"Voltar a ser humano?" Repeti, surpreso.
Não, surpreso não. Confuso. A ideia me parecia tão... Absurda. Tão errada, tão anormal. Não posso negar que não havia pensado nisso, que não havia desejado isso. Mas naquele momento, eu não conseguia mais pensar em uma razão para querer voltar a ser um humano.
"Sim, voltar a ser um humano. As transformações que já ocorreram ao seu corpo não poderão ser revertidas, mas sua alma será salva. E o nenhum dos pontos fracos compartilhados pelos Monstros irá lhe afligir mais." Explicou Forca, ainda me fitando com aqueles olhos de prata.
"Você tem sete noites para decidir."
Uma hora depois dessa conversa, logo antes do amanhecer, eu me encontrava escondido dentro da mesma casa em que havia acordado no começo daquela noite. Ao contrário de Meu Pai, eu ainda não podia simplesmente invocar morcegos a partir da minha sombra e procurar uma casa qualquer para me esconder, então simplesmente voltei ao lugar onde sabia que estaria seguro durante o dia.
Uma vez dentro da casa, não me surpreendi em me encontrar com ele sentado confortavelmente em um dos sofás, me esperando.
"Então... Você conheceu aquele pivete." Disse ele, olhando para mim com seus olhos vermelho sangue. "Ele deve ter feito uma proposta a você, não? Te devolver sua humanidade? Toda aquela história de 'Salvar a alma', 'viver sob o sol'... Ele deve ter cuspido o mesmo discurso em você não?"
"O mesmo discurso?" Perguntei, sem entender.
"Sim. Bem, você não é o primeiro que eu transformei. E entre os que eu transformei, não é o único a ter encontrado com Forca antes de se transformar completamente. Ele é uma das razões de eu ter parado de criar servos e companheiros." Respondeu ele, se levantando do sofá. "Eu te deixei naquela casa esperando que o choque acelerasse a sua transformação sabe? Esperando que você se tornasse um de nós antes dele descobrir que eu sobrevivi. Aparentemente, eu falhei. Mas você realmente é um rapaz sortudo! Ainda não consegui acreditar que ele não simplesmente te matou bem ali. Ele deve ter achado que você ainda quer voltar a ser humano."
Eu estremeci.
"Mas é claro... Não existe a possibilidade de você querer voltar a ser humano... Existe?"
"E-eu... Não sei." Respondi, gaguejando.
"Ah... É assim então?" Respondeu ele. Não havia nem surpresa nem decepção em sua voz, apenas uma estranha... Aceitação. "Bem... No final das contas, você voltou para essa casa, voltou para mim. Voltou para o Seu Pai. E amanhã, você irá caçar pela primeira vez."
"Sozinho."
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15 de mai. de 2013
11 de mai. de 2013
Sete Noites - Capítulo 4
"Sete noites?" Perguntei, confuso.
Já deviam ser quase cinco horas da manhã. Eu me encontrava caminhando pela praia acompanhado por um homem misterioso que havia conhecido horas atrás, logo depois que Meu Pai me deixara sozinho.
"Sim. Você me disse que foi mordido no amanhecer de ontem certo? Isso significa que essa é a sua primeira noite, e que você ainda tem outras sete antes da transformação acabar por completo." Disse ele, começando a desenhar algo na areia.
"Por... Completo? Como assim? Afinal, o que está acontecendo? Quem diabos é você!?"
Exclamando a última pergunta, eu finalmente percebi que estava irritado. Além de confuso e enojado, mais do que isso, eu sentia raiva.
"Controle suas emoções." Ele disse, sem parar de desenhar. "Se deixar levar por elas só vai acelerar o processo."
Respirei fundo. Parte de mim queria voar no pescoço dele gritando "QUE PROCESSO? PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE DIREITO!?", enquanto o resto sabia que eu deveria tentar o máximo possível manter a calma.
"Por favor..." Consegui dizer.
Finalmente se virando para mim e esboçando um sorriso estúpido no rosto, o estranho começou a explicar tudo.
"Você foi mordido por um Monstro. 'Violência, o Vampiro'. Ele tomou parte do seu sangue e te deixou vivo, pois precisava de você para sobreviver. Você foi amaldiçoado. Gradualmente, tanto seu corpo quanto sua alma serão distorcidos de forma irreconhecível. Primeiro, você adquire parte dos pontos fracos deles, como a luz solar. Algumas habilidades menores também são transferidas depois de algumas horas, como a capacidade de enxergar no escuro. Amanhã, sua fome já não será mais de comida, e no dia seguinte, também não precisará mais de ar. Seu coração vai parar de bater, e a partir de então, as mudanças... Não podem mais ser explicadas. Um humano não é capaz de sequer entendê-las."
Cada palavra que ele dizia era mais absurda que a outra. Era irracional, não fazia sentindo algum. Monstros, vampiros e maldições não existiam. Mas uma parte cada vez mais profunda de mim sentia o contrário. Era como se minha natureza, meu senso de realidade, estivesse corrompido.
Porque tudo que ele dissera, pelo menos para mim, fazia completo sentido. E quanto as mudanças que humanos não seriam capazes de entender...
De alguma forma, eu já fazia alguma ideia do que seriam.
"Meu nome é 'Forca'. Sou um caçador de Monstros, e estou atrás de Violência faz alguma décadas." Disse ele, finalmente se apresentando. "Antes de mais nada, tenho que lhe fazer uma pergunta garoto..."
Ele então tirou o capuz, parou de desenhar o que parecia ser uma ave acorrentada na areia e pela primeira vez, abriu os olhos enquanto falava comigo, me fitando diretamente.
Seus olhos eram completamente cinzentos, como duas esferas de prata polida. Meu corpo inteiro estremeceu perante aquele olhar, de uma forma diferente da vez em que havia sido controlado por Meu Pai.
E com uma voz solene e impactante, ele me perguntou.
"Você quer voltar a ser um humano?"
Já deviam ser quase cinco horas da manhã. Eu me encontrava caminhando pela praia acompanhado por um homem misterioso que havia conhecido horas atrás, logo depois que Meu Pai me deixara sozinho.
"Sim. Você me disse que foi mordido no amanhecer de ontem certo? Isso significa que essa é a sua primeira noite, e que você ainda tem outras sete antes da transformação acabar por completo." Disse ele, começando a desenhar algo na areia.
"Por... Completo? Como assim? Afinal, o que está acontecendo? Quem diabos é você!?"
Exclamando a última pergunta, eu finalmente percebi que estava irritado. Além de confuso e enojado, mais do que isso, eu sentia raiva.
"Controle suas emoções." Ele disse, sem parar de desenhar. "Se deixar levar por elas só vai acelerar o processo."
Respirei fundo. Parte de mim queria voar no pescoço dele gritando "QUE PROCESSO? PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE DIREITO!?", enquanto o resto sabia que eu deveria tentar o máximo possível manter a calma.
"Por favor..." Consegui dizer.
Finalmente se virando para mim e esboçando um sorriso estúpido no rosto, o estranho começou a explicar tudo.
"Você foi mordido por um Monstro. 'Violência, o Vampiro'. Ele tomou parte do seu sangue e te deixou vivo, pois precisava de você para sobreviver. Você foi amaldiçoado. Gradualmente, tanto seu corpo quanto sua alma serão distorcidos de forma irreconhecível. Primeiro, você adquire parte dos pontos fracos deles, como a luz solar. Algumas habilidades menores também são transferidas depois de algumas horas, como a capacidade de enxergar no escuro. Amanhã, sua fome já não será mais de comida, e no dia seguinte, também não precisará mais de ar. Seu coração vai parar de bater, e a partir de então, as mudanças... Não podem mais ser explicadas. Um humano não é capaz de sequer entendê-las."
Cada palavra que ele dizia era mais absurda que a outra. Era irracional, não fazia sentindo algum. Monstros, vampiros e maldições não existiam. Mas uma parte cada vez mais profunda de mim sentia o contrário. Era como se minha natureza, meu senso de realidade, estivesse corrompido.
Porque tudo que ele dissera, pelo menos para mim, fazia completo sentido. E quanto as mudanças que humanos não seriam capazes de entender...
De alguma forma, eu já fazia alguma ideia do que seriam.
"Meu nome é 'Forca'. Sou um caçador de Monstros, e estou atrás de Violência faz alguma décadas." Disse ele, finalmente se apresentando. "Antes de mais nada, tenho que lhe fazer uma pergunta garoto..."
Ele então tirou o capuz, parou de desenhar o que parecia ser uma ave acorrentada na areia e pela primeira vez, abriu os olhos enquanto falava comigo, me fitando diretamente.
Seus olhos eram completamente cinzentos, como duas esferas de prata polida. Meu corpo inteiro estremeceu perante aquele olhar, de uma forma diferente da vez em que havia sido controlado por Meu Pai.
E com uma voz solene e impactante, ele me perguntou.
"Você quer voltar a ser um humano?"
5 de mai. de 2013
Sete Noites - Capítulo 3
"Que reação mais humana." Disse uma voz vinda da janela.
Eu me encontrava de quatro no chão, com os olhos vidrados, em cima de uma poça de sangue e vômito dentro do quarto de uma garotinha de aproximadamente seis anos que morava com a irmã de dez e os dois pais.
"Bem... Julgando pelas aparências, você deve ser um recém-transformado. Mordido a quanto tempo? Menos de um dia? É, acho que sim..." Continuou a voz.
Minha visão, capaz de enxergar perfeitamente bem no escuro, estava embaçada. Eu me sentia enjoado, confuso e novamente, apavorado. Minhas memórias daquela noite passavam repetidas vezes pela minha cabeça.
"E portanto, é muito improvável que tenha sido você a causar essa bagunça. Eu pelo menos nunca ouvi falar de um recém transformado capaz de fazer o que foi feito a essa família. Vocês ainda são humanos demais. É necessário alguns anos de vida como Monstro para chegar a esse ponto..."
Anoiteceu. Eu e... 'Meu Pai' saímos da casa onde nos escondemos do sol. Depois... Morcegos saíram da sombra dele e... Voaram em todas as direções... Procurando uma casa em que pudéssemos entrar. Com sorte, uma casa que...
"Tortura, estupro, esquartejamento, estupro e então, 'almoço'. Acertei a ordem? Do que foi feito com elas? Cada uma delas? As filhas e a mãe? Quanto ao pai... Assassinado, aparentemente. É a cara dele... Então, o bastardo maldito sobreviveu foi? Depois de todo o sacrifício que eu tive para finalmente emboscá-lo sem correr grandes riscos? Não dá pra acreditar.... E foi ele quem te transformou também?"
Ele... O monstro que é agora 'Meu Pai'. Ele precisava recuperar as energias, se alimentar. 'Quanto mais jovem melhor' ele disse. 'Eu prefiro mulheres' ele disse. 'TIVEMOS SORTE' ele disse.
Enquanto matava, a mãe. Enquanto matava a mais velha. Enquanto matava a menor. Enquanto... As destruía...
Volto a vomitar instantaneamente.
"Garoto, olhe para mim."
Me sentindo culpado demais para desobedecer, eu me virei para a janela.
Pendurado por uma corrente no telhado da casa, virado para mim com os olhos cerrados e as pálpebras tatuadas com suásticas, vestindo um sobretudo azul escuro e carregando uma estaca de madeira em sua mão. Ele calçava botas pretas e pesadas, pingando lama no chão. Um homem alto, com aproximadamente um metro e noventa. Sua voz era grave e casual, e estranhamente, me inspirava confiança.
"Você não devia tê-lo salvado." Disse ele, entrando pela janela.
Eu me encontrava de quatro no chão, com os olhos vidrados, em cima de uma poça de sangue e vômito dentro do quarto de uma garotinha de aproximadamente seis anos que morava com a irmã de dez e os dois pais.
"Bem... Julgando pelas aparências, você deve ser um recém-transformado. Mordido a quanto tempo? Menos de um dia? É, acho que sim..." Continuou a voz.
Minha visão, capaz de enxergar perfeitamente bem no escuro, estava embaçada. Eu me sentia enjoado, confuso e novamente, apavorado. Minhas memórias daquela noite passavam repetidas vezes pela minha cabeça.
"E portanto, é muito improvável que tenha sido você a causar essa bagunça. Eu pelo menos nunca ouvi falar de um recém transformado capaz de fazer o que foi feito a essa família. Vocês ainda são humanos demais. É necessário alguns anos de vida como Monstro para chegar a esse ponto..."
Anoiteceu. Eu e... 'Meu Pai' saímos da casa onde nos escondemos do sol. Depois... Morcegos saíram da sombra dele e... Voaram em todas as direções... Procurando uma casa em que pudéssemos entrar. Com sorte, uma casa que...
"Tortura, estupro, esquartejamento, estupro e então, 'almoço'. Acertei a ordem? Do que foi feito com elas? Cada uma delas? As filhas e a mãe? Quanto ao pai... Assassinado, aparentemente. É a cara dele... Então, o bastardo maldito sobreviveu foi? Depois de todo o sacrifício que eu tive para finalmente emboscá-lo sem correr grandes riscos? Não dá pra acreditar.... E foi ele quem te transformou também?"
Ele... O monstro que é agora 'Meu Pai'. Ele precisava recuperar as energias, se alimentar. 'Quanto mais jovem melhor' ele disse. 'Eu prefiro mulheres' ele disse. 'TIVEMOS SORTE' ele disse.
Enquanto matava, a mãe. Enquanto matava a mais velha. Enquanto matava a menor. Enquanto... As destruía...
Volto a vomitar instantaneamente.
"Garoto, olhe para mim."
Me sentindo culpado demais para desobedecer, eu me virei para a janela.
Pendurado por uma corrente no telhado da casa, virado para mim com os olhos cerrados e as pálpebras tatuadas com suásticas, vestindo um sobretudo azul escuro e carregando uma estaca de madeira em sua mão. Ele calçava botas pretas e pesadas, pingando lama no chão. Um homem alto, com aproximadamente um metro e noventa. Sua voz era grave e casual, e estranhamente, me inspirava confiança.
"Você não devia tê-lo salvado." Disse ele, entrando pela janela.
17 de abr. de 2013
Sete Noites - Capítulo 2
Quando eu "despertei", confuso e com a memória bagunçada, estava deitado em um sofá na sala de estar de uma casa. A princípio, tentei me lembrar de como fui para ali, mas logo outra detalhe chamou minha atenção. Todas as janelas estavam com as cortinas fechadas, bloqueando completamente a entrada de luz.
Ainda assim, eu conseguia enxergar perfeitamente.
"Finalmente acordou, garoto?"
Foi a primeira coisa que eu escutei. Imediatamente, reconheci a voz do homem que havia encontrado pregado em uma árvore e recordei tudo a respeito daquela noite. Apesar de ainda não fazer ideia de quanto tempo se passara desde então, haviam dois fatos dos quais eu tinha certeza naquele momento:
Aquele homem era o assassino que matara sete adolescentes e uma criança.
Eu tinha sido a nona vítima.
Infelizmente, o segundo fato era levemente contraditório. Eu tinha certeza que aquela... "Mordida", havia me matado.
Eu estava morto.
"O que... Aconteceu?" Resolvi perguntar.
"Bem... Você deu azar. Mas entre os que deram azar, você foi o mais sortudo." Respondeu o homem. Só agora eu notei que não havia sinal das enormes feridas causadas pelas estacas. Para falar a verdade, não haviam nem mesmos buracos em sua roupa. E ele parecia estranhamente... Vigoroso.
"Como assim"? Perguntei novamente, com mais firmeza na voz. Estranhamente, todo o medo que eu sentira ao vê-lo pregado na árvore parecia um sonho agora. Eu me sentia... Confiante. Forte. Poderoso.
"Bem... Eu havia espalhado alguns familiares pelas ruas durante a noite, na esperança de encontrar uma nova presa. Você encontrou um deles, e foi trazido por ele até mim. Eu costumo não escolher homens sabe? Normalmente, meu familiar teria te ignorado completamente. Mas como eu disse, você deu azar."
Lentamente, eu estava começando a entender.
"Um caçador insistente que está atrás de mim há algumas décadas descobriu minha localização e preparou uma armadilha. Eu caí nela e acabei parando naquela situação deplorável. O sol iria me matar se você não tivesse chegado sabe? Eu pretendia te usar para escapar e depois matá-lo, mas não havia tempo. Então resolvi te transformar, e aqui estamos." Terminou ele, com um sorriso.
"Onde estamos?"
"Não faço ideia. Seu corpo recém transformado aguentava melhor o sol, então simplesmente te deixei nos guiar até um lugar seguro e foquei em me regenerar. Quando chegamos, você perdeu a consciência e eu tomei a liberdade de me alimentar."
"Fui eu... Quem te trouxe aqui?"
"Sim. Eu te ordenei, e você me obedeceu. Você é meu servo agora."
Imediatamente me lembrei daqueles olhos vermelhos e da habilidade que eles possuíam.
"Então... Você é um vampiro?"
Ele sorriu.
"Vampiro, bruxo, transformista, mago, zumbi, necromante, lobisomen, espírito maligno... Nossa espécie tem muitos nomes. Pode-se dizer até que somos a origem de todos os mitos. Você vai entender, eventualmente." Respondeu, indo até a janela e abrindo a cortina.
O sol estava se pondo.
"Vamos indo? A noite vai ser longa..."
Ainda assim, eu conseguia enxergar perfeitamente.
"Finalmente acordou, garoto?"
Foi a primeira coisa que eu escutei. Imediatamente, reconheci a voz do homem que havia encontrado pregado em uma árvore e recordei tudo a respeito daquela noite. Apesar de ainda não fazer ideia de quanto tempo se passara desde então, haviam dois fatos dos quais eu tinha certeza naquele momento:
Aquele homem era o assassino que matara sete adolescentes e uma criança.
Eu tinha sido a nona vítima.
Infelizmente, o segundo fato era levemente contraditório. Eu tinha certeza que aquela... "Mordida", havia me matado.
Eu estava morto.
"O que... Aconteceu?" Resolvi perguntar.
"Bem... Você deu azar. Mas entre os que deram azar, você foi o mais sortudo." Respondeu o homem. Só agora eu notei que não havia sinal das enormes feridas causadas pelas estacas. Para falar a verdade, não haviam nem mesmos buracos em sua roupa. E ele parecia estranhamente... Vigoroso.
"Como assim"? Perguntei novamente, com mais firmeza na voz. Estranhamente, todo o medo que eu sentira ao vê-lo pregado na árvore parecia um sonho agora. Eu me sentia... Confiante. Forte. Poderoso.
"Bem... Eu havia espalhado alguns familiares pelas ruas durante a noite, na esperança de encontrar uma nova presa. Você encontrou um deles, e foi trazido por ele até mim. Eu costumo não escolher homens sabe? Normalmente, meu familiar teria te ignorado completamente. Mas como eu disse, você deu azar."
Lentamente, eu estava começando a entender.
"Um caçador insistente que está atrás de mim há algumas décadas descobriu minha localização e preparou uma armadilha. Eu caí nela e acabei parando naquela situação deplorável. O sol iria me matar se você não tivesse chegado sabe? Eu pretendia te usar para escapar e depois matá-lo, mas não havia tempo. Então resolvi te transformar, e aqui estamos." Terminou ele, com um sorriso.
"Onde estamos?"
"Não faço ideia. Seu corpo recém transformado aguentava melhor o sol, então simplesmente te deixei nos guiar até um lugar seguro e foquei em me regenerar. Quando chegamos, você perdeu a consciência e eu tomei a liberdade de me alimentar."
"Fui eu... Quem te trouxe aqui?"
"Sim. Eu te ordenei, e você me obedeceu. Você é meu servo agora."
Imediatamente me lembrei daqueles olhos vermelhos e da habilidade que eles possuíam.
"Então... Você é um vampiro?"
Ele sorriu.
"Vampiro, bruxo, transformista, mago, zumbi, necromante, lobisomen, espírito maligno... Nossa espécie tem muitos nomes. Pode-se dizer até que somos a origem de todos os mitos. Você vai entender, eventualmente." Respondeu, indo até a janela e abrindo a cortina.
O sol estava se pondo.
"Vamos indo? A noite vai ser longa..."
10 de abr. de 2013
Sete Noites - Capítulo 1
Espero conseguir terminar essa série (yeah, ta certo...)
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Não pretendo me identificar em momento algum durante este relato. Apesar de ter reunido coragem para partilhar dessa história, sei que é melhor fazê-lo de forma anônima. Acreditar ou não nas palavras que aqui serão escritas é escolha sua, e acho melhor que não o façam. É mais seguro. Tanto para mim quanto para vocês.
Bem... Vamos começar.
Ano passado, a minha vida mudou.
Durante uma semana, eu vivenciei o inferno na terra, e desde então, minha vida mudou.
Foi como se o destino estivesse pregando uma peça comigo. Bem, admito que também tive culpa. Afinal, se não fosse por mim, provavelmente não teria acontecido da forma que aconteceu, ou talvez nem mesmo tivesse acontecido.
Mas eu me recuso a acreditar que tudo foi apenas "por acaso".
Era uma noite de domingo quando o conheci. Meu pai, um policial solteiro, havia chegado em casa mais frustrado e irritado do que eu jamais tinha visto. Fazia alguns meses desde que um assassino em série havia aparecido em nossa cidade, e a mãe da oitava vítima havia feito uma cena na delegacia aquela tarde. Daqueles com direito a choro e xingamentos.
Bem, não posso culpá-la. A garotinha tinha dez anos e foi encontrada nua com o pescoço torcido deitada na areia da praia. Diga-se de passagem, sua casa ficava a três quarteirões do local. Qualquer mãe teria feito o mesmo, senão pior.
De qualquer forma, por causa disso, eu e meu pai brigamos naquela noite. Minha culpa. Apesar de que o estado emocional dele também ajudou bastante, claro. Ainda assim, fui eu quem o provocou no final e isso resultou na minha "expulsão" da casa.
"Expulsão"
Eu pretendia voltar, é claro. No dia seguinte mesmo. Ele não estaria lá durante a manhã e a tarde, e eu estava com as chaves no bolso. Em três dias, nós dois teríamos superado aquela briga e voltaríamos ao convívio "normal".
Mas o destino não quis que fosse assim, claro.
Naquela noite, enquanto eu caminhava pelas ruas vazias esperando o sol nascer, uma tempestade sem chuva começou a soprar. Não demorei para encontrar abrigo, em um coreto numa praça perto da praia (longe de onde a oitava vítima havia sido encontrada), e lá fiquei sozinho.
Não, não exatamente sozinho. Junto comigo havia outro ser vivo. Um morcego negro como a noite, que parecia não ser afetado pelo vento e que me fitava pendurado em uma das vigas de madeira.
Dizer quanto tempo passei apenas sentado lá, olhando para o morcego, seria impossível. Minha memória daquele momento está muito confusa agora. Só sei que quando percebi, já estava correndo.
Respiração ofegante, olhos semicerrados, vento soprando no meu rosto, correndo atrás do maldito morcego que agora não só ignorava o vento, mas também conseguia voar contra ele.
Apesar de ter recuperado minha consciência, meu corpo ainda não me obedecia. Eu continuei correndo além da exaustão por longos minutos, até que finalmente chegamos.
Um trecho deserto da praia, longe da cidade. Apenas o mar, uma faixa de areia e as árvores.
E em uma dessas árvores estava um homem pregado com estacas de madeira pendurado de cabeça para baixo. Uma estaca atravessando as duas mãos e o peito, outra estaca para os pés. As duas atravessavam a árvore por completo, e pareciam extremamente afiadas. Havia uma quantidade absurda de sangue escorrendo das feridas, digna de oito jovens garotas e sabe-se lá quantas mais. Todo o tronco da árvore e a terra envolta estava manchada de vermelho.
Mas apesar da situação miserável do homem, a única coisa que eu pude sentir foi medo.
"Tire-me daqui" ele ordenou. Seus olhos vermelhos pareciam emanar uma espécie de encanto sob meu corpo, fazendo-me sentir impelido a obedecer.
Então eu me aproximei. Mesmo querendo dar meia volta, mesmo querendo desaparecer dali o mais rápido possível, eu me aproximei.
"Remova as estacas. Rápido." ordenou ele novamente, me controlando com os olhos.
Essa segunda ordem não pareceu tão eficiente. Parecia que lentamente, o controle dele sobre mim ficava mais fraco. Provavelmente, me forçar a salvá-lo exigia todas as forças restantes dele. Foi então que eu me lembrei, o morcego que me atraiu até lá também havia perdido parte do controle sobre mim no meio do caminho.
Pensei que se fosse capaz de enrolar por tempo o suficiente, eventualmente conseguiria escapar.
Ideia estúpida.
"Eu não tenho tempo para brincar com você. Remova as estacas de uma vez." Ordenou ele, dessa vez quase dispensando a "hipnose".
Eu devia ter corrido então.
O sol começou a nascer, queimando o corpo do homem a partir dos pés, lentamente. Eventualmente o restante do corpo seria destruído e eu poderia voltar para casa. Ou pelo menos era para ser assim.
"Não tenho outra escolha. Ajoelhe-se e estenda o seu braço até minha boca garoto. Você vai ter de servir"
Novamente me controlando com seus olhos, ele me obrigou a obedecê-lo e assim como ele disse, eu me ajoelhei e estendi o braço direito.
"Seja bem vindo ao mundo da noite" Disse ele, antes de me morder.
Essa foi minha última lembrança daquela noite.
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Não pretendo me identificar em momento algum durante este relato. Apesar de ter reunido coragem para partilhar dessa história, sei que é melhor fazê-lo de forma anônima. Acreditar ou não nas palavras que aqui serão escritas é escolha sua, e acho melhor que não o façam. É mais seguro. Tanto para mim quanto para vocês.
Bem... Vamos começar.
Ano passado, a minha vida mudou.
Durante uma semana, eu vivenciei o inferno na terra, e desde então, minha vida mudou.
Foi como se o destino estivesse pregando uma peça comigo. Bem, admito que também tive culpa. Afinal, se não fosse por mim, provavelmente não teria acontecido da forma que aconteceu, ou talvez nem mesmo tivesse acontecido.
Mas eu me recuso a acreditar que tudo foi apenas "por acaso".
Era uma noite de domingo quando o conheci. Meu pai, um policial solteiro, havia chegado em casa mais frustrado e irritado do que eu jamais tinha visto. Fazia alguns meses desde que um assassino em série havia aparecido em nossa cidade, e a mãe da oitava vítima havia feito uma cena na delegacia aquela tarde. Daqueles com direito a choro e xingamentos.
Bem, não posso culpá-la. A garotinha tinha dez anos e foi encontrada nua com o pescoço torcido deitada na areia da praia. Diga-se de passagem, sua casa ficava a três quarteirões do local. Qualquer mãe teria feito o mesmo, senão pior.
De qualquer forma, por causa disso, eu e meu pai brigamos naquela noite. Minha culpa. Apesar de que o estado emocional dele também ajudou bastante, claro. Ainda assim, fui eu quem o provocou no final e isso resultou na minha "expulsão" da casa.
"Expulsão"
Eu pretendia voltar, é claro. No dia seguinte mesmo. Ele não estaria lá durante a manhã e a tarde, e eu estava com as chaves no bolso. Em três dias, nós dois teríamos superado aquela briga e voltaríamos ao convívio "normal".
Mas o destino não quis que fosse assim, claro.
Naquela noite, enquanto eu caminhava pelas ruas vazias esperando o sol nascer, uma tempestade sem chuva começou a soprar. Não demorei para encontrar abrigo, em um coreto numa praça perto da praia (longe de onde a oitava vítima havia sido encontrada), e lá fiquei sozinho.
Não, não exatamente sozinho. Junto comigo havia outro ser vivo. Um morcego negro como a noite, que parecia não ser afetado pelo vento e que me fitava pendurado em uma das vigas de madeira.
Dizer quanto tempo passei apenas sentado lá, olhando para o morcego, seria impossível. Minha memória daquele momento está muito confusa agora. Só sei que quando percebi, já estava correndo.
Respiração ofegante, olhos semicerrados, vento soprando no meu rosto, correndo atrás do maldito morcego que agora não só ignorava o vento, mas também conseguia voar contra ele.
Apesar de ter recuperado minha consciência, meu corpo ainda não me obedecia. Eu continuei correndo além da exaustão por longos minutos, até que finalmente chegamos.
Um trecho deserto da praia, longe da cidade. Apenas o mar, uma faixa de areia e as árvores.
E em uma dessas árvores estava um homem pregado com estacas de madeira pendurado de cabeça para baixo. Uma estaca atravessando as duas mãos e o peito, outra estaca para os pés. As duas atravessavam a árvore por completo, e pareciam extremamente afiadas. Havia uma quantidade absurda de sangue escorrendo das feridas, digna de oito jovens garotas e sabe-se lá quantas mais. Todo o tronco da árvore e a terra envolta estava manchada de vermelho.
Mas apesar da situação miserável do homem, a única coisa que eu pude sentir foi medo.
"Tire-me daqui" ele ordenou. Seus olhos vermelhos pareciam emanar uma espécie de encanto sob meu corpo, fazendo-me sentir impelido a obedecer.
Então eu me aproximei. Mesmo querendo dar meia volta, mesmo querendo desaparecer dali o mais rápido possível, eu me aproximei.
"Remova as estacas. Rápido." ordenou ele novamente, me controlando com os olhos.
Essa segunda ordem não pareceu tão eficiente. Parecia que lentamente, o controle dele sobre mim ficava mais fraco. Provavelmente, me forçar a salvá-lo exigia todas as forças restantes dele. Foi então que eu me lembrei, o morcego que me atraiu até lá também havia perdido parte do controle sobre mim no meio do caminho.
Pensei que se fosse capaz de enrolar por tempo o suficiente, eventualmente conseguiria escapar.
Ideia estúpida.
"Eu não tenho tempo para brincar com você. Remova as estacas de uma vez." Ordenou ele, dessa vez quase dispensando a "hipnose".
Eu devia ter corrido então.
O sol começou a nascer, queimando o corpo do homem a partir dos pés, lentamente. Eventualmente o restante do corpo seria destruído e eu poderia voltar para casa. Ou pelo menos era para ser assim.
"Não tenho outra escolha. Ajoelhe-se e estenda o seu braço até minha boca garoto. Você vai ter de servir"
Novamente me controlando com seus olhos, ele me obrigou a obedecê-lo e assim como ele disse, eu me ajoelhei e estendi o braço direito.
"Seja bem vindo ao mundo da noite" Disse ele, antes de me morder.
Essa foi minha última lembrança daquela noite.
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