23 de set. de 2010

A mente a deriva

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Ultimamente estou ficando meio desmotivado com a falta de comentários. Sério. Comentem. Nem que seja pra falar mal. Eu gosto de ver um post com muitos comentários.

Mas deixando de lado o momento emo, vamos à crônica da vez.

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Confusão, indignação, surpresa, encanto e medo. Um misto dessas emoções é o que domina a minha mente neste momento. Não tenho certeza do que aconteceu, do porque de ter acontecido nem como aconteceu, mas lá estava eu, no meio do desconhecido.

A minha memória acabava no momento em que eu saltei para o mar na tentativa de salvar uma criança. Nem me lembro se era uma menina ou um menino. Tenho a impressão de que a praia estava movimentada de mais e que por isso não notei a criança sendo levada pelo mar. Algo assim. Agora não importava.

Não importava?

Não! A criança! onde ela está? Quanto tempo passou? Onde está o mar? A praia? As pessoas?

Onde eu estou?

Tentei prestar mais atenção aos arredores. Eu Me econtrava em pé no meio de uma planície de grama cinzenta e árvores escuras. Nuvens de um azul escuro pairavam no ar e não era possível ver o céu. Devia ser noite.

Noite?

A quanto tempo não via a escuridão da noite? E o raiar do sol? O que eu ficara fazendo este tempo todo?

Lentamente, tomei ciência de alguns outros fatos. Fazia muito tempo des do momento em que eu mergulhei para salvar a criança. Meu corpo parecia mais pesado que o normal. Eu me sentia cansado, mas não conseguia dormir. Minha fome e minha sede eram tão grandes que eu poderia enlouquecer.

Ou já tinha enlouquecido? O que eu estava pensando mesmo?

Não me lembro. A última coisa que eu me lembro era do mar. Eu adorava o mar. Mas onde estava o mar?

Longe? não. Eu havia mergulhado, mas não me lembro de sair. Será que estou no fundo do oceano? então como posso estar vivo?

Também não. Não se pode ver nuvens no fundo do oceano, muito menos árvores. Mesmo assim, é possível que eu esteja morto.

Então isso é o inferno? Ou talves não haja inferno. Talvez eu esteja destinado a caminhar por esta planície para o resto da minha vida. Opa, se eu estiver morto, eu não preciso me preocupar com isso.

Estou ficando confuso. Será que enlouqueci? Provavelmente. Mas ainda estou são, eu acho. Afinal, o que diabos aconteceu? Por que estou aqui sozinho?

Sozinho!? Meu Deus! Eu não quero ficar sozinho! Alguém, por favor apareça! Por favor! Eu faço qualquer coisa! Me ajudem por favor! Por favor!...






Alguém me chama. Eu conheço essa vóz. Ela é doce. É como se fosse uma canção que está sendo cantada em meus ouvidos desde que eu nasci. Mas não consigo abrir os olhos. Não consigo me lembrar. Eu estava pedindo por algo. Eu precisava de algo. Mas não preciso mais. Tenho a vóz. Vou ouvi-lá. Mas e se ela se for? Preciso segui-lá! Preciso acordar! Preciso abrir os olhos! Preciso me lembrar! Não importa do que, eu preciso me lembrar! Antes que eu me esqueça e volte para lá denovo! EU PRECISO ME LEMBRAR! ALGUÉM ME AJUDE! POR FAVOR!

Lucas Rangel Lima

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"A morte não nos leva ao desconhecido, apenas nós e nossa própria ignorância. Se não sabemos, é porque fomos assim abençoados. Se sabemos, é porque fomos assim abençoados também. Ou melhor, isso depende apenas de nós"

15 de set. de 2010

Nova Poesia.

Essa é uma poesia que eu tenho no meu PC faz um tempo. Escrevi ela inspirado na música "Utsusemi no Kage".

Título: Arrependimentos de alguém.

Ainda me lembro daquele sorriso sincero
De alguém que sempre esteve à me consolar
Ainda me lembro daquela promessa quebrada
Que fiz a álguém de quem dói me lembrar

Os dias de verão eram quentes e aconchegantes
O sol brilhava para mim como teus olhos para os meus
Os dias de inverno eram frios mas reconfortantes
O amor sorria para nós quando meus lábios tocavam os seus

Hoje me escondo na escuridão de meu quarto
Trancado na solidão de meus pensamentos
Tentando escapar da tristeza, deitado
Refletindo de novo sobre meus arrependimentos

O que fiz a mim, por pura e tola inocência?
Me privei de seu calor com infantilidade
O que fiz a ti, por puro e fútil egoísmo?
Te roubei seu sorriso e sua felicidade...

Se o amor deixa cicatrizes que nunca vão se calar
Eu fiz você as ouvir, e nunca parar de chorar
Se a solidão causa feridas, que nunca vão se fechar
Eu por você as abri, para nunca parar de sangrar

Ignorei as palavras que eram ditas pelo meu coração
E confundi tolamente meu egoísmo com paixão
Ignorei as súplicas que eram expressadas pelos seus olhos
E afoguei meus sentimentos em suas lágrimas

Achei que estava agindo da forma correta
Enquanto você carregava apenas tristeza em seu peito
Achei que estava te poupando de uma grande ferida aberta
Enquanto você chorava, deitada de noite em seu leito

Deveria procurar por você?
Por seus dedos,
Seus labios,
Seus beijos e seus abraços...

Deveria procurar por um vestígio seu?
Por seus sentimentos
Quebrados,
Um amor que eu fiz em pedaços?

Esta insáciavel tristeza semeada neste tolo homem
Esta insuportável fraqueza que o consome

Agora eu percebo,

Ainda desejo aquele sorriso sincero
de alguém que me ama à me consolar
Não vou desistir daquela promessa quebrada
Que fiz a alguém de quem me reconforta lembrar.

Lucas Rangel Lima

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"Perseguindo o significado da vida, eu incessantemente gritei para os céus, mas para a minha tristeza, pude apenas ouvir o eco de minha própria voz."

10 de set. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 1: Prólogo

Há muito tempo, em um país desconhecido, um jovem rei decidiu expandir o território do seu reino para além das montanhas, na grande floresta onde o deus dos lobos vivia. Não seria fácil lidar com os lobos da floresta, pois o deus dos lobos tinha poderes além da compreensão humana. Foi então que o rei teve uma idéia.

Em um dia chuvoso, o rei mandou seu melhor mensageiro percorrer todo o reino a procura dos mais fortes e corajosos guerreiros e organizou um grande campeonato. O vencedor seria abençoado com a "Espada do Reino" e se tornaria o Primeiro Cavaleiro do rei.

Em pouco tempo, a notícia se espalhou e centenas de guerreiros das províncias mais distantes vieram participar do campeonato. Alguns vieram em busca de riquezas e de poder, outros vieram em busca de reconhecimento, mas apenas um conseguiu permanecer invícto. Guerreiros e lutadores de todos os tipos se confrontaram em batalhas que assombraram e encantaram os pensamentos dos espectadores por décadas. Mas mesmo entre tantos colossos, um jovem guerreiro poderoso e talentoso se destacou por sua habilidade e força, derrotando um a um seus oponentes e assim, ganhando o Grande Campeonato.

Ninguém esperava que aquele jovem de origem desconhecida e aparência simples iria chegar tão longe, muito menos vencer o Campeonato. Mas a surpresa foi maior ainda quando sua primeira missão foi anúnciada.

"O rei deseja tomar posse das grandes riquezas ocultas nas florestas além das montanhas, mas esta é protegida por uma fera odiosa com a aparência de um enorme lobo. Nenhum guerreiro jamais retornou do território desta fera, e ela é a única coisa que nos impede de tomar posse da floresta. Nenhum exército pode derrotá-la, nenhuma magia pode subjulgá-la. Cabe ao Primeiro Cavaleiro do rei enfrentar a fera e trazer ao rei suas presas, como prova de sua lealdade."

Com tais palavras ditas, o jovem guerreiro partiu em sua jornada em nome do rei, em busca do reconhecimento e da glória que tanto desejava.

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"Se viver é lutar, morrer significaria paz? Bem, talvez uma coisa não tenha nada a ver com a outra."

1 de set. de 2010

Crônicas de um espírito - Capítulo 3

Todos nós morremos um dia. Está é uma certeza que podemos ter a partir do momento em que nascemos. A morte do corpo virá para todos. As vezes ela rápida e fulminante, as vezes ela se demora mais do que deveria. Mas não tenha dúvida, o universo é imparcial e justo. É o nosso trabalho esperar e ajudar as almas de nossos irmãos menores quando for necessário.

Daniel estava deitado em sua cama no hospital. Há muitos meses não saia daquele quarto, pois era necessário acompanhamento médico constante no seu caso. Ele já estava se sentindo mal há algum tempo antes de ser levado para o hospital, mas não havia levado os sintomas a sério. Apenas quando teve um ataque cardíaco na academia Daniel foi socorrido e descobriu suas doenças.

Em seu diagnóstico, constavam cirrose medicamentosa e complicações cardíacas resultantes do uso prolongado de anabolizantes. Se ele tivesse demorado mais algumas semanas para ser atendido suas chances de sobrevivência seriam mínimas.

"Graças a Deus..." Pensava Daniel.

Os médicos haviam marcado uma cirurgia de transplante de fígado para Daniel para hoje. Em alguns minutos ele estaria na sala de cirurgias sendo operado. Depois de ser operado e receber alta do hospital, ele planejava voltar para a casa dos pais e viver com eles até arranjar um emprego. O susto o havia convencido a desistir de usar anabolizantes e qualquer medicamento prejudicial a saúde.

Mas o médico havia avisado-o. Graças ao dano no coração, a cirurgia poderia ser perigosa, e ele poderia morrer. Mesmo assim, ele concordou.

"Toda cirurgia é perigosa, e eu posso morrer a qualquer momento mesmo!" Pensava ele.

Depois de alguns minutos, a enfermeira veio buscá-lo no quarto.

"Senhor Daniel? Vou levá-lo até a sala de cirurgias." Disse ela.

"Obrigado." Respondeu Daniel.

Eu os segui pelos corredores do hospital. Pelo caminho, vi vários outros pacientes acompanhados por espíritos como eu. Alguns ficariam ali por dias, talvez meses, até o momento em que finalmente desencarnariam, alguns seriam levados hoje mesmo, e talvez tenha algum que viva por anos agarrado a sua vida, carregando sua efermidade em desespero. Mas isso era escolha deles.

Daniel foi anestesiado e colocado na mesa cirurgica e a operação começou. As horas se arrastavam lentamente enquanto eu esperava o coração dele enfraquecer. A cada minuto os médicos pareciam mais confiantes e hesitantes ao mesmo tempo. A cirurgia estava indo bem e parecia que tudo iria dar certo.

"Eu não vou perder você!" Pensava a cirurgiã.

"Não, você não vai" Disse eu. "A morte é apenas uma travessia, não existe perda real. Não se preocupa, não será culpa sua".

Eu me aproximei do corpo deitado de Daniel e coloquei minha mão em seu peito. Meus dedos atravessaram seu tórax e chegaram ao seu coração. Imediatamente, Daniel sofreu um ataque cardiaco e morreu.

"Agora está tudo bem..." Disse eu para Daniel.

Mas antes de eu conseguir levar Daniel comigo, a cirurgiã interviu.

"O DESFRIBILADOR! RÁPIDO!" Gritava ela.

Os enfermeiros trouxeram o aparelho e ela rapidamente tentou reanimar o paciente.

"Não adianta. Ele precisa ir" Disse eu.

"NÃO COMIGO! NÃO NA MINHA MESA" Gritava ela.

"Não faz diferença. Não é responsabilidade sua" Insisti.

"EU NÃO QUERO SABER! VOCÊ NÃO VAI MORRER ASSIM!" Continuou ela.

Lentamente, eu retirei minha mão do peito de Daniel. Seus batimentos cardiacos voltaram lentamente ao normal.

"Muito bem então. Eu volto outro dia" Disse eu, por fim.

Lucas Rangel Lima

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"Se nós insistirmos, podemos quebrar qualquer pedra que esteja em nosso caminho. Mesmo que isto resulte em uma montanha caindo sobre nossas cabeças"

25 de ago. de 2010

Primeira poesia do Blog

Vou postar uma poesia aqui pela primeira vez, mas ela ainda está sujeita a alterações. Algumas críticas ajudam.

Título: Solidão aconchegante

Não tenho medo do escuro
Nem da escuridão em si
Mas ainda sim eu lhe peço,
Deixe as luzes acesas

Faz algum tempo que percebi
Que sou vítima de uma alegria infeliz
Meus sentimentos esperam em frenesi
Por algo que os faça tremerem de verdade

Meu peito começa a arder
Minha garganta vai se apertando
Ao ver um casal aparecer
E pouco a pouco, ir se apaixonando

Mas mesmo ansiando por amor,
Nenhuma estrela brilha para mim
E a lua que ilumina minhas noites
Não está do meu lado no fim

Lentamente, o brilho do amor aumenta
E cada vez mais essa claridade me tenta
Lentamente, o buraco da dor me engole
E eu deixo que essa escuridão me enrole

Deitado a noite em meu leito,
Sonhando com o dia que chegará
Eu deixo as horas me passarem
Me guiando para um novo sonhar

Mas logo, meu anseio fomeia a inveja

Meu peito começa a doer
Minha garganta vai se calando
Ao ver um casal se aquecer
Com seus lábios se aproximando

E mesmo anseando por amor,
O céu se recusa a brilhar para mim
E a lua que iluminava minhas noites
Não está acompanhada no fim

Se pelo menos ela for feliz,
Não me importo de apenas assistir
Se pelo menos alguém a acompanhar
Não me importo com não ter ninguém a me amar.

Não tenho medo de ficar sozinho
Nem da solidão em si
Mas se você puder, eu lhe peço
Fique ao meu lado esta noite...

Lucas Rangel Lima

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"Amar é querer a felicidade do próximo. Qualquer amor que fugir desta realidade está doente"

21 de ago. de 2010

O dia em que nada mudou

Eu sempre pensei que havia algo faltando em minha vida. Com o passar dos anos, eu acabei perdendo de vista essa sensação em meio ao trabalho e ao corre-corre do dia-a-dia. Mas até hoje, quando me pego sozinho em minha casa pensando no que passou, ela vem a tona e eu começo a pensar em coisas como "era realmente isso que eu queria estar fazendo?" ou "Existe algum propósito nessa minha vida rotineira e sem razão?".

Meu dia começou como sempre. Eu acordei lá pelas 6:30, tomei um banho, comi um café da manhã apressado e fui trabalhar. Da minha casa até o escritório dá cerca de trinta minutos de carro. É meio cansativo fazer esse trajeto todos os dias, mas depois de alguns meses você acaba acostumando.

Pensando bem, tudo na minha vida virou costume. Quando criança, eu aspirava por uma aventura como as dos heróis da televisão. Quando jovem, eu passava a maior parte do tempo estudando, e acabei ficando excluido e não fazendo muitas amizades. E agora, minha vida é como um relógio. Todos os dias fazendo a mesma coisa, na mesma hora. Mas eu ainda tenho tempo para desejar o que eu desejava no passado...

Chego no trabalho 7:40 em ponto. Cumprimento meus colegas e sento em minha mesa. Sou contador. Passo o dia inteiro trabalhando, mas isso é tão automático que nem chego a lembrar os nomes dos clientes. Quando chega 12:00, eu saio para almoçar em um restaurante qualquer e volto antes das 14:00. Só saio denovo para ir pra casa as 17:30.

E mais um dia acaba, do mesmo jeito que o anterior, e assim em diante. Eu tinha a impressão de estar cansado, mas também já estava acostumado. chego em casa 18:00, ligo a televisão e assisto sejá lá o que estiver passando. Dificilmente presto atenção, só não tenho outra coisa para fazer. Depois de algumas horas, ou eu vou pra cama, ou eu ligo o computador e checo meus emails. Foi o que eu fiz hoje. Haviam cinco emails na minha caixa de entrada. Quatro deles eram apenas correntes religiosas, que você lê, acha a mensagem bonita e se esquece completamente da mesma no dia seguinte. O quinto dizia o seguinte:

"Clique aqui para mudar sua vida."

Eu li a mensagem e pensei:

"Provavelmente é vírus."

Em seguida, deletei a mensagem. No dia seguinte, voltei a minha rotina, sem me lembrar do ocorrido. Sem imaginar o que teria acontecido se eu tivesse aceitado.

Lucas Rangel Lima

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"Se algo te deixa insatisfeito e você deixa por isso mesmo, não reclame. Se você tenta mudar aquilo que julga errado, boa sorte, eu faço isso também."

5 de ago. de 2010

Crônicas de um Espírito - Capítulo 2

Todos nós morremos um dia. Está é uma certeza que podemos ter a partir do momento em que nascemos. A morte do corpo virá para todos. As vezes ela envenena nossos corpos lentamente, as vezes ela nos abraça subitamente e nos afoga em desespero. Mas não tenha dúvida, o universo é imparcial e justo. É o nosso trabalho garantir que aqueles que se perderam no caminho da vida recebam ajuda ao fazer a travessia.

Rogério chegou tarde em casa. Havia passado o dia inteiro trabalhando e estava exausto. Ele morava sozinho em uma casa pequena no centro da cidade. Sua namorada vinha visitar de vez em quando, mas ultimamente ela vem reclamando demais do cheiro de cigarro impregnado na casa.

Em cima da mesa da cozinha havia uma caixa de cigarros. As palavras saiam roucas de sua garganta e seus pulmões fracos já não conseguiam puxar o ar direito, mas isso não impediu Rogério de pegar mais um cigarro e acendê-lo, sentando-se à mesa da cozinha.

"Sua namorada estará aqui amanhã de manhã" Eu disse a ele.

Minhas palavras não surtiram efeito algum. Meus pensamentos não podiam alcançá-lo. Ele só conseguia ouvir a ele mesmo.

"Tomara que aquela mulher não me ligue de novo hoje... já estou cansado de ouvir ela falando o que eu tenho que fazer o tempo todo" Pensava ele.

O vício já havia consumido sua mente. Seu egoísmo o havia cegado, e ele já não dava ouvidos a mais ninguém. Nem a ele mesmo.

Rogério fumava desde que tinha treze anos. Seus pais morreram cedo, e ele foi obrigado a cuidar de seus irmãos mais novos sozinho quando tinha 19. Mesma época em que seu vício começou a assumir o controle.

"Ela está ao seu lado a tanto tempo Rogério. Esta não é a coisa certa a fazer. você vai abandoná-la"
Disse eu.

Desta vez, ele reagiu.

"Quem ela pensa que é? Eu não sou mais uma criança, não preciso aceitar ordens de ninguém. Vivo minha vida do jeito que preferir"
Continuou ele.

"35 anos. Certamente você não é mais uma criança. Tem certeza da sua escolha?"
Disse eu.

Rogério começou a tossir. Conforme eu me aproximava a tosse ia se tornando mais violenta. Um pouco cambaleante, ele se levantou e procurou tomar um copo d'água. O copo tremia em suas mãos. Ao engolir a água, sua tosse diminuiu. Mas ele ainda não apagara o cigarro.

"Então estamos indo"

O telefone tocou. Era a namorada de Rogério.

"Parece que ela realmente se importa com você. Por favor, aproveite a chance que ela lhe deu"

Rogério antendeu o telefone.

"Alô?"

Sua vóz estava rouca e quase irreconhecível.

"Oi amor, sou eu... O médico ligou, ele disse que era terminal..." Disse ela

"Foi pra isso que você me ligou?" Respondeu ele, secamente.

"Eu só estou preocupada..." Continuou ela.

"Eu não preciso que sinta pena de mim"

Rogério desligou o telefone.

"Você fez a sua escolha" Disse eu.

Rogério sentou-se, acendeu outro cigarro e voltou a fumar.

"Vamos indo"

Eu estendi minhas mãos para o seu pescoço. Seus pulmões enfraquecidos pelo câncer não conseguiram aguentar e pararam de funcionar. Depois de agonizar por alguns segundos, ele deixou seu último cigarro cair ao chão.

Lucas Rangel Lima

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"As vezes nos irritamos com Deus ao ver nosso caminho bloqueado. Mesmo assim, Deus sempre bloqueia os caminhos que levam a perdição"

31 de jul. de 2010

Crônicas de um Espírito - Capítulo 1

Todos nós morremos um dia. Está é uma certeza que podemos ter a partir do momento em que nascemos. A morte do corpo virá para todos. As vezes ela pode ser cruel, as vezes ela pode ser perversa, mas tudo há uma razão de ser. E não tenha dúvida, o universo é imparcial e justo. É o nosso trabalho garantir que aqueles que precisam de socorro quando suas horas chegam tenham suas preces atendidas.

A criança olhava para a vitrine da loja de brinquedos fascinada. Seus pequenos olhos negros brilhavam de excitação ao admirar aquela variedade de bonecos e carrinhos. Aquele era o seu consolo durante as noites frias daquele inverno.

Todos os dias ela retornava a aquela loja, simplesmente para observar os brinquedos. Ela não tinha casa ou familia, apenas a loja para lhe acalentar a tristeza. Apenas estar ali já a deixava em paz. Mas naquela noite, eu a acompanhava.

Era uma noite especialmente fria. Como sempre, a criança se posicionara na frente da vitrine, a olhar os brinquedos. Mas algo havia mudado. A alegria e o consolo de sempre haviam sumido. Muitas pessoas conversavam aflitas dentro da loja, a vitrine estava quebrada e os brinquedos estavam espalhados. O segurança, Ao avistá-la na frente da loja, se dispôs a expulsá-la.

A loja havia sido roubada naquela tarde, e o segurança estava irritado. Ele corria o risco de perder o emprego, e ao olhar para a criança, ele resolveu descontar toda a sua raiva. "Ninguém iria intervir por uma criança que mora na rua", pensou ele.

"Suma daqui! Vá embora ou eu chamo a polícia!" Gritou o segurança.

A criança se assustou e tropeçou, caindo no chão. O segurança se aproximou com o intuito de violentá-la.

"Afaste-se dela" Disse eu.

Ele parou. A criança havia machucado o braço ao cair, mas conseguiu se levantar, ainda que muito assustada.

"Suma e não apareça nunca mais! Eu não quero te ver por aqui mais uma vez" Disse o segurança.

A criança começou a correr em desespero. Ela não havia feito nada. Cheia de medo e insegurança, ela correu até que as suas pernas não pudessem mais aguentar. Dominada pelo frio e pelo cansaço, ela desmaiou no chão gelado, para nunca mais levantar.

Lucas Rangel Lima

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"Se você se arrepende do passado, não pense no que poderia ter sido. Pense no que você vai ter que fazer para mudar o que está por vir"

30 de jul. de 2010

Crônicas de um Espírito - Capítulo 0

Todos nós morremos um dia. Está é uma certeza que podemos ter a partir do momento em que nascemos. A morte do corpo virá para todos. As vezes é rápida, as vezes é dolorosa. As vezes ela se arrasta por longos anos e as vezes ela te agarra antes mesmo de você alcançar a juventude. Ela é imparcial e justa. E é o nosso trabalho cuidar daqueles que precisam de ajuda quando suas horas chegam.

Sérgio estava no seu carro, viajando de Santos para São Paulo. A estrada estava pouco movimentada, e ele dirigia sem grande preocupação. Havia saido de casa de manhã cedo para evitar o trânsito e economizar tempo, queria voltar para casa o quanto antes, pois o aniversário do seu filho seria no dia seguinte.

Distraido com a música que tocava em seu rádio, Sérgio cantarolava pela estrada comigo ao seu lado. Meu erro, da banda Paralamas do sucesso.

"Você sempre gostou dessa banda..." Disse a ele. "Des de que a escutou pela primeira vez, suas musicas nunca deixaram de te animar."

Ele não me respondeu. Ou melhor, ele não me escutou. A música não estava alta, mas a minha vóz nunca alcançaria seus tímpanos.

"Sabe Sérgio, o presente que você comprou para o seu filho foi muito bacana. Ele com certeza vai adorar."

Sérgio sorriu. minhas palavras não podiam ancançá-lo, mas ele podia senti-las. Ele começou a fantasiar sobre o dia seguinte, imaginar o seu filho abrindo os presentes, sorridente, alegre, brincando com os amigos, comendo doces e bolos.

"Ele é um bom garoto, realmente. Você o criou bem..." Disse eu. "E ele te ama muito sabe... eu sei que ele não fala isso com muita frequência, mas é normal para a idade dele".

Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto de Sérgio. Uma sensação ruim percorria seu corpo. uma tristeza repentina havia se instalado em seu coração.

"Me desculpe... Não consigo não me sentir mal pelo garoto. Ele vai passar por uma fase horrível por uns tempos." Disse a ele.

Minhas emoções continuaram a afetá-lo. O CD do paralamas estava quase no final de sua última música.

"Mas sabe Sérgio... As coisas acontecem por uma razão. Você não pode mais ficar neste mundo, não há mais nada para você aqui."

Sérgio estendeu a mão e removeu o CD do rádio para pegar outro.

"Seu tempo acabou Sérgio."

Eu esbarrei na mão dele enquanto ele trocava o CD, derrubando-o no chão. Ainda afetado por mim, ele enxugou as lágrimas e se abaixou para pegar o CD, colidindo com a traseira de um caminhão.

Lucas Rangel Lima

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"Não é preciso viver a cada dia como se fosse o último. Só saiba que, ao deixar o dia passar, você perdeu uma chance de estar com aqueles que você ama, e que esta chance não irá mais voltar."

28 de jul. de 2010

Hajimemashou?

Futatsu no shin sekai, "O segundo mundo dos Deuses"

Este espaço vai servir para discutir ideias, filosofias, poesias e etc... Falaremos sobre tudo, sem um tema específico.
Como sou muito asoberbado, não irei postar frequentemente e em todos os posts, colocarei uma frase de MSN bacana.

Frase de MSN da vez:

"Quando o homem criou Deus, ele não pensava no Criador, ele pensava em outro homem"