28 de mar. de 2012

Humanóide - Capítulo 2

Cada gulfada de ar se prova um esforço tanto físico quanto mental. Os pulmões cansados já não conseguem mais trabalhar, e a dor que atravessa minha garganta é simplesmente excruciante. Se eu já não estivesse louco, teria perdido minha sanidade a dias.

Independente disso, estico meus braços até o criado mudo e apanho outro comprimido. Ando precisando de tomar pelo menos dois para poder levantar da cama nos últimos tempos. Esse foi o quarto.

Finalmente meu corpo parece voltar ao normal. Irônico. Quando eu finalmente me torno capaz de odiar essa droga, meu corpo já não consegue viver sem ela. Talvez assim seja melhor... Definhar preso a essa casa, a essa vida... Sim, não consigo pensar em um final melhor.

Final? HA! Segure as rédias, eu mesmo. Ainda temos alguns passos para dar antes de cair. Falando nisso, que dia é hoje?

Estendo a mão para alcançar meu celular e olhar para o calendário. Estranho, faz uma semana desde que me dispensaram do trabalho e tudo parece ter ocorrido ontem... Será que comecei a me esquecer? Mas não é assim que a droga funciona...

Não importa. Não ligo. Se a droga estiver finalmente roubando das minhas memórias mais do que o que eu desejo, é culpa minha. Afinal, é normal para um tigre devorar zebras não? Ou são os leões? Huum... O que eu estava pensando mesmo?

Ah, deve ter sido nela. A droga sempre me faz esquecer quando penso nela. Deve ter sido isso...

Logo logo chegará o fim do mês...

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"Nada pode ser verdadeiramente esquecido. É só você que não sabe como se lembar."

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