14 de set. de 2013

O Coração Cinzento

Então o coração cinzento
Percebe que não é mais vermelho
Que todo o sangue virou barro
Que sua pele virou papel
Que tantos ossos viraram pó
Os sonhos
Passado
E a vida
Perdeu o sentido

Depois de tanto esforço
Só havia sobrado o cansaço
Depois de toda a espera
A nada ele havia alcançado
Depois de amar por tanto tempo
Ele havia finalmente perdido

Numa forma tão tangível
Que dor nenhuma foi necessária

No entanto, o coração cinzento
Percebe que ainda está vivo
Que apesar de todo sangue ter virado barro
Da sua pele ter virado papel
De tantos ossos terem virado pó
Ele ainda estava vivo

E que os sonhos, o passado
Eram só sonhos

Apesar de todo o esforço,
Do cansaço
Da espera
Da frustração
Do desamor
Da perda

No final das contas,
Ele nunca teve nada mesmo
Qual era a diferença?

Lucas Rangel Lima

12 de set. de 2013

The Tickets

Today I found those tickets
Hidden inside my wallet
Kept safe, always with me
So as to never forget
What I once felt

I took them out then
And felt them with my hands
While remembering your voice
You hair, our face, your smile
Your shyness and your laugh
I looked at them

As if they were someone else's

It was as if I was watching another´s life
An old movie inside my head
Something familiar, yet so distant
That it didn´t matter anymore

The person in that movie
Who loved your hair
Who loved your face
Who loved your smile
Who loved your shyness
Who loved your laugh
Who would look at those tickets
Remember you
And feel sorrow
Was no more

So yeah
I took them out then
Out of my wallet
Crushed them with my hands
And threw them away

Just like garbage.

Lucas Rangel Lima

11 de set. de 2013

Her Arms

And then, somehow,
All the fun turned grey
Everything that made me think
"It´s worth it"
In the blink of an eye
Turned into dust

And now, suddenly,
I feel like I´ve dried up
Tired of carrying myself alone
For the good of love
Unable to even remember
What it was like

To like...

My head hurts
My eyes are foggy
My fingers are petrified
My tongue is numb
My ears are deaf
My chest is empty
My legs are weak
My arms feel heavy
And life it´s self
Seems colder than ever.

I can´t dream about wings anymore
Nor can I think about flying
I can only see myself
Falling
Kissing the dirt
Head on to the ground
And then roting like a corpse
With no strenght to get up
No reason to
No nothing

Feeling anxious to die
For at least her arms
Will surely welcome me

Lucas Rangel Lima

29 de ago. de 2013

De Tão Bela

Comecei a escutar uma canção
Que de tão bela, me fez apaixonar.

Toda a dor que alguém sentira
Descrita de forma tão sincera
Tão intensamente humana
Que de tão bela, me fez apaixonar

Mas sem ter fim, infelizmente,
Eventualmente me assustou
A cada palavra, a cada acorde
Nenhuma sorte
Apenas a noite
Que de tão bela, me fez apaixonar

Esperei no fim então uma morte
E uma lágrima quis escorrer
Esperei no fim então redenção
E um sorriso irônico fez aparecer
Esperei no fim então o recomeço
Mas que triste
Sem romance, sem encerramento
A canção apenas secou
Como uma flor sem ar, sem água
Que de tão bela,

Me fez apaixonar

Lucas Rangel Lima

28 de ago. de 2013

Crônicas de Lumus - Capítulo 1

"NUNCA ESQUEÇAM AS PALAVRAS DO INIMIGO!" Ecoou a voz do ancião, "ELE, QUE A QUASE UM MILÊNIO, FOI DERROTADO POR NOSSOS ANCESTRAIS E EXPULSO DE NOSSAS TERRAS! RECORDEM O TOM ZOMBETEIRO COM O QUAL ELE SUBESTIMOU NOSSA PERSEVERANÇA E SORRIEM, POIS HOJE NOVAMENTE NÓS O PROVAMOS ERRADO!"

"Iluminada seja Lumus! Iluminada seja Matreon!" Exclamaram os magos, acompanhados em seguida pelos cavaleiros e pelos nobres presentes, todos ajoelhados perante o ancião e ao enorme portão que se estendia até o teto atrás dele.

"E QUE NÓS NOS TORNEMOS ESSA LUZ, POIS COMO DISSE O INIMIGO, ONDE TUDO É LUZ NÃO HÁ ESPAÇO PARA SUA SOMBRA!" Voltou a exclamar o ancião, erguendo seu cetro prateado.

Conjurando um feitiço conhecido apenas por ele, o ancião então cria luz com sua magia e a permite se espalhar indefinidamente por toda a capital, refletida em cada parede e superfície esculpida no colossal e mais poderoso cristal mágico existente, o Castelo Dourado.

"HOJE NOS REUNIMOS AQUI PARA PASSAR ADIANTE A LÂMINA DA VITÓRIA, SÍMBOLO DE NOSSA CAPITAL E PROTETORA MATREON, AO INVICTO E MAIS FORMIDÁVEL CAVALEIRO DO NOSSO PAÍS! O NOVO HERDEIRO DO HERÓI VALERIUS E DO TÍTULO DE 'VALERIUS, O DÉCIMO QUINTO'! ÓRTUS!!"

"ÓRTUS!" Ecoaram os cavaleiros, acompanhados em seguidas pelos magos e por último, pelos nobres.

Ajoelhado ao lado daquele chamado Órtus, se encontrava o Segundo Derrotado, Saldbert. Superado apenas pelo novo Invícto e pelo Décimo Quarto, Saldbert sentia agora uma mistura estranha de emoções contraditórias em seu peito. Inveja, orgulho, felicidade, arrependimento, ansiedade e por último, uma estranha pontada de medo. 

"Suas habilidades serão sem dúvida as mais perfeitas que a Lâmina Dourada vai ter o prazer de testemunhar em muitos séculos meu amigo..." Murmura ele, alto o suficiente para que apenas Órtus escutasse.

"Obrigado. Vamos esperar que você esteja certo, e que eu ter sido escolhido para empunhá-la não seja um erro..." Responde Órtus, esboçando um sorriso amargo em seu rosto.

"Como poderia ser?" Indaga Saldbart, indignado, "Você não foi escolhido, mas sim conquistou o direito de empunhá-la! Tenha mais confiança em si mesmo!"

"Eis que essa é a questão meu amigo... Em mim mesmo eu sei que posso confiar."

"LEVANTE-SE, INVICTO DÉCIMO QUINTO!"  Exclamou o ancião, encerrando a voz dos dois cavaleiros e de todos os presentes.

Sem hesitação alguma, Órtus responde ao chamado se levantando e se aproxima do ancião.

"Como representante de todos os magos do reino, eu lhe entrego a espada que derrotou o inimigo, a ilustre Lâmina Dourada. Que você se torne a luz que afastará todo o mal de nossas terras e garantirá não só à Matreon, mas também às Cinco Cidades de Lumus, uma nova era de glória e prosperidade." Diz o ancião, estendendo a espada a Órtus.

"Eu aceito a Lâmina, ciente de sua história e da história daqueles que a aceitaram antes de mim. Juro com ela proteger o Castelo Dourado." Responde ele, cerrando seu punho firmemente no cabo da lâmina.

"Que com ela você possa proteger..."

"Eu me recuso."

Surpreso por ser interrompido, o ancião se vira contra Órtus perplexo.

"Como é?"

"Eu me recuso."

E com apenas um golpe, Valerius o Décimo Quinto executa o ancião.

"Não pretendo me tornar a luz de ninguém." Diz ele, encarando todos os presentes.




No final daquele dia, Matreon já havia caído nas mãos do inimigo.

29 de jul. de 2013

A Caminhada

Ele saiu de casa naquela tarde sem saber direito ao certo aonde queria ir. Planejava apenas escapar daquela casa, tão cheia de memórias e tão vazia, onde só poderia passar o tempo sozinho. Dar uma caminhada pelo centro da cidade, pela orla da praia... Ver o mar enquanto escutava suas músicas favoritas.

Ele então vestiu uma jeans e uma camisa preta, uma blusa e colocou um óculos escuro. Vestiu também luvas, pois apesar do sol, o vento ainda era frio. Por fim, calçou o tênis e partiu.

Depois de mais de meia hora, seus pés finalmente o guiaram até a areia e o mar. Deserta devido ao inverno, a praia parecia uma amiga que ele não via fazia anos, e que reservara aquela tarde apenas para recebê-lo.

Mas incapaz de se distrair com o cenário e com a música, ele permaneceu engasgado com suas dores. Desejado alguém para conversar, alguém para agredir, alguém para rir, alguém para fazer sangrar... Alguém para abraçar, talvez.

Foi então que ele viu uma garota, vestida com o mesmo preto de seu luto, descer para a areia e passar andando. Ela parecia apressada, com raiva talvez. E charmosa.

Solitário e hesitante, ele a fitou rabiscar algo na areia entre muitos outros rabiscos e logo cedeu a curiosidade. A única coisa em sua cabeça era a esperança, a luz, a ansiedade... 

Mas em seu peito ainda jazia o medo e a dor.

Ele a fitou partir e se virar para olhá-lo.

Na primeira vez, ele pensou "Preciso voltar. Vou me arrepender se ela se virar de novo."

Na segunda vez, ele pensou "Eu preciso correr. Mas será que ela vai se virar de novo?"

Ne tercera vez, ele pensou "Porque eu fiquei parado?"

E por pensar que já era tarde demais, já era tarde demais.

Ele voltou para casa naquele fim de tarde sem saber ao certo o que devia sentir. Desejava apenas escapar daquela sensação, tão amarga e tão dolorosa, que só fazia aumentar sua solidão. Escrever uma poesia, uma crônica ou uma canção...

Repensar seus arrependimentos e dores mais queridas.

Lucas Rangel Lima

25 de jul. de 2013

O Choro

Eu podia senti-lo em minha garganta
Subindo, enfraquecendo minha voz
Mas me mantive firme
Até meus dedos ficarem brancos
Meus olhos ficarem tontos
E meu sorriso ficar louco

Engoli-o seco e o tranquei
Selei-o em meu peito
Forcei-o a se calar
Derrotei-o temporariamente
E o deixei a me envenenar

"Você é forte"
Tive que escutar
"Te desejo boa sorte"
Tive de aceitar
Mordendo os lábios por dentro
E sorrindo ternamente

Abracei e consolei
Como sabia ser o certo a fazer
Tentei fazer o que pude
Por quem precisasse
A medida do possível
Mas provavelmente
Além das minhas capacidades

Até quando cantei
Quando pensei em libertá-lo
Deixá-lo expor meus sentimentos
Acabei notando aqueles que me cercavam
E como um mártir
Eu me despedi sorrindo

Tremendo
Desesperado
Fraco
Desequilibrado
Perdido
Sozinho
Gelado
Pálido
Órfão

Eu posso senti-lo em minha garganta
Subindo, enrouquecendo minha voz
Mas me mantenho louco
Até meus dedos começarem a tremer
Meus olhos não aguentarem mais
E seu sorriso

Me consolar...

Lucas Rangel Lima

14 de jul. de 2013

Em Meus Sonhos

Sinto bater o coração
Lento, mastigando a solidão
No peito, no pulso e na garganta
Em dor, tristes notas ele canta
Respiro fundo, coço meus olhos
Canto uma canção, esqueço meus sonhos

Fito meu reflexo cansado, definhando,
E escrevo
Pois no final das contas,
Estou amando

Como sempre, no entanto
Só conheço amargura
E mesmo com minha alma em pranto
Abraço a dor, sem esperar cura

Deixo o choro morrer na garganta
Enquanto me afasto daquela que me encanta
Morro por dentro lentamente
Por ser incapaz de um dia fazê-la contente

Sinto parar o coração
Súbito, saboreando a solidão
Meu peito, meu pulso e minha garganta
Em dor, tristes notas tudo canta
Suspiro fundo, esfrego meus olhos
Canto uma canção,

Te vejo em meus sonhos...

Lucas Rangel Lima

Pensamentos de um Solitário

Fui dormir essa noite
Me perguntando o que houve de errado
No que tanto erro
O que diabos me falta
Qual... O meu problema.

Seria meu egoísmo?
Minha incapacidade de te amar
Sem te desejar só para mim o tempo todo?

Mesmo estando disposto e lhe dar tudo
A sacrificar tudo por você
Eu não tenho esse direito?

Seria minha fraqueza?
A facilidade com que meu corpo treme
Ao te ver sorrir para mim por um momento?

Mesmo meu coração batendo tão forte
Com tanta certeza e paixão
Você precisa de ainda mais?

Tem dias em que eu já nem sei mais
Porque continuo pensando em você
Nem sei mais como descrever o que sinto
Só me odeio por ser tão egoísta
Por ser tão... Fraco...

Lucas Rangel Lima

13 de jun. de 2013

Nesses Tempos

Nesses tempos frios
Nenhuma palavra ecoa em meu peito
Nenhum sentimento me alimenta
Nenhuma felicidade,
Por menor que fosse,
Me parece real

Pareço estar amarrado
Algemado a pedras pelos pés
Cansado de tanto fazer nada
Desejando que as ondas venham
Que me arrestem e me afoguem
E me façam parte do mar

Mas mesmo sem sol
Sem água
Tudo permanece seco
Permanece morto
Vazio, fadado ao pó

Acordo sem querer me levantar
Caminho sem conseguir me mover
Experimento sem poder possuír
Vivo apenas esperando a morte

Quando percebo
Não aconteceu nada.

Posso voltar a dormir
Não preciso mais andar
Já experimentei o que podia
E a vida continua

Nesses dias sem calor
Nenhuma poesia me vem a cabeça
Nenhum sentimento me inspira
Nenhuma dor,
Por menor que seja,
Me atormenta

E eu permaneço triste...

Lucas Rangel Lima

Dezesseis do primeiro tempo

Hoje no Brasil, o menor infrator para o brasileiro, encontra-se em uma zona de conforto. Seus crimes realizados ou muita das vezes "assumidos" são motivos para aflorar na população o desejo de justiça que não é atendido devido à maioridade penal.
Essa sensibilização do povo proveniente dos crimes hediondos envolvendo menores, fez propagar-se a ideia, principalmente nas redes sociais, da redução da maioridade penal. As consequências para quem vê essa lei como solução, não prevê a longo prazo os efeitos sociais que tendem a desencadear no futuro.
Com o menor, de dezesseis anos, sendo julgado e preso, as quadrilhas e traficantes veem a necessidade de aliciar jovens cada vez mais novos, reduzindo a expectativa de vida do brasileiro, pois muitos morrem em "serviço".
Esse menor infrator já preso e junto ao convívio dos maiores infratores tende a se marginalizar cada vez mais, visto que o sistema carcerário não tem em seu regimento a ideia de reintegrar a ética e a moralidade ao jovem. Sendo assim, ao cumprir sua pena, o indivíduo é solto pior de quando entrara.
Tendo em vista toda essa necessidade de medidas e leis que atendam tanto a redução da marginalização dos menores como o do desejo de "justiça" por grande parte da população, são problemas que podem ser solucionados por meios principalmente preventivos como: projetos sociais que tirem os menores da rua, incentivos ao esporte, educação e principalmente ao emprego remunerativo do jovem. Já aos menores infratores: devem ser aplicadas penas com maiores durações voltadas aos serviços comunitários em que esses possam aprender valores e ter a chance de se reintegrar à sociedade de forma politicamente correta.

11 de jun. de 2013

O que Pensei Quando a Vi

Quando a vi deitada,
Coberta de flores como tantos outros
Não pude deixar de me lembrar
De olhar o passado e recordar
E não pude evitar de imaginar
De pensar no futuro e suspirar...

É engraçado
Independente de todos os planos
Todos os cuidados e pretensões
A vida continua correndo
Indiferente a nossa vontade
Nos fazendo encarar nossa impotência
O quão podemos ser infantis...

É engraçado
Mesmo quando a verdade se mostra para nós
Simples e crua como ela é
Inexorável
Nós só podemos chorar
Nos consolar
E esquecer
Ao invés de aceitar e seguir em frente...

Lucas Rangel Lima