7 de jan. de 2011

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 3: A Cidade e a Biblioteca

Hoje foi o meu segundo dia cuidando desta fazenda e já me encontro completamente exausto. Não consigo imaginar como meu velho amigo conseguia dar conta de tantos detalhes diariamente.

Passei a noite inteira de ontem arrumando a casa até que ela ficasse num estado decente, e por causa disso acabei indo dormir muito tarde. Ainda assim tentei acordar cedo, e de manhã comecei a explorar os móveis da casa. Entre os eletrodomésticos restantes, apenas uma televisão antiga e a geladeira funcionam, o que significa que vou ter problemas para cozinhar sozinho. Fora isso, apenas uma mesa, um baú e o armário restaram.

Assim que terminei de ajeitar tudo, o prefeito retornou com um mapa da cidade e alguns documentos para que eu assinasse. Depois de resolver toda a burocracia, ele me levou para ver a cidade.

Primeiro, visitamos a igreja, que fica ao lado do cemitério. Eu particularmente não sou um homem religioso, mas como um estudioso achei interessante ver um lugar com tanta história e tão belo. O padre também era uma pessoa muito gentil e me convidou para visitar a igreja novamente assim que tivesse tempo.

Em seguida, fomos até um bar que ficava um pouco depois da igreja. Era muito cedo, por isso o lugar se encontrava completamente vazio. O dono do bar estava arrumando as mesas, e nos cumprimentou de forma muito educada quando entramos. Levamos um pouco mais de tempo por lá, pois ele nos ofereceu algumas bebidas, mas depois de uma boa conversa nós acabamos nos despedindo e eu fui novamente convidado para visitar o lugar mais vezes.

O terceiro lugar que visitamos foi a praça da cidade. Quando chegamos, haviam apenas algumas mulheres conversando. O prefeito me apresentou para elas e depois de alguns minutos conversando, elas logo perderam o interesse e voltaram a falar entre si. Acabando completamente ignorados, resolvemos partir sem mais delongas.

Saímos pela estrada a norte do parque, que nos levou direto a clínica da cidade. Lá dentro haviam apenas duas pessoas, um médico cujo nome eu já me esqueci e a senhorita Elen, enfermeira. O primeiro me pareceu uma pessoa muito antipática, completamente o contrário da senhorita. Seu sorriso inocente e sincero me conquistou instantaneamente.

Eu preferiria ter passado mais tempo por lá, mas o médico antipático disse que estávamos atrapalhando e nos expulsou. Ao saírmos, a senhorita Elen ainda brincou dizendo "Espero não vê-los tão cedo!".

Por fim, o prefeito me levou ao mercado. O vendedor pareceu extremamente frustrado quando dissemos que não iríamos comprar nada, mas fora isso ele me pareceu uma boa pessoa. Não nos demoramos por lá.

Terminando o tour, eu resolvi perguntar ao prefeito se havia algum biblioteca ou livraria por perto. Surpreso pelo meu interesse aparentemente incomum, ele me apontou o caminho para a biblioteca da cidade e me deixou partir sozinho para que me acostumasse a andar por ela. Não demorou muito até que eu encontrasse o que procurava.

Para minha satisfação, ela parecia ser bastante grande. No prédio ao lado, parecia haver uma escola fechada, mas eu não dei muita atenção e logo entrei sem nem mesmo bater na porta.

No segundo seguinte, meu queixo caiu.

A quantidade de livros era simplesmente absurda! Eles cobriam todas as paredes até o teto sem falar na quantidade de estantes lotadas perfeitamente organizadas! Eu me demorei por uns cinco segundos paralisado na porta e provavelmente teria ficado paralisado por mais tempo se não fosse pela jovem que gritou assustada e atirou para cima os livros que estava carregando.

"Você está bem?" Perguntei preocupado.

Ela hesitou timidamente por um segundo e depois respondeu "Quem é você?"

Inconscientemente, eu também acabei hesitando em responder pois fique encantado com a expressão extremamente fofa que ela fez ao dizer isso, mas logo respondi sua pergunta.

Depois de ouvir a história de como cheguei ali, ela simplesmente se levantou, apanhou os livros e disse "Desculpe por assustá-lo, mas dificilmente recebo alguma visita. Muito menos de um estranho..."

E com isso dito, ela se pôs a colocar os livros em seus devidos lugares de forma muito introvertida e evitando fazer contato visual comigo. Determinado a continuar a conversa eu perguntei "Tem algum livro que você me recomendaria?".

Ela congelou por um instante, como se esta fosse a última pergunta que ela esperava ouvir de mim. Em seguida, ela foi caminhando até uma estante no canto da sala e apontou para uma pequena série de livros, mantendo seus olhos fixos no chão.

"Aqueles são interessantes..." Disse ela.

Cada vez mais encantado com a timidez e com a fofura dela, eu agradeci e peguei um dos livros.

"Não quer pegar todos de uma vez? Assim não precisará de voltar toda vez que terminar de ler um." Ofereceu ela.

Naquele momento, eu morri de vontade de responder algo como "Mas assim eu não poderei vê-la com tanta frequência", mas minha própria timidez me forçou a responder um simples "Não tem problema." e voltar para casa.

Agora vou ler um pouco antes de dormir. Quanto antes terminar, mais cedo poderei voltar e vê-la. Também não seria nada mal voltar para a clínica e rever a senhorita Elen...

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"Novos começos são recheados de novos encontros e novas possibilidades. Só precisamos saber usar nossa experiência para fazer as escolhas certas."

Muitas poesias ultimamente né?

Ando inspirado pra escrever poesias nesses últimos dias, mas eu não me esqueci das séries viu? Espero postar a continuação de pelo menos duas nesta semana.

Essa é inspirada na história de Kanon.

(a ordem nos versos é Nayuki/Makoto/Shiori/Mai/Ayu)
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Título: Recomeçando

Esta manhã eu tive a impressão
De que você estava me chamando
De que você estava me esperando
E achei que se estendesse a mão, poderia lhe tocar

Agora eu me lembro do que aconteceu no passado
Os laços que nos ligavam
As dores que me incomodavam
As pessoas que me amavam
E os erros que ainda nos amarram

Não te culpo por me chamar de mentiroso
Depois das promessas que eu esqueci
E também não a culpo por não me querer ao seu lado
Depois de ter te ignorado, e de ter abandonado o nosso passado

Mas agora eu já me lembro de tudo
E não quero que pense que não vou fazer nada
Estou aqui para me tornar sua família
Estou aqui para compensar pelo meu abandono
Estou aqui para lhe acompanhar em seu medo
Estou aqui para ajudá-la a enfrentar seus erros
E estou aqui para me tornar seu companheiro

Mesmo tendo te deixado triste no passado
Não lhe direi mais mentiras
Mesmo tendo te deixado na minha impotência
Não sairei mais do seu lado
Mesmo tendo te conhecido nesta hora maldita
Não lhe deixarei carregar este fardo só
Mesmo tendo te atrapalhado em suas lutas
Não permitirei que batalhe sozinha
Mesmo tendo te amado e te perdido no passado
Manterei você aqui do meu lado de agora em diante

Farei tudo aquilo que estiver a meu alcance
Para ver o sorriso daquela que feri
Me tornarei sua força sempre que precisar de mim
Para que tenha alguém com quem possa contar
Estarei ao seu lado como um irmão vigiando carinhoso
Para lhe proteger do que o futuro lhe reserva
Lutarei contra qualquer coisa que o destino colocar em meu caminho
Para salvar da solidão aquela que a luz abençoou
Te amarei como ninguém nunca sonhou tentar
Para que também me ame, e contigo eu possa ficar

Não vou mais deixá-la sozinha neste frio

Esta manhã eu tive a impressão
De ter escutado novamente o seu chamado
De ter sentido novamente o seu abraço
De que se eu abrisse meus olhos, você teria retornado

E quando o fiz, já não estava mais triste.

Lucas Rangel Lima

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"No passado, posso ter lhe abandonado. Mas estou aqui por você agora, e não tenho dúvidas em relação aos meus sentimentos."

31 de dez. de 2010

Primeira poesia do ano

Talvez eu ainda faça algumas mudanças. Comentem, por favor.

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Título: Caminhos

Um homem desperta em uma manhã
Disposto a mudar a direção do mundo
Enquanto o destino lhe reserva um amanhã
Onde existe tanto a glória quanto um abismo profundo

O homem então se levanta de seu leito
Munido apenas de sua alma indomável
Mal sabendo para qual destino ele foi eleito
Caminhando em frente com sua vontade incansável

Ele então reuni alguns companheiros fiéis
E traça seu caminho por entre o desconhecido
Enquanto as adversidades espreitam como cascavéis
Ele não tropeça, aparado por um ombro amigo

Mas com o passar dos dias, o homem se cansa
E seus sonhos lhe parecem inalcansáveis
Perdidos como a inocência de uma criança
Enganado por pensamentos outrora indefensáveis

Seus companheiros logo o abandonam
Pois também se encontram cansados e arrependidos
Suas glórias nunca mais se exclamam
E no abismo ele cai, entre seus antecessores derrotados

Ao pensar que tudo acabou
Ele fecha sua última janela
E volta a dormir

E então,

Um novo homem desperta em uma nova manhã
Novamente disposto a mudar a direção do mundo
Enquanto um novo destino lhe reserva um amanhã
Onde sempre existiram tanto a glória quanto um abismo profundo

Lucas Rangel Lima

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"Fim e começo são conceitos vagos, que só podem ser definidos por nós mesmos. Então vamos aproveitar este novo começo para dar continuidade aquilo que nunca acabou"

23 de dez. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 6: Derrotado

Ferido, cansado e perdido, o jovem guerreiro corria desesperado a esmo pelas florestas aos arredores do reino. As tropas do rei o perseguiam implacáveis e ele já não tinha mais forças para continuar caminhando.

Quando tudo parecia acabado e os guardas estavam para alcançá-lo, ele decidiu arriscar sua sorte e tentar usar o poder da presa para escapar. Convencido de que esta seria sua única escapatória, ele segurou a presa em sua mão direta e a apertou com toda a sua vontade. Como se escutasse o apelo de seu dono, a presa reagiu emitindo uma luz intensa que cegou os perseguidores por um momento. E no instante seguinte, ele havia sumido.

Quando o jovem guerreiro conseguiu abrir seus olhos, ele se encontrava sentado encostado a uma árvore nos arredores da vila próxima a floresta onde ele enfrentara o lobo. Suas feridas ainda doíam, mas não havia sinais de seus perseguidores por perto. Agradecido, ele guardou a presa novamente e se dirigiu a vila a procura de tratamento e abrigo.

Muitos o reconheceram e ofereceram ajuda, mesmo ele não tendo passado muito tempo interagindo com as pessoas em sua última visita. Ele logo recebeu o tratamento necessário, e, sem ter para onde voltar, decidiu permanecer na vila por uns tempos.

Começou a trabalhar como ajudante de um ferreiro, arranjou uma espada nova e com o passar do tempo, acabou se apaixonando. E assim, meses se passaram sem que os soldados do rei o procurassem ali.

O jovem guerreiro se casou, envelheceu e teve um filho, ao qual deixou seu bem mais precioso e sua memória mais dolorosa. O símbolo de sua glória e de sua derrota. Seu prêmio e sua perdição. A presa restante do lobo.

22 de dez. de 2010

Nós

Estamos todos tão cansados

De sermos privados de nossos desejos

De não sermos capazes de andarmos sozinhos

De sermos ignorados pelos nossos companheiros

Que não percebemos...


Acordamos ansiosos pelo fim do dia

E sobrevivemos nossas vidas assim

Sonhamos pesadelos de olhos abertos

E matamos nossas emoções no fim


Esperamos que os outros nos mudem

Enquanto eles esperam que os mudemos

Desejamos poder o que poucos podem

Quando só um pode o que não podemos


Culpamos a tudo por nossas tristes vidas

O mundo, os amigos e até a nós mesmos

Cegamos nossos olhos com ressentimento

E tateamos o chão na procura e no medo


Na procura de uma resposta para a tristeza

No medo de se perder em meio ao desespero


Somos os protagonistas de um drama

Onde nada gira em torno de nós

Somos personagens em uma realidade

Onde apenas nos sonhos podemos sorrir


Pois temos pena de nós mesmos


Temos pena de como somos pequenos e insignificantes

Temos pena de como somos tolos e inferiores

Temos pena de como somos tristes e de nossas dores

Pena de não conseguirmos ser tão bons quanto ruins


Estamos todos tão cansados

De sermos privados de nossos desejos

De não sermos capazes de andarmos sozinhos

De sermos ignorados pelos nossos companheiros

Que não percebemos...



Ninguém é diferente.


Lucas Rangel Lima


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"Muitos esperam serem salvos por seus heróis enquanto uns poucos esperam poder salvá-los. O restante sabe que não existe salvação."

15 de dez. de 2010

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 2: Chegada

Apenas informando aqueles que jogam/jogaram Harvest Moon Back to Nature ou Friends of Mineral Town, eu pretendo manter os seguinte lugares:

1-Poultry Farm

2-O bar/restaurante

3-O hospital

4-O ferreiro

5-Yodel Farm

6-O mercado

7-A biblioteca

8-A igreja

Planejo também estar adicionando alguns lugares como a estação de trem e a escola.

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Assim que saí da estação de trem, percebi que não me lembrava do caminho para a fazenda de meu amigo. Ainda assim, cometi o erro de subestimar esta pequena cidade e acabei vagando erroneamente por aí por cerca de duas horas, carregando um misto de arrependimento e ansiedade em meu peito.

Na terceira vez que eu passei pela pequena cachoeira próxima a entrada da cidade, encontrei-me com esta belíssima mulher se banhando. Fiquei surpreso por um momento, mas ela estranhamente não pareceu se incomodar com a minha presença. Ao invés disso, ela apenas me perguntou:

"Quem é você?"

Um pouco assustado e gaguejante (confesso ter pouca resistência a mulheres), eu lhe disse meu nome e lhe contei minha história. Como se estivesse lendo um livro extremamente interessante, ela prestava atenção em cada palavra que eu dizia. Conforme eu falava, meu nervosismo desaparecia e eu me sentia cada vez mais confortável. Por fim, mostrei a ela uma carta em que ele havia colocado um mapa indicando como chegar a sua fazenda e pedi por ajuda.

"Siga o rio e atravesse na primeira ponte."

Sem esperar por um agradecimento, ela mergulhou na água e desapareceu misteriosamente. Ainda me pergunto se não foi apenas a minha imaginação, mas enfim...

Cansado de caminhar por aí, segui as instruções que ela me deu e cheguei a uma pequena fazenda que parecia abandonada a meses. A grama chegava aos meus joelhos, o galinheiro e o celeiro estavam uma bagunça e o estábulo estava imundo. Nenhum animal restava.

A única parte da fazenda que se encontrava em perfeito estado era a casa. As janelas estavam um pouco sujas e haviam algumas teias nos móveis, mas nada que uma pequena limpeza não resolvesse.

Antes que eu pudesse continuar a analisar a fazenda, eu escutei os passos de alguém se aproximando. O nervosismo subiu a minha pele no mesmo instante. "Será que ele ainda está vivo?" Pensava eu.

Mas antes que eu pudesse alimentar mais esperanças, um homem baixo, gorducho e bem vestido irrompeu pela porta visivelmente irritado.

"Quem é você, invasor? O que faz dentro desta propriedade?"

Assim que ouvi a palavra "invasor", me dei conta de que havia entrado sem ser convidado. Pedi desculpas imediatamente e me apresentei logo em seguida, mostrando algumas das cartas que carregava comigo.

"Me desculpe você senhor Henrique. O velho Mario sempre falava sobre suas cartas." Disse ele "Mas eu não pensei que realmente viria"

Sem entender o que ele quis dizer com está última fala, eu perguntei:

"Como assim?"

Com um sorriso no rosto, ele abriu uma gaveta no criado mudo ao lado da cama e retirou um envelope. Dentro do envelope, havia uma folha de papel com a mesma caligrafia de minhas cartas.

"Este é o testamento de Mario. Aqui diz que eu deveria deixar esta fazenda com você caso você aparecesse em menos de um ano. Eu esperei todos os dias nos primeiros quatro meses, mas como você nunca veio, comecei a achar que..."

Ele se calou em meio a fala ao olhar para mim. Eu já havia pensado nesta possibilidade, mas ainda assim não pude conter minha tristeza e acabei vertendo algumas lágrimas.

"Eu compartilho de sua dor..." Disse ele, tentando me confortar "Mas antes de tudo, devo lhe perguntar uma coisa. O senhor deseja ficar com a fazenda?"

Secando meus olhos com as mangas, eu assenti com a cabeça. Em seguida, ele me pediu para assinar alguns documentos e disse que voltaria no dia seguinte para me mostrar a cidade. Eu agradeci e disse que passaria a noite ali mesmo.

"Meu nome é Paulo, sou o prefeito da cidade. Pode contar comigo para o que precisar." Disse ele ao sair.

Agora me encontro sozinho na fazenda com a qual sempre sonhei e que se encontra completamente destruída. Vou começar a limpeza dos cômodos, e assim que terminar de guardar minhas coisas no armário, vou me deitar na minha nova casa pela primeira vez.

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"O amanhã sempre esconderá um teto estranho e um leito não familiar, mas é nas dificuldades dos recomeços que encontramos a força para continuarmos caminhando."

13 de dez. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 5: A Ambição

Orgulhoso e pronto para receber sua recompensa, o jovem guerreiro foi acompanhado pelos guardas até a sala do trono, onde o rei o esperava. Ansioso, ele manteve as presas guardadas em um pequeno saquinho de pano, para evitar tocá-las e ser novamente influenciado por elas.

Depois de alguns minutos caminhando, os guardas o guiaram até uma porta imensa e elegantemente decorada. Assim que eles se aproximaram, a porta abriu sozinha e os guardas o empurraram para dentro de uma sala fechada iluminada apenas por algumas poucas velas. A luz não era suficiente para tamanho espaço, mas ao lado do trono haviam dois castiçais de ouro que iluminavam perfeitamente o rosto do rei.

Seus olhos estavam cobertos pelos seus cabelos, mas ainda era possível ver seu sorriso imenso rasgando sua face. Em sua cabeça, ele usava uma coroa com diversas pedras preciosas cravadas. Suas vestes pareciam brilhar mais do que as velas que o iluminavam. Mas acima de tudo, sua presença era surpreendentemente "Superior".

Sem hesitação, o jovem guerreiro se adiantou em direção ao rei. Atrás dele, ele pode ouvir a porta se fechando. Agora os dois estavam sozinhos numa situação semelhante a de seu sonho. Ainda confiante, o jovem se colocou mais próximo ao rei e se ajoelhou em sua frente.

"Traga-me as presas" Ordenou o rei. Sua voz emitia um ar soberano e compilia o jovem a obedecer. Como se estivesse hipnotizado, ele se levantou, caminhou até o rei e retirou uma das presas , estendendo-a a sua majestade.

Indiferente ao guerreiro que quase se sacrificou para obter aquele presente, o rei tomou a presa para si e começou a admirá-la, como se esta fosse uma joia. Em seguida, ele a colocou em sua boca.

No instante seguinte, um uivo ecoou pela sala. A presa uniu ao canino do rei, e imediatamente começou a transformá-lo. Todo o poder da fera que residia naquela presa parecia estar sendo transferido para o rei. Seus longos cabelos cresceram mais ainda, seus olhos brilhavam vermelhos como sangue, suas unhas pareciam garras caninas e seu sorriso se tornava cada vez mais perverso.

Se dando conta de suas ações, o jovem guerreiro tomou a presa restante para si e brandiu sua espada. Quando o rei fitou seu oponente, ao invés de se enfurecer ou de se preparar para o combate, ele simplesmente começou a rir. Provocado, o guerreiro investiu imprudentemente contra o rei, que, sem esforço, repeliu o ataque e roubou sua espada.

Ao contrário do lobo, o rei era um oponente inteligente. E agora ele possuía um poder avassalador. Encurralado, o jovem guerreiro fugiu pela porta, esquivou dos guardas surpresos e pulou por uma das janelas, mergulhando no rio que cercava o castelo e desaparecendo na correnteza.

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"As vezes, fugir parece ser a única opção. Mas a vida sempre vai lhe trazer problemas, então é melhor aprender a lidar com eles"

11 de dez. de 2010

A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 1: Prólogo

Comecei esta série inspirado no jogo Harvest Moon. Provavelmente vai se tornar a minha favorita, então eu espero que vocês gostem!

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Não sei direito o que me levou a fazer o que estou fazendo agora. Os últimos anos da minha vida me parecem agora tão surreais quanto a cabine do trem no qual embarquei. Estou mesmo fazendo isso? Não estou sonhando? E se eu realmente estiver fazendo isso, será que é a coisa certa a fazer?

Desculpe, eu esqueci de me apresentar. Meu nome é Henrique Monteiro, tenho 23 anos, sou solteiro e até ontem eu era um estudante de literatura de uma faculdade bacana que não possuía nenhuma característica especial. Sou apaixonado por livros e gostaria de me tornar um escritor algum dia, mas alguns acontecimentos recentes acabaram exigindo minha atenção.

Quando pequeno, eu visitei com meus pais essa pequena cidade rural nas férias e conheci um velho que morava sozinho em sua fazenda. Durante as férias, eu acabei me fascinando pela vida que ele levava, e quando meus país me levaram de volta, eu comecei a trocar cartas com este velho.

Cerca de seis meses atrás, eu recebi sua última carta. Ele dizia não estar muito bem de saúde, e temia não poder mais compartilhar suas histórias comigo. Bem, qualquer pessoa "normal" iria se sentir triste, responder a carta o mais rápido possível e se despedir de seu amigo. Foi o que eu fiz a princípio.

Mas com o passar dos dias, eu comecei a perceber a falta que aquelas cartas me faziam. Muitas vezes me peguei relendo-as, me perguntando se ele ainda estava vivo ou como estaria sua fazenda. Não demorou muito para eu começar a ter essas "ideias"...

"Eu deveria ir vê-lo..." ou "Eu preciso fazer alguma coisa por ele...". Meus pais já morreram, e eu não possuo namorada nem nada do gênero. Meus únicos amigos são meus colegas de classe, mas provavelmente já iríamos nos separar depois da formatura mesmo. Então decidi pegar este trem e voltar até aquela vila.

Mas agora eu comecei a me perguntar, qual é a razão de eu estar fazendo isto? Eu só conhecia ele por cartas, e não possuo nenhuma memória clara dele. Será que minha vida é tão tediosa assim? Ou será que tem algo mais? Não importa o quanto eu pense, o quanto eu hesite e o quanto eu tema, minha vontade de voltar cresce cada vez mais.

Logo estarei chegando. O que será que me espera daqui para frente?

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"Muitas vezes, pode ser tarde demais para desistirmos. Mas não se esqueça, nunca é tarde demais para recomeçarmos."

8 de dez. de 2010

Saudade

Ei,

Você se lembra da promessa que fizemos?
Das ondas que batiam na praia naquele dia?
Do sorrisos que as pessoas compartilhavam?
Da vida feliz que nós tínhamos?

Quanto de nós foi roubado
Desde que éramos jovens?
O que sobrou da antiga inocência
Dos dias dourados de nossa infância?

Sabe,

Eu me tornei um mentiroso.
Passo os dias vivendo sonhos triviais
Fingindo ignorar essa realidade
Que só sabe prender-me em sua saudade

Tento arcar com as escolhas que fiz
Mascarando meu cansaço com sorrisos
Continuo a andar sem poder ser feliz
Sabendo que todas as trilhas levam a precipícios

Mesmo assim

Não consigo culpar você por ter partido
Se fui eu que não pude ficar
Não consigo culpar você por ter me ferido
Se caminho sozinho, sem ninguém a me amparar

Ainda hoje espero você vir me acordar
E cada manhã arde a ferida em meu peito
Uma dor que se repete quando ao me deitar
Não vejo você ao meu lado em meu leito

Ei,

Você se lembra da promessa que não cumprimos?
Feita no dia em que nos separamos?
Da felicidade que compartilhávamos naquele momento?
Dos momentos felizes que nós abandonamos?

Tsc... o que estou dizendo...
É claro que não...

Lucas Rangel Lima

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"Aqueles que vieram, um dia irão partir. Não somos excessão. Mas todos nós um dia voltaremos, então vamos nos privar da tristeza da despedida e trocá-la pela ansiedade do reencontro"

24 de nov. de 2010

Crônicas de um Espírito - Capítulo 5

Todos nós morremos um dia. Está é uma certeza que podemos ter a partir do momento em que nascemos. A morte do corpo virá para todos. As vezes você vive a vida livre como um pássaro, e as vezes nos vemos engaiolados em nossa própria impotência. Mas não tenha dúvida, o universo é imparcial e justo. É o nosso trabalho ajudar nossos irmãos a entender seus problemas e a superar suas provações.

Marcelo andava em sua moto pela avenida da cidade. Estava voltando da casa de sua namorada depois de mais uma briga. Uma forte tempestade começou a cair, forçando Marcelo a estacionar e a procurar abrigo.

O único lugar aberto era uma quadra coberta que ficava do lado de um terreno numa rua extremamente inclinada. Como era perigoso entrar com a moto naquela descida, Marcelo estacionou a moto na esquina e desceu a rua andando. A calçada parecia muito escorregadia, mas ele caminhava lentamente sem se preocupar com se molhar.

"Você costumava vir aqui com seus amigos quando era mais jovem. Onde estão seus amigos agora?" Perguntei.

Afetado pelas minhas palavras, Marcelo se sentou na arquibancada e começou a lembrar da época em que jogava com seus colegas nos finais de semana dentro daquela quadra. Haviam sido feitas muitas reformas para evitar os antigos deslizamentos que ocorriam na rua, tornando quase impossível pular as grades para o terreno.

"É verdade, muitas vezes a bola acabava sendo chutada para o terreno e você tinham que descer para pegá-la" Disse eu.

Novamente influenciado por mim, ele relembrou das inúmeras vezes em que a bola havia caído no terreno e todos ficavam com medo de ir buscá-la. Não demorou muito para seus pensamentos se voltarem aos seus antigos amigos.


"Onde estariam eles agora?" Pensava Marcelo. Ainda na juventude, a maior parte deles começou a se envolver com drogas e pouco a pouco, eles perderam contato. Desde então, nunca fez novas amizades. Agora ele era apenas um motoqueiro cansado e molhado que acabou de brigar com a namorada por algo bobo.

"Ainda existem muitas pessoas que lhe querem bem Marcelo. Seus amigos que já vieram também não são excessão." Disse eu.

Marcelo pegou o celular e tentou ligar para a namorada. A ligação caiu na caixa postal, ele presumiu que ela tivesse desligado o celular.

Levemente sonolento, Marcelo pensava em quanto tempo demoraria para a tempestade passar quando ele viu um dos garotos jogando na quadra chutar a bola por cima da grade para o terreno.

Convencido de que poderia ajudar, ele se voluntariou a ir buscar a bola. "É muito perigoso para garotos da idade de vocês pularem uma grade desta altura, ainda mais de noite!" Disse ele.

Confiante, ele escalou a grade e habilidosamente, ele desceu no terreno íngrime e recuperou a bola. Imediatamente, ele atirou a bola de volta, mandando-a por cima da grade de volta para o campo.

"É como quando você era jovem não é?" Disse eu.

Marcelo sorriu na chuva. Motivado, ele resolveu voltar para a casa da namorada e pedir desculpas pelo ocorrido. Em seguida, ele deu a volta no terreno e voltou a quadra, onde ficou até a tempestade parar.

Assim que a chuva acabou, ele subiu novamente em sua moto e disparou de volta a casa dela.

"Você é um homem muito bom. Espero que consiga passar pelo que passou nesta vida no futuro e ainda manter este sorriso. Mas não há mais necessidade de você continuar aqui" Disse eu.

A moto de Marcelo derrapou na pista molhada, colidindo com um poste enquanto ele era atirado de cabeça contra o chão. Seu capacete ainda estava pendurado na moto.

Lucas Rangel Lima

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"Abençoado é aquele cuja vida é repleta de memórias tristes, pois é este que mais sabe apreciar um momento feliz"

16 de nov. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 4: As Presas

Cansado, ferido e vitorioso, o jovem guerreiro retornou para o seu reino carregando como prova de sua grande vitória as duas presas da fera derrotada. Ao se aproximar das muralhas da cidade onde ficava o castelo, os guardas que estavam de vigia o reconheceram e o guiaram para dentro.

Uma vez dentro da cidade, os guardas o levaram direto para o castelo, onde ele foi informado que o rei iria lhe ver apenas no dia seguinte, pois no momento ele estava ausente. Exausto da viajem cansativa e privado de boas noites de sono, o jovem passou a noite dormindo no castelo, guardando seguramente as presas em seu punho fechado.

Ao cair no sono, o jovem guerreiro se vê de volta a floresta onde dias atrás havia enfrentado a fera. Confuso e perdido, ele se vira e se depara com uma sombra de aparência humana que se aproxima dele lentamente. A cada passo que a sombra dava, a floresta atrás dela se desfazia e o céu acima dela rachava. O jovem tentou se mover, mas seu corpo estava paralisado e ele só pode observar enquanto a sombra se aproximava dele e lhe estendia a mão fechada, como se lhe entregasse algo.

Quando esta estava a apenas alguns passos de distância, o jovem escutou algo se movendo atrás dele. Involuntariamente ele se virou e se deparou com um cenário completamente diferente e uma segunda sombra, desta vez ele a reconheceu como sendo o rei. O cenário era muito semelhante aos arredores do castelo, mas o rei não se movia em sua direção. Ele apenas esperava.

Sabendo o que deveria fazer, o jovem pegou as presas da primeira sombra e foi até a sombra do rei entregá-las. Mas ao se curvar a ela estendendo sua oferenda, ele foi surpreendido por um punhal em seu peito e uma risada maquiavélica.

O jovem acordou surpreso na manhã do dia seguinte e fitou as presas na sua mão. Aquilo havia sido claramente uma mensagem para ele, um aviso. Mas apesar disso, o jovem guerreiro prepotente foi a procura do rei.

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"Não é bom viver sonhando, mas quando não podemos viver nossos sonhos, tudo o que queremos fazer é sonhar."

14 de nov. de 2010

O Rei e o Lobo - Capítulo 3: A Batalha

Uma vez dentro da floresta, o jovem guerreiro começou sua procura pela fera. Sem temer a lenda que lhe foi contada, ele prosseguiu incansável por entre as árvores na escuridão da noite, mas apenas no crepúsculo do segundo dia que ele viria a encontrar seu objetivo.

Depois de andar por horas a fio sem encontrar sinal nenhum da existência da fera, o jovem guerreiro chegou a um grande altar abandonado. A grama crescia de todos os lugares e o verde da flora cobria o chão e as paredes. Aparentemente, o tempo havia tomado toda a majestade daquele lugar, mas ainda permanecia no ar o resquício de magia. Imediatamente, o jovem guerreiro se adiantou para explorar o templo, mas ao pisar na escadaria, ele sentiu o ar estremecer.

Como se fosse chamado pelo seu altar, a fera lupina finalmente se revelou. Seu tamanho era colossal, mesmo se comparado aos maiores ursos do reino. Seus olhos brilhavam com um desejo assassino e suas presas brancas como marfim pareciam vibrar de excitação. Não parecia haver mais nada do espírito protetor sobrando naquela fera. Ela agora era apenas uma máquina assassina com poderes além da imaginação.

Mas mesmo de frente a tal criatura, o jovem guerreiro não estremeceu. Erguendo sua espada contra a fera, ele investiu num ataque feroz. Sua habilidade em batalha foi testada além dos limites enquanto a fera golpeava e rugia incansável. Cada segundo parecia durar horas, a cada segundo pareciam passar dias e cada instante em que se estendia a luta parecia ser uma vitória para o jovem e corajoso guerreiro. Confiante em suas habilidades, ele partiu para o ataque novamente. Com uma velocidade vertiginosa, ele golpeou o rosto da fera, arrancando uma de suas presas.

No instante seguinte, a fera começou a urrar em dor e fúria enquanto seu poder se esvaia de seu corpo. Pouco a pouco seu tamanho diminuia enquanto a magia estocada em seu corpo retornava para a presa arrancada. O jovem guerreiro se aproximou surpreso da presa arrancada aproveitando do desespero da fera. Seu tamanho havia diminuido e agora ela cabia na palma de sua mão. Sua cor puramente branca agora brilhava com a luz da lua.

Mas o lobo não o deixou esperar mais. Recuperado da dor e da surpresa, ele atacou o guerreiro de frente pela primeira vez, por pouco errando sua cabeça. Seu tamanho e seu poder haviam diminuido, mas ele ainda possuía sua outra presa e metade de seus poderes divinos enquanto o seu adversário brandia uma espada cansado e ferido. Mesmo debilitado e machucado, o lobo ainda tinha a vantagem.

Mesmo assim, o jovem guerreiro ainda mantinha um sorriso no rosto. As coisas não tinham mudado desde o começo da luta, mas ele não planejava morrer ali. Apertando firmemente a pequena presa em sua mão, ele investiu contra o lobo com tudo o que tinha de sua força e habilidade. Ao final desta batalha épica, a última presa do lobo foi finalmente arrancada pela espada do jovem guerreiro.

Imediatamente, o altar entrou e colapso e foi engolido pelo chão num terremoto junto ao corpo do lobo. Cansado, ferido e vitorioso, o jovem guerreiro retornou para casa. Mal sabia ele o que as suas ações iriam desencadear.

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"A justiça foi criada pelos homens, mas ainda assim eles são incapazes de julgar seus limites"