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16 de mai. de 2013

A Living-Dead Nightmare - Con Carne I


A mulher sentada a sua frente parecia estar morta a semanas.
Tanto o cheiro quanto a aparência se assemelhavam ao que se esperaria de um cadáver em decomposição.
Mas isso não o impediu de se apresentar claramente à sua aproximação:
"Eu sou Delphos, e aqueles que procuram ajuda devem oferecer algo em troca."
Eles haviam sido avisados disso, e já sabiam como prosseguir.
"A oferenda vai ser feita após a consulta." Disse um deles, sem muita confiança.
"Desde que seja feita... Perguntem o que desejarem, e responderei o que eu puder..."
Parecia mais simples do que era. Eles já sabiam como funcionava, só poderiam fazer três perguntas soubesse ela respondê-las ou não; Eles tinham que perguntar com cuidado...
"O que você sabe sobre os comensais?"
"Sei que os primeiros apareceram aproximadamente cem anos atrás.
Sei que só se alimentam de humanos, e que vão preferir caçar um vivo a se alimentar de um cadáver.
Sei que eles podem se reproduzir entre si, e também com humanos.
Sei que se você for morto por um, se torna um deles.
Sei que se for arranhado vai sofrer como nunca sofreu antes, e depois vai morrer; Para só então se tornar um deles."
"O que nós devemos fazer?"
"Podem lutar, mas morrerão.
Podem se esconder, mas serão achados.
Podem fugir... 
Sim...
Podem fugir...
Assim talvez tenham alguma chance..."
A última pergunta era a complicada; e muito provavelmente um desperdício...
"Os humanos poderão, algum dia, tomar de volta este mundo?"
"De volta?" Riu-se o cadáver.
"A criança fala como se tivesse, algum dia, sido de vocês esse mundo.
Já a mais de um século vocês perderam essa guerra, e não pense que algo mudará...
O último refúgio de vocês cairá em breve, e então nenhum lugar nessa Terra será seguro para vocês!"
O pânico já havia se instalado nos rostos dos humanos.. Eles haviam enraivecido à Deusa, e sabiam qual era a punição para isso.
"Esqueçam as formalidades." Disse para o homem ajoelhado aos seus pés.
"Faça dos homens oferendas, e dê-os de alimento aos meus filhos... E faça das mulheres receptáculos para a próxima geração."
Quando ela terminou de falar, eles já estavam sendo arrastados, aos gritos, para fora da sala.

6 de mai. de 2013

Palavras

Não há palavras,
Veja,
Que expressem emoções tantas.
Pois que,
Nem eu mesmo sei quantas,
Ou mesmo me imagino sabendo.

Eis que me diz o que sente,
Eu tremo.
E nem sequer responder eu posso,
Eu temo.

Me passam coisas mil
Pela cabeça.
Sentimentos
E pensamentos tantos.
Que, por estranho que pareça.
Não compreendo o que eu mesmo sinto.

Não me sinto, agora
Capaz de interpretar a mim mesmo.Passou-se, então, um segundo.
…
Ou teria sido uma hora?

Rio-me de mim,
E falo
O que penso.

O que sinto.

O que quero dizer.

Oque queres ouvir.

O que queres ouvir?

Era isso?
Era isso.

Te alegras.
Sorris.
Me beija.
E repete.

Seguimos ficando
Como estávamos,
Mas diferentes.

Com mais de ti em mim.
Com mais de mim em ti.

1 de mai. de 2013

Um Terço de Meus Sentimentos Puros


Mesmo te amando incontrolavelmente,
Não sou capaz de demonstrar um terço do que sinto.
Esses sentimentos puros dentro de mim circulam,
E mesmo assim não posso dizer
"Eu te amo".

Noites insones passam,
E meu coração, palpitante,
Me dá febris suspiros.

Sorria para mim,
Eis que o dia brilha quase tanto
Quanto seu sorriso.
Com ele eu poderia aguentar até a mais enregelante das noites.

Mas mesmo te amando incontrolavelmente,
Não sou capaz de demonstrar um terço do que sinto.

Seus sorrisos brilham tanto,
Que me queimam a pele, suavemente
Assim como uma chuva de verão.
Dê-me um sorriso e dias brilhantes
Não se apresse.
Eu superarei qualquer coisa.
Não importa o quanto seja difícil,
Eu superarei.

Quanto eu tenho que te amar
Para que esses sentimentos te alcancem?
Eu não posso dize-los enquanto me olha 
Dessa forma.
As palavras continuam dançando no ar.

Quanto mais distante de você fico,
Melhor vejo o quanto você me é preciosa.
Quanto mais te procuro, mais claramente eu sinto
A distancia entre nós,

Me dê um sorriso e dias brilhantes.
Dê-me um sorriso e dias agradáveis.
Se eu pelo menos pudesse te abraçar
Com estes meus braços...

Quanto eu tenho que te amar
Para que esses sentimentos te alcancem?
Mesmo que em meus sonhos
Eu consiga transmiti-los.

Mesmo te amando incontrolavelmente,
Não sou capaz de demonstrar um terço do que sinto.
Esses sentimentos puros dentro de mim circulam,
E mesmo assim não posso dizer
"Eu te amo".

29 de abr. de 2013

Não Durmo

Nessa cama
Desconfortavelmente pequena,
Não durmo.
Pois só a sombra dos pesadelos
No sono me espera. 

Numa cama
Desconfortavelmente pequena,
Me esforço para caber:
Me espremo.

Em sua cama
Exageradamente grande,
Eu durmo.
E o grande espaço se torna para nós
Um molde perfeito.

Em sua cama
De tamanho perfeito,
Dormimos.
E em sono, o sonhos me vem,
Sem dificuldade.

Noites passam,
E horas tantas.
E para minha cama.
Retorno.

Mais uma noite.
Mais tantas.

Nessa cama
Desconfortavelmente vazia,
Não durmo

22 de abr. de 2013

Por Isso, Escrevo

Você que lê,
Você mesmo.
Entenda:
Escrevo apenas por escrever.

Aprecio sim, leitor, que você leia
O que eu escrevo.
E mais ainda aprecio, se você gostar
Do que lê.

Mas não escrevo por elogios.
Não.
Não escrevo por um ego que me impele a procurar atenção
Das mais variadas formas.
Ou por qualquer orgulho fútil em dizer:
"Fui eu que escrevi".

Não que eu recrimine os que o fazem.
Longe de mim julgar as motivações daqueles que conseguem colocar
Seus sentimentos no papel, e se sentem bem em ser admirados
Ou louvados por isso.

Mas eu, leitor, só escrevo por escrever.
Pois não há, que eu veja, motivo mais válido
Que escrever pelo gosto de ver as palavras em algum lugar
(Que seja fora da minha cabeça).

Essa é, pois, tão somente
A minha visão do assunto.
Não imagino que haja um "certo" ou "errado"
Quanto a escrever poesia.

É assim que penso,
Escrevo, então, assim;
E por isso escrevo.

15 de abr. de 2013

Escolha

Uma escolha.
Dez. Cem Escolhas.
Cem alternativas...
「Sem alternativas」

Mil escolhas,
Dez mil escolhas...

Um milhão de escolhas e uma.

Escolher...

O perto ou o distante?

O bem recente ou o mais antigo?

O cheiro ou o som?

O Preto ou o Branco?

Escolhi.

O cheiro...
Próximo.
Perto..
Preto...

8 de abr. de 2013

A Sombra Oca - Indiferente

Me vejo assim,
Tão desligado do que acontece ao redor..
Desconectado...

Indiferente...

Pouco me importo com oque acontece..
Quem faz oque, ou como...
Me parece tudo tão desimportante...

Tão indiferente..

Casa nova, pessoas novas, comida nova...
Mas é tudo regular,
Convencional...

É indiferente.

Nada difere, nada muda,
Nada varia..
Nada que que seja alguma coisa se faz diferente do resto.

Tudo segue um padrão
Indiferente
Menos a garota...

Aquela garota,
Interessante garota
De pouco tempo atrás

Aquela garota
Estranha garota
Me assombra e alegra
Sendo tão incomum...

Tão diferente.

4 de abr. de 2013

Dorme


Dorme agora,
Dorme.
Que o toque que te toca só quer o teu bem.

Dorme, pequena,
Dorme.
Que o mundo lá fora já está quase parando.

Dorme,
Pode dormir.
Que quem te acompanha fica de ouvidos atentos.

Relaxa agora,
Dorme.
Que quem te olha dormir fica de olho no mundo.

Dorme agora,
Descansa.
Que de todas as tuas lutas, a mais voraz está para chegar.

Dorme agora,
Dorme.
Que eu te chamo quando a hora chegar

1 de abr. de 2013

Why shouldn't we all?

The Shades of Oblivion,
As I call them.
The horrors that reside in the dark.

No, not that kind of murkiness..
But the gloom that lurks in the corners of your mind.

The thoughts and feelings even yourself don't fully understand.
The hopes and expectations you would not want people to know about..

Yes, that one..
The most lewd and obscure side of your soul.
The most brutal and vicious of your desires...
The bizarre content of Akasha...
Are all Shades of Oblivion.

It is the lowest point of the human psyche. 
We all have that.
We all know that.
But few understand it...
And fewer embrace it.

Could you do it?
Would you do it?
Should you do it?
Why shouldn't?

Why shouldn't I?
Why shouldn't we all?

25 de mar. de 2013

Invictus

Uma adaptação da poesia Invictus, de W. E. Henley.


Do fundo desta noite que persiste

A me envolver em breu, eterno e espesso
A qualquer deus - se acaso algum existe
Por minh'alma insubjugável, agradeço.

Nas garras do destino e seus acasos

Sob os golpes que o azar atira e acerta
Nunca me lamento, e ainda trago,
Minha cabeça, ensanguentada, mas ereta.

Passado este oceano de lamúria

Somente o horror das trevas se divisa
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta ou me martiriza.

Por estreita que seja a trilha, não declino

Nem por pesada a mão que o mundo espalma.
Sou mestre e senhor do meu destino
Sou capitão e dono da minha alma.

2 de nov. de 2012

Um Pierrot Sem nome

"Está tudo bem, não há nada de errado"
É mais que clichê, que isso aconteça.
Num momento, me equilibro numa bola,
No seguinte, estou caindo de cabeça.

É a função deste Pierrot de circo.
Trazer a um mundo frio, a gargalhada.
Fazer que o público, reunido em volta,
Estando sério, comece a dar risada.

Te vi então, chorando na platéia.
Chorando segredos teus, dos bem guardados.
Daqueles que só tu sabes, e não divides;
Seja com amigos, irmãos ou namorados.

Mas não pode escondê-lo deste Palhaço.
Que atrás da máscara esconde sua miséria.
Este Palhaço vê tua felicidade triste.
E vê também essa tua "alegria" séria.

Tornou-se então o sonho deste Palhaço
Trocar essa tua tristeza por alegria.
E é agora seu real objetivo,
Trocar por felicidade, tua agonia.

"Tu mentes, e isso me entristece" Tu disseste
Em momento algum parando de soluçar;
"Não te contei uma mentira sequer" Respondi
E em seguida tu voltavas a chorar.

"Mostra-me tua verdadeira face" Me pediste
"Aquela que à platéia não irás mostrar.
Pois sentir dor, ou chorar quando estas triste
Não é razão de se envergonhar"


"Está tudo bem, não há nada de errado" Prosseguiste
"Tu segues o mesmo caminho que eu sigo,
Não precisas enfrentar tudo sozinho.
Me dê a mão, e eu chorarei contigo.


"Está tudo bem, não há nada de errado.
Tu encontrastes para mim meu rosto perdido.
Não é como se eu nunca tivesse sabido sorrir
É só que eu já havia me esquecido."


E então, como num passe de mágica;
Eis que o Palhaço mentiroso some
Pois nesse pequeno circo chamado vida,
Não sou mais que um Pierrot sem nome.

1 de jan. de 2012

A Sombra Oca - Hipócritas

Aquele lugar fedia...
Um cheiro forte de alvejante vencido estava sempre presente...
Até hoje não acredito que tenha percebido a luz na presença daquela aura desconcertante.
Mas os sacrifícios tinham que começar. Foi naquela noite que eu vi sua hipocrisia... Na noite que eu vi o brilho abandonar seus olhos...
As vezes eu penso te-los feito um favor... Livrando-os das mentiras...
Hipócritas...

21 de dez. de 2011

A Sombra Oca - Não com uma explosão, mas com um suspiro...

Quantos anos?
Dez? Quinze? Vinte?
Não importa... Ou melhor, não me importo...
Passados os gritos e o sangue, nada mais importou...
Pensava eu, inocente, que sozinho veria de novo a luz....
Tola hipocrisia.... Fez-me sucumbir a uma luxúria que hoje não posso mais controlar... Que não quero mais controlar...
E é assim que tudo acaba... Não com uma explosão, mas com um suspiro...

17 de dez. de 2011

Roses ain't blue...

Roses are red,
Violets are blue,
Sugar is sweet,
And so are you.
But the roses are wilting,
The violets are dead,
The sugar bowl's empty
And so is your head...

9 de dez. de 2011

A Sombra Oca - Quarta a tarde...

Escuro, solidão, isolamento.... Ouço as pessoas dizerem essas palavras com rancor e desprezo... Como se fossem algo a ser odiado ou temido...
Eu as abraço... As acolho e me deixo envolver.... Poucas são as coisas que se mostram mais satisfatórias que a mais pura ausência de qualquer outro que não o vazio existente nesses conceitos...
Mas vivemos num mundo de sociedade e luz... Pessoas e barulho... Ruído...
Não há nesse mundo algo mais odioso que os seres humanos... Toda pessoa que  se faça pertencer a uma sociedade é, não só digna da minha pena, como passível de punição direta...
Coisas como essa me irritam...

21 de nov. de 2011

A Sombra Oca - Sacrifício...

Não que isso mude alguma coisa...
Mas foi bom ver a luz...
Finalmente entender o que  fazer a seguir...
Exigiria sacrifícios... Isolamento... Solidão...
É claro que isso não seriam sacrifícios para mim...
Sempre fui grato pelo silêncio... Acostumado à escuridão...
Mas outros teriam que se sacrificar... E Eu o faria sem hesitar, se pudesse ver novamente minha luz...

Foi numa quarta-feira que começaram os sacrifícios...

19 de nov. de 2011

A Sombra Oca - Era domingo...

Vi um lapso de claridade hoje...
Luz...
Carga...
Chame como quiser... Mas era alguma coisa...
E qualquer coisa que seja alguma coisa é uma variação bastante aceitável do vácuo-super-ordenado que me rodeia...

Era domingo, e eu finalmente tinha uma razão para existir...

26 de set. de 2011

A Sombra Oca - O Filósofo Vazio

Era sábado, e minha vida era oca... Solitário, confuso, sem amigos ou amantes; e nem sequer uma realização que valha ser lembrada.
Acordei e abri os olhos, não necessariamente nessa ordem. Protelei como sempre para levantar da cama, tomei café e percebi a comodidade com que eu me enterrei nessa deprimente rotina...
Não havia absolutamente nada, de bom ou de ruim, que vá ser lembrado...
 Prossegui meu dia, atônito, e a cada momento mais certo de que, se eu desaparecesse de repente, não faria a menor diferença para o funcionamento do universo. Lembrei-me então do sonho, o que eu tive antes de acordar e, por consequência, perceber que sou nulo.
Era vazio, escuro e assombrosamente familiar... Sem nada a vista nem som algum para se ouvir. Apenas um vazio aterrador, que era assombrosamente familiar; só depois de acordar percebi que aquilo era minha vida, meu passado, meu presente, e se eu não fizesse algo a respeito, meu futuro...
Foi então, com meros sete anos de idade, que eu percebi a necessidade de mudar. Pois “se penso, logo existo”, ao não pensar, opino por não existir... E sendo o pensar a premissa de fazer, se não o fiz foi por não pensar. Precisava então começar a pensar, a questionar para então, fazer algo a respeito; e quem sabe remover o vazio que se fixava em meu peito.
Foi nesse dia, talvez por um sonho apressadamente interpretado, que eu me tornei, uma sombra oca...

15 de jun. de 2011

Sou um reflexo, um canto de paisagem...

Eu explicaria por que fiquei sem postar... Mas não vou
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Quem eu sou?? Sei lá! Sei lá eu quem...
Sou uma miragem, ou talvez uma mentira?
Um cheiro doce entre essências de mirra
Ou uma alucinação?? Sei lá eu bem...

Como a morte: Agora aqui, depois além...
Sou um mentiroso que um dia foi honesto
Um demônio que se distancia do resto
Por pureza, bondade e sensatez...

Sou só mais um infeliz sofredor.
Num mundo de malditos e danados
Sou mais um mal, mais um pecador...

14 de abr. de 2011

A Sombra Oca - Prólogo

De todos os males que assolam o mundo, o pior deverá ser o tédio. Poucas coisas assombram mais uma mente brilhante que a eminência da monotonia; Leva algumas ao desespero, e até mesmo à loucura.
"Como poderia alguém viver rodeado na sobrecarga de ordem gerada pelo tédio?"
Sobrecarga? O que eu estou pensando? Eu estaria feliz se houvesse alguma carga... não há como suportar o peso do vazio! E afinal, se somos aquilo que fazemos, ao não termos nada para fazer deixamos de ser alguma coisa, certo? Nos tornamos apenas uma sombra oca de uma existência...
É isso, então, que me tornei, um resíduo do que um dia foi algo; Sou uma sombra oca, em busca da carga a me preencher.
Sou nada, e como tal não existo, apenas assisto em monotonia enquanto os outros existem e se deixam existir... Passivos, tolos, sem a menor consciência da dádiva que receberam; De quanto podem ver por causa de suas próprias cegueiras.