29 de jun. de 2015

Novo dia

Como se fosse destino
Óbvio, natural, inevitável,
Uma porta se fecha
Deixando para trás memórias e janelas
Lembranças e amores

Um passo longo foi dado
Um ciclo triste fechado
Muitas lições foram aprendidas
Muitas dores foram compreendidas

Mas enfim, aquilo que havia parado se moveu
O que estava frio se aqueceu
Possibilidades e desejos nasceram
Como flores num jardim
Numa colina, longe de tudo

Onde apenas o vento sabia chegar
Apenas a sinceridade de um sorriso
Sabia conquistar

Lucas Rangel Lima

Meu Veneno

E naturalmente
Desabrocha o sorriso
Desatam-se os nós
Desaparecem os grilhões

O olhar se torna claro
A voz se torna um riso
A solidão se torna um aconchego
E o carinho se torna real

Era como se o amargor em meus lábios
Adocicasse à toda minha vida
Um remédio para toda a tristeza
Um veneno para toda a dor

Matando lentamente o meu coração
Fazendo-o querer bater um pouco mais a cada dose
Queimando meu lábio, meu peito,
Lavando meu corpo, minha alma,

Meu veneno, que "naturalmente",
Me fazia viver, mesmo custando minha vida
Me fazia amar e esquecer
Viver e continuar

Lucas Rangel Lima

29 de out. de 2014

Apenas uma Loucura

Quando ele percebeu
Havia deixado de existir
Não era mais visto
Não era mais ouvido
Não estava mais lá

Para ninguém

Era óbvio, pois ele não sabia amar
Ele só sabia tatear a si mesmo
Procurando olhar para fora de sua alma
Através do que havia dentro de seu coração

Diversas vezes ele se enganou
Em meio a promessas vazias e pedidos sinceros
Diversas vezes ele se perdeu
Em meio a verdades cruéis e mentiras gentis

Diversas vezes

Até ficar sem palavras para descrever
Sem verdades para se sustentar
Sem emoções para se dedicar
Apenas uma loucura

Continuar vivendo transtornado
Pelo bem de sumir em paz

Algum dia...

Quando ele percebeu
Havia deixado de sentir
Não via mais ninguém
Não ouvia mais ninguém
Não havia mais ninguém

Não dentro dele

Apenas uma loucura...

Lucas Rangel Lima


16 de out. de 2014

Meu Sorriso

Finalmente,
Depois de tanto tempo
Eu deito meu corpo cansado
Com um sorriso no rosto

O dia fora duro como sempre
No entanto, tudo estava diferente
Meu coração continuava ferido
Ainda assim,
Agora ele pulsava alto

É assustador quão fácil foi tudo
Quão súbito, quão bom
Quão certo você me parece
É assustador quão tolo eu me sinto
Quão bobo, quão feliz
Quão estranho você me deixa

Chega a doer pensar
Em quão distante...

Quando eu falo contigo
É como se todas as inseguranças
Pudessem ficar para depois
Como se quando conversamos
Tudo o que não sabemos
Não compartilhamos ainda
Nunca fosse me incomodar

Finalmente,
Depois de tanto tempo
Eu deito meu corpo cansado
E sonho tranquilo
Com Meu Sorriso...

Lucas Rangel Lima

1 de out. de 2014

À Minha Amadinha...

Cada dia rouba de mim mais um pouco
Debilita meu corpo, exausta meu espírito
Nubla minhas memórias, e por fim
Ameaça acabar à minha vontade

Quase penso que não vivo...

Sorrio vazio, rio sem graça
Minto sincero, agrido sem raiva
Sinto que fico, enquanto tudo passa
Penso que esqueço tudo de que lembrava

Desejo,
E me afogo em meu próprio egoísmo

Mas hoje
Fui acordado por minha amadinha
Ouvi-a narrar-me outro de seus sonhos
E consegui sobreviver a mais um dia

Graças à ela

É curioso, de certa forma...
O quanto aquela "voz" me acalma
O quanto aquele "riso" me cura
E o quanto meu egoísmo não importa

É como seu eu não soubesse mais odiar

Como se fizesse tudo
Como se fosse tudo

Graças a ela...

Lucas Rangel Lima

12 de set. de 2014

Quase um Consolo...

Ele estava no fundo do poço
Quando seus braços envolveram o corpo dela
Sua voz mal podia ser ouvida
Suas lágrimas já haviam a muito secado
Quando seu corpo abraçou aquele calor

Era como se pela primeira vez em anos
Houvesse entrado ar em seus pulmões
Como se tudo o que ele esquecera
Tudo o que ele havia perdido
Fosse resumido naquele único gesto
Naquele ínfimo momento

Ele podia sentir cada pedaço de sua alma
Cada fragmento de dor
Cada momento de abandono
Cada cicatriz
Tudo

Pulsando como no instante em que ocorrera

Mas no final das contas
Não havia consolo algum nela
Não havia cura, não havia salvação
Naquele abraço
Não havia o sentimento que ele procurava

Apesar de tudo,
Ele a abraçou com carinho
Ele a beijou no pescoço
Ele acariciou seus cabelos
E como quem se consola sozinho
Ele lambe as próprias feridas

Se perdendo num corpo amigo...

Lucas Rangel Lima

5 de set. de 2014

Perante a Barreira

Em frente à minha mão
Parece existir uma barreira
Algo que só eu vejo
Talvez algo que eu mesmo criei
Algo que eu não sei superar

Como uma criança, do outro lado do vidro
Eu imagino uma vida diferente
Alguém que eu queria ser
Vivendo a vida que eu gostaria de ter
Sem ter de lutar, sem ter de perder

Como um covarde, eu me pergunto
O que eu ainda preciso fazer
Quanto eu preciso mudar
Para que lado eu deveria andar
De forma a nunca mais parar

Mas eu sempre bato na mesma barreira
Eu sempre me faço as mesmas perguntas
Perco as mesmas lutas
E não sei nem se desisto
Somente perco

E sinto o frio do chão em meu rosto...

Lucas Rangel Lima

30 de ago. de 2014

Uma Noite sem Seu Aroma

E mais uma noite sem significado
Amanhece sem que eu queira acordar
Mais uma luta sem retribuição
Desgasta este corpo cansado de esperar

Antes mesmo que eu perceba
Meus olhos já se encontram abertos
E o sonhos que instantes atrás me recebia
Já fora rejeitado pelo bem da minha sanidade

"Hoje será outro dia longo",
Penso, me contradizendo num sorriso.
Como, saio e caminho sozinho
Me forço a apreciar para não ter que fugir

Afogo meu medo
Afogo meu nojo
Deixo imersos meus pensamentos
De forma a mais nada emergir deles

Só me permito enlouquecer
Quando sinto seu aroma
Só consigo me contradizer,
Ser seja lá quem sou
Rir de verdade
Doer de verdade
Em sua companhia

Quando você não está
É apenas mais uma noite sem significado
Que amanhece sem que eu consiga ter dormido
Mais uma luta sem retribuição
Que desgasta este corpo,
Que só sabe esperar

Lucas Rangel Lima

6 de ago. de 2014

Ai no Kaori

Ano shounen ni totte
Kodoku wa subete deshita
Mainichi, hitori bocchi jyanakutemo
Aitsu wa kodoku deshita

Ii tomodachi ga atta kedo
Toki doki ni shika, marude inakatta
Ureshii toki sae mo tsurakatta
Hito ni miseru egao mo, kamen deshita

Ano shounen wa ima made mo
Otona ni natta kara demo
Kodomo no mama datta
Kodoku no mama datta

Kodoku ni nareta aitsu wa
Jibun no tamashi wo mi ushinatta
Aisuru hito ni tsutaeru omoi mo
Zenzen wakaranakunatteshimatta

Kotoba ni mayotte
Kizu wo kazoe kirenai hodo uketa
Mou, shinitakunatta
Wasuretakunatta, zenbu

Demo
Ai no Kaori no sei de
Sore wo dekinakatta
Nanimo dekinakatta
Tada tachidomatta
Ha wo kuishibatta
Gaman shita

Akirametakunakatta...

27 de jul. de 2014

A Escultura

Depois de anos esculpindo
De eras se dedicando
O artista fita sua "obra-prima"
E experimentou o desespero

Ele havia dedicado cada dia de sua vida
Cada gota de seu suor
Cada lágrima de seus olhos
Cada sentimento em seu peito
E o que ele havia alcançado?

Uma rocha lascada
Trincada, destruída
Judiada nas mãos de um tolo sem talento
Em nome de amores que ele no final abandonara

Seu martelo e seu formão
Caíram ambos simultaneamente ao chão
Escorregando pelos mesmos dedos que outrora os apertavam firme
Desgastados, inutilizados
Fadados a serem esquecidos

Ele não sabia o que fazer
Não sabia sequer quais escolhas lhe restaram
Não sabia se deveria seguir mais seus sentimentos
Mas no final... Ele decidiu uma coisa.

Ele precisava quebrá-la.

Lucas Rangel Lima

6 de jul. de 2014

It´s Taste...

As if it were a bitter fruit
Or maybe a cold beer
I take another bite
Another dip of loneliness

Letting the taste spread in my mouth
Like a poison, numbing my senses
I enjoy the emptyness of it all
While watching you from a distance

It´s so strange you know?

You say your life is a sad one
But you don´t look like someone who has suffered
You say your sould is wreched
But you just look like someone realy pitiful 

And yet, I belived you

But as I keep savouring loneliness
Time passes, and so do my strenght
Even the doubts doesn´t seem to matter
Everything vanishes trough this taste

It´s not like I abandoned you

You never sough me to begin with
It was always me who used to keep us together
You never tried to get close to me at all
It was always about you, about your troubles

And yed, I was there for you

At some point, it´s become like air
I breath it and it fills my lungs
Spreads trough my body, trough my blood
Becomes one with me

Fullfiling me with emptyness

It´s not like I forgot you

You will be forever in my memories
As my dear, as my child, as my smile
You will be forever like a thorn
As my nemesis, as my enemy, as my nightmare

And yet, I loved you.
I love you.

And I always will

Lucas Rangel Lima

28 de jun. de 2014

Um Fraco

Havia um homem
Em cujas palavas ninguém ousava confiar
Cuja fidelidade era constantemente duvidada
Que apesar de nunca ter mentido
Era sabido que também não lutava para ser verdadeiro

Seu coração era incerto
Suas promessas impulsivas
Suas emoções eram caóticas
E até mesmo seus mais íntimos desejos
Não sabiam ser constantes

Sua alma vivia em um limbo
E além de afastar a todos
Ele se via cada vez mais vazio
Cada dia mais pesado
Perdendo de vista e esquecendo o que era a luz

Um hipócrita solitário
Incapaz de oferecer o que ais deseja
Um covarde em negação
Que só sabe culpar e e pedir desculpas
Ferir e fugir quando ferido...

Ninguém estaria errado
Por nele não confiar
Pois mesmo "querendo" mudar
Mesmo fazendo essa "escolha"
Ele mesmo admitia

Era um fraco

Lucas Rangel Lima