8 de abr. de 2013

Contando os Dias

Olho pela janela
E continuo a contar os dias
Desde que começou a chover
Comigo aqui dentro
Me impedindo de sair

Não é como se eu estivesse
Com medo de ficar molhado
Ou como se o vento lá fora
Fosse mais frio do que o clima aqui dentro

Eu só escolhi esperar a chuva passar
Mesmo sem ver o sol faz dias
Eu só escolhi esperar o tempo clarear
Mesmo sabendo que outra tempestade já veio

Tomo uma bebida quente e amarga
Me enrolo em um cobertor confortável e áspero
Seco as lágrimas de sono e melancolia
E assisto a chuva do sofá pela janela

Continuo a contar os dias
Desde que comecei a te querer
Somente a você
Sem ver mais ninguém...

Lucas Rangel Lima

7 de abr. de 2013

Ela e o Show

Não faço ideia do que escrevi aqui...

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Em um certo palco em uma certa cidade, uma banda qualquer tocava músicas em tributo a cantores e ídolos que morreram anos atrás.

Havia também uma plateia, repleta de jovens garotos e garotas. Álcool, suor e gritos misturados ao som da bateria, da guitarra e da canção. Uma, duas, três músicas em sequência, sem descanso. Todos na plateia exaltados, queimando o momento em animação.

Com excessão de uma garota.

Em meio a todos, ela permanecia apenas ela. Ignorando o barulho, ignorando os gritos, ela apenas fitava o palco, imersa na música.

Apenas ela e a banda.

Cinco, dez, quinze músicas se passaram. Da plateia, agora só restava metade das pessoas e um quinto da animação. A noite finalmente vencia a euforia, e acompanhada da chuva, logo ameaçou o show.

Apenas a garota permaneceu sentada, atenta ao som. Ignorando as gotas, ignorando o vento, ela apenas fitava o palco, imersa na música.

Até que só restou ela e a banda.

Há muito o show já havia se encerrado. Tanto o guitarrista e o baixista quanto o baterista e o vocalista estavam exaustos, prontos para encerrar a noite e salvar os instrumentos da água. Os últimos da plateia agora se abrigavam distantes sob algum teto ou alguma árvore, esperando a chuva parar para partir.

Só então a garota se levantou.

Ela, que incorporava pensamentos do passado, paixões antigas e memórias. Ela, que ninguém sequer notou em momento algum. Ela, que estava em todas as plateias em todos os palcos ao mesmo tempo. Ela, que vivia dia após dia aquele mesmo show e tantos outros. Tantas homenagens, tantas emoções, tanta música...

Deixando para trás aquele certo palco naquela certa cidade onde uma banda qualquer havia tocado músicas em tributo a cantores e ídolos mortos anos atrás, a garota desapareceu.

E então,

O show acabou.

Lucas Rangel Lima

Porque isso?

Francamente
Eu acho uma puta sacanagem
Quando você sorri pra mim

Sério
Porque isso?
É legal me deixar tão confuso?
Tão esperançoso?
É divertido por acaso?

Sério
Depois eu viro a noite
Sem conseguir te tirar da cabeça
E você fica chateada
Depois eu sou grosseiro
Tentando disfarçar meu desgosto
E você fica chateada

Francamente
Eu acho uma puta sacanagem
Quando você tenta me consolar

Sério
Quando eu te pergunto
"O que quer de mim?"
Significa que estou disposto a te dar tudo
Que eu quero te dar tudo

Sério
Aí você me responde
"Nada"
Como se isso resolvesse alguma coisa
Ou fosse me deixar aliviado
Da vontade de pegar a minha cabeça
E pregá-la na parede

Francamente
Eu acho uma puta sacanagem
Quando você conversa casualmente comigo

Sério
É pior do quer ver o seu sorriso
Me deixa mais confuso ainda
Me deixa mais frustrado ainda
Me deixa mais desesperado
E esclarece muita coisa
Que eu não queria entender

Francamente
Eu acho uma puta sacanagem
Quando você diz que ama outro cara.

Mesmo dizendo que minha poesia é bonita
Mesmo falando que eu sou um cara legal
Mesmo falando que um dia gostou de mim
Mesmo falando comigo tanto assim
Me fazendo te amar cada vez mais...

Sério
Porque isso?

É divertido por acaso?

Lucas Rangel Lima

4 de abr. de 2013

Dorme


Dorme agora,
Dorme.
Que o toque que te toca só quer o teu bem.

Dorme, pequena,
Dorme.
Que o mundo lá fora já está quase parando.

Dorme,
Pode dormir.
Que quem te acompanha fica de ouvidos atentos.

Relaxa agora,
Dorme.
Que quem te olha dormir fica de olho no mundo.

Dorme agora,
Descansa.
Que de todas as tuas lutas, a mais voraz está para chegar.

Dorme agora,
Dorme.
Que eu te chamo quando a hora chegar

2 de abr. de 2013

Esperando Aquele Dia

Não queria que acabasse assim
Só não havia outro jeito
Apesar de sabermos desde o início
Não havia como nos prepararmos
Para este dia

Durante todo esse tempo
Eu lutei para evitar
Eu lutei para adiar
Eu me debati com todas as foças
Sem conseguir nem mesmo me iludir
Abracei você noite após noite
Grato por naquele dia
Ter acontecido

Num dia como aquele
Maravilhoso...

Mas não havia o que fazer
Tanto que este dia chegou
O dia em que nós não seriamos mais
Sobrando apenas eu

E você...

Então,
Não me culpe por ficar
Assim como eu não te culpo por partir
Afinal,
Você sabia também
Desde o começo
Agora apenas vá embora
Me deixe

Deixe terminar

É
Eu sabia que esse dia chegaria
Que como uma borboleta
Você não rastejaria na terra para sempre
Que suas asas iriam crescer
E chegaria o dia em que você se juntaria aos anjos
Enquanto eu ficaria aqui

Esperando aquele dia chegar novamente
Um dia como aquele
Maravilhoso...

Lucas Rangel Lima

1 de abr. de 2013

Why shouldn't we all?

The Shades of Oblivion,
As I call them.
The horrors that reside in the dark.

No, not that kind of murkiness..
But the gloom that lurks in the corners of your mind.

The thoughts and feelings even yourself don't fully understand.
The hopes and expectations you would not want people to know about..

Yes, that one..
The most lewd and obscure side of your soul.
The most brutal and vicious of your desires...
The bizarre content of Akasha...
Are all Shades of Oblivion.

It is the lowest point of the human psyche. 
We all have that.
We all know that.
But few understand it...
And fewer embrace it.

Could you do it?
Would you do it?
Should you do it?
Why shouldn't?

Why shouldn't I?
Why shouldn't we all?

31 de mar. de 2013

Não Agora

Me disseram para acreditar
Que havia magia no ar
Que a noite era quieta e gelada
Mas que tudo iria passar

Me disseram que a culpa não era minha
E que eu não precisava me preocupar
Que as luzes se apagariam
As nuvens se dissipariam
E eu poderia ver as estrelas novamente

Sorrindo, como se não fosse nada
Como se o frio e o silêncio
A chuva e a confusão
Tudo o que me afligia
Fosse simplesmente momentâneo

E estavam certos

Entretanto
Apesar disso
Sem a menor dúvida

São coisas que vão perdurar para sempre
Em minha memória

Ou pelo menos,
Que me fazem sentir assim

Eu sei que as estrelas vão voltar
E sei que a noite não é bela para sempre
Sei que um dia já não vou me lembrar
Mas estou triste
E o futuro
Não serve de consolo

Não agora.

Lucas Rangel Lima

30 de mar. de 2013

Um Casal?

Caminhando sozinho
Em meio a multidão
Eu avistei um "casal".

Um homem alto
De cara fechada
Um mulher morena
Olhando para o outro lado
Apenas as mãos entrelaçadas

A principio,
Eu não pensei nada
Mas aquelas expressões
Não saíram da minha cabeça
Um contraste tão grande
Entre as mãos dadas
E o quase desgosto
Exposto no rosto
De cada um

Não entendi

E só.

Lucas Rangel Lima

29 de mar. de 2013

Ao Meu Lado

Ainda me lembro claramente
Da época em que te conheci
De toda a sua infantilidade
Dos seus desenhos mal feitos
Da sua voz desafinada
Da sua covardia
E da sua raiva

Mesmo tudo tendo acontecido
Tanto tempo atrás
Mesmo essas memórias sendo
Todas de seus defeitos

Eu nunca poderia esquecer
Pois foi essa garota 
Que não sabia fazer nada
Quem eu comecei a amar

Foi te olhando querendo se tornar uma adulta
Que meu coração acelerou pela primeira vez
Foi admirando a sua dedicação mesmo sem talento
Que eu decidi estar ao seu lado a partir de então
Foi escutando sua voz nas noites de insônia
Que eu consegui dormir apesar dos meus pesadelos
Foi te vendo tremer perante ao futuro
Que eu desejei poder te proteger para sempre
E foi te vendo enfurecer quando perdida
Que eu me apaixonei por seus defeitos

E por causa disso, eu lhe peço
Não saia do meu lado

Já não sei ser maduro
Sem ter você para cuidar de mim
Não vejo cores no mundo
Sem você rabiscando-as desordenadamente
Não consigo mais dormir
Sem a sua voz me consolando
Não sei ter coragem
Sem suas mãos empurrando minhas costas
Não consigo sentir nada
Sem seu calor me dando vida
Então por favor...

Lucas Rangel Lima

28 de mar. de 2013

Nessas Noites Solitárias

Nessas noites solitárias
Eu frequentemente me pergunto
Que tipo de sonhos eu teria
Se a voz que me fizesse dormir
Fosse a sua?
Se a última coisa que visse
Fosse meu reflexo em seus olhos
Ao adormecer?

Nessas noites solitárias
Eu te procuro em meu leito
Te imaginando a me abraçar
Sonhando antes de dormir
E esperando que o sonho continue
Até eu acordar

Nessas noites solitárias
Eu me enrolo em cobertores
E rezo para que onde quer que esteja
Você esteja pensando em mim

Nessas noites solitárias
Eu continuo a me enganar

Nessas noites solitárias
Eu anseio apenas por sonhar

Nessas noites solitárias
Eu relembro nossas conversas
Procuro entender meus erros
E espero ser um dia perdoado

Nessas noites solitárias
Eu penso em você sorrindo
E consolo a mim mesmo
Curo as feridas da minha alma
Recupero todas as forças
E me preparo para descansar

Nessas noites solitárias
Sem canção ou olhares
Sem consolo ou esperança
Geladas e cruéis
Eu volta e meia me pergunto
O que eu devo fazer

Nessas noites solitárias?

Lucas Rangel Lima

27 de mar. de 2013

Lágrimas Secas


Já não sei mais quanto tempo faz
Desde que comecei a chorar neste mesmo lugar
Quantos invernos já se passaram
Quantas rosas morreram e nasceram

Só sei que minhas lagrimas
Começaram a secar.

Era óbvio
Eu não iria chorar para sempre
Tristeza nenhuma duraria tanto
Pelo menos isso
Eu já sabia

Ainda assim, eu não entendi
Me olhei no espelho e não entendi
Vasculhei minhas memórias e não entendi
Tentei gritar e não entendi

Afinal,
Eu ainda estava chorando
E meus sentimentos
Não haviam mudado

Então como?
Ou melhor, porque?
Eu não sabia
Não entendia
A marca da minha tristeza se fora
E eu me sentia vazio
Continuo vazio

Simplesmente... Parei de chorar

Lucas Rangel Lima

25 de mar. de 2013

Invictus

Uma adaptação da poesia Invictus, de W. E. Henley.


Do fundo desta noite que persiste

A me envolver em breu, eterno e espesso
A qualquer deus - se acaso algum existe
Por minh'alma insubjugável, agradeço.

Nas garras do destino e seus acasos

Sob os golpes que o azar atira e acerta
Nunca me lamento, e ainda trago,
Minha cabeça, ensanguentada, mas ereta.

Passado este oceano de lamúria

Somente o horror das trevas se divisa
Porém o tempo, a consumir-se em fúria,
Não me amedronta ou me martiriza.

Por estreita que seja a trilha, não declino

Nem por pesada a mão que o mundo espalma.
Sou mestre e senhor do meu destino
Sou capitão e dono da minha alma.