieram em busca de riquezas e de poder, outros vieram em busca de reconhecimento, mas apenas um conseguiu permanecer invícto. Guerreiros e lutadores de todos os tipos se confrontaram em batalhas que assombraram e encantaram os pensamentos dos espectadores por décadas. Mas mesmo entre tantos colossos, um jovem guerreiro poderoso e talentoso se destacou por sua habilidade e força, derrotando um a um seus oponentes e assim, ganhando o Grande Campeonato.

Ninguém esperava que aquele jovem de origem desconhecida e aparência simples iria chegar tão longe, muito menos vencer o Campeonato. Mas a surpresa foi maior ainda quando sua primeira missão foi anúnciada.

"O rei deseja tomar posse das grandes riquezas ocultas nas florestas além das montanhas, mas esta é protegida por uma fera odiosa com a aparência de um enorme lobo. Nenhum guerreiro jamais retornou do território desta fera, e ela é a única coisa que nos impede de tomar posse da floresta. Nenhum exército pode derrotá-la, nenhuma magia pode subjulgá-la. Cabe ao Primeiro Cavaleiro do rei enfrentar a fera e trazer ao rei suas presas, como prova de sua lealdade."

Com tais palavras ditas, o jovem guerreiro partiu em sua jornada em nome do rei, em busca do reconhecimento e da glória que tanto desejava.

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"Se viver é lutar, morrer significaria paz? Bem, talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra."