"Enquanto vocês permanecerem incapazes de se tornarem luz, ainda haverá espaço para a minha sombra"
Diz a lenda que aproximadamente 600 anos atrás, deixando para trás apenas essas palavras, o inimigo foi banido das terras de Lumus através dos esforços de Valerius o Primeiro e dos magos de outrora.
Conhecido na época como "O Primeiro Mago", o inimigo é até hoje lembrado como o mais poderoso Mestre Arcano que já existiu. Sendo o primeiro a ser capaz de utilizar os poderes do Cristal Original, o criador do Castelo Dourado e o inventor de toda a magia conhecida até então, ele é tanto temido quanto admirado por cada cidadão e usuário de magia de todo continente.
Após sua derrota, numa esperança de fortalecer o reino e de garantir a segurança de todos, os magos da época utilizaram de um método a muito esquecido para quebrar o núcleo do Castelo Dourado, onde permanece até hoje o Cristal Original, e tentar reproduzir seu potencial mágico, focalizando em cada cristal um dos elementos mágicos conhecidos.
Entretanto, apesar de terem tido sucesso em produzir os mais poderosos cristais elementais que já existiram, cada um dos cinco cristais possuía apenas um quinto do potencial do Original, no máximo. Apesar de insatisfeitos com a conclusão, os magos então ergueram cinco cidades ao redor do reino, cada uma protegida por um dos cristais, assim criando à Lumus que existe hoje.
Em seguida, contando que a Lamina Dourada, criada a partir de um fragmento do próprio Cristal Original e fator decisivo na derrota do inimigo, bastaria para proteger a Lumus pelo resto da eternidade, os magos passaram seus conhecimentos adiante, junto com seus medos e esperanças, e morreram em paz.
No entanto, vinte anos atrás o inimaginável aconteceu.
Traindo todas as expectativas do reino, o campeão invicto entre os cavaleiros de Matreon, escolhido para suceder à posição de Valerius O Décimo Quinto, se rebelou contra os magos e permitiu que o inimigo tomasse o Castelo Dourado.
Órtus, o Cavaleiro Desgraçado. Depois de executar os mais poderosos magos de todo o reino, ele eliminou a maioria de seus companheiros cavaleiros e dos nobres ali presentes.
As cidades restantes resistiram por meses aos ataques do inimigo, mas munido com a magia do Castelo Dourado, ninguém pôde impedi-lo de dominá-las uma a uma.
Agora, a população que não vive escravizada por magia se refugia em florestas e montanhas longínquas, apenas esperando uma oportunidade de recuperarem sua liberdade.
Apenas esperando uma chance para usarem seu último trunfo...
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22 de set. de 2013
28 de ago. de 2013
Crônicas de Lumus - Capítulo 1
"NUNCA ESQUEÇAM AS PALAVRAS DO INIMIGO!" Ecoou a voz do ancião, "ELE, QUE A QUASE UM MILÊNIO, FOI DERROTADO POR NOSSOS ANCESTRAIS E EXPULSO DE NOSSAS TERRAS! RECORDEM O TOM ZOMBETEIRO COM O QUAL ELE SUBESTIMOU NOSSA PERSEVERANÇA E SORRIEM, POIS HOJE NOVAMENTE NÓS O PROVAMOS ERRADO!"
"Iluminada seja Lumus! Iluminada seja Matreon!" Exclamaram os magos, acompanhados em seguida pelos cavaleiros e pelos nobres presentes, todos ajoelhados perante o ancião e ao enorme portão que se estendia até o teto atrás dele.
"E QUE NÓS NOS TORNEMOS ESSA LUZ, POIS COMO DISSE O INIMIGO, ONDE TUDO É LUZ NÃO HÁ ESPAÇO PARA SUA SOMBRA!" Voltou a exclamar o ancião, erguendo seu cetro prateado.
Conjurando um feitiço conhecido apenas por ele, o ancião então cria luz com sua magia e a permite se espalhar indefinidamente por toda a capital, refletida em cada parede e superfície esculpida no colossal e mais poderoso cristal mágico existente, o Castelo Dourado.
"HOJE NOS REUNIMOS AQUI PARA PASSAR ADIANTE A LÂMINA DA VITÓRIA, SÍMBOLO DE NOSSA CAPITAL E PROTETORA MATREON, AO INVICTO E MAIS FORMIDÁVEL CAVALEIRO DO NOSSO PAÍS! O NOVO HERDEIRO DO HERÓI VALERIUS E DO TÍTULO DE 'VALERIUS, O DÉCIMO QUINTO'! ÓRTUS!!"
"ÓRTUS!" Ecoaram os cavaleiros, acompanhados em seguidas pelos magos e por último, pelos nobres.
Ajoelhado ao lado daquele chamado Órtus, se encontrava o Segundo Derrotado, Saldbert. Superado apenas pelo novo Invícto e pelo Décimo Quarto, Saldbert sentia agora uma mistura estranha de emoções contraditórias em seu peito. Inveja, orgulho, felicidade, arrependimento, ansiedade e por último, uma estranha pontada de medo.
"Suas habilidades serão sem dúvida as mais perfeitas que a Lâmina Dourada vai ter o prazer de testemunhar em muitos séculos meu amigo..." Murmura ele, alto o suficiente para que apenas Órtus escutasse.
"Obrigado. Vamos esperar que você esteja certo, e que eu ter sido escolhido para empunhá-la não seja um erro..." Responde Órtus, esboçando um sorriso amargo em seu rosto.
"Como poderia ser?" Indaga Saldbart, indignado, "Você não foi escolhido, mas sim conquistou o direito de empunhá-la! Tenha mais confiança em si mesmo!"
"Eis que essa é a questão meu amigo... Em mim mesmo eu sei que posso confiar."
"LEVANTE-SE, INVICTO DÉCIMO QUINTO!" Exclamou o ancião, encerrando a voz dos dois cavaleiros e de todos os presentes.
Sem hesitação alguma, Órtus responde ao chamado se levantando e se aproxima do ancião.
"Como representante de todos os magos do reino, eu lhe entrego a espada que derrotou o inimigo, a ilustre Lâmina Dourada. Que você se torne a luz que afastará todo o mal de nossas terras e garantirá não só à Matreon, mas também às Cinco Cidades de Lumus, uma nova era de glória e prosperidade." Diz o ancião, estendendo a espada a Órtus.
"Eu aceito a Lâmina, ciente de sua história e da história daqueles que a aceitaram antes de mim. Juro com ela proteger o Castelo Dourado." Responde ele, cerrando seu punho firmemente no cabo da lâmina.
"Que com ela você possa proteger..."
"Eu me recuso."
Surpreso por ser interrompido, o ancião se vira contra Órtus perplexo.
"Como é?"
"Eu me recuso."
Surpreso por ser interrompido, o ancião se vira contra Órtus perplexo.
"Como é?"
"Eu me recuso."
E com apenas um golpe, Valerius o Décimo Quinto executa o ancião.
"Não pretendo me tornar a luz de ninguém." Diz ele, encarando todos os presentes.
No final daquele dia, Matreon já havia caído nas mãos do inimigo.
15 de mai. de 2013
Sete Noites - Capítulo 5
"Voltar a ser humano?" Repeti, surpreso.
Não, surpreso não. Confuso. A ideia me parecia tão... Absurda. Tão errada, tão anormal. Não posso negar que não havia pensado nisso, que não havia desejado isso. Mas naquele momento, eu não conseguia mais pensar em uma razão para querer voltar a ser um humano.
"Sim, voltar a ser um humano. As transformações que já ocorreram ao seu corpo não poderão ser revertidas, mas sua alma será salva. E o nenhum dos pontos fracos compartilhados pelos Monstros irá lhe afligir mais." Explicou Forca, ainda me fitando com aqueles olhos de prata.
"Você tem sete noites para decidir."
Uma hora depois dessa conversa, logo antes do amanhecer, eu me encontrava escondido dentro da mesma casa em que havia acordado no começo daquela noite. Ao contrário de Meu Pai, eu ainda não podia simplesmente invocar morcegos a partir da minha sombra e procurar uma casa qualquer para me esconder, então simplesmente voltei ao lugar onde sabia que estaria seguro durante o dia.
Uma vez dentro da casa, não me surpreendi em me encontrar com ele sentado confortavelmente em um dos sofás, me esperando.
"Então... Você conheceu aquele pivete." Disse ele, olhando para mim com seus olhos vermelho sangue. "Ele deve ter feito uma proposta a você, não? Te devolver sua humanidade? Toda aquela história de 'Salvar a alma', 'viver sob o sol'... Ele deve ter cuspido o mesmo discurso em você não?"
"O mesmo discurso?" Perguntei, sem entender.
"Sim. Bem, você não é o primeiro que eu transformei. E entre os que eu transformei, não é o único a ter encontrado com Forca antes de se transformar completamente. Ele é uma das razões de eu ter parado de criar servos e companheiros." Respondeu ele, se levantando do sofá. "Eu te deixei naquela casa esperando que o choque acelerasse a sua transformação sabe? Esperando que você se tornasse um de nós antes dele descobrir que eu sobrevivi. Aparentemente, eu falhei. Mas você realmente é um rapaz sortudo! Ainda não consegui acreditar que ele não simplesmente te matou bem ali. Ele deve ter achado que você ainda quer voltar a ser humano."
Eu estremeci.
"Mas é claro... Não existe a possibilidade de você querer voltar a ser humano... Existe?"
"E-eu... Não sei." Respondi, gaguejando.
"Ah... É assim então?" Respondeu ele. Não havia nem surpresa nem decepção em sua voz, apenas uma estranha... Aceitação. "Bem... No final das contas, você voltou para essa casa, voltou para mim. Voltou para o Seu Pai. E amanhã, você irá caçar pela primeira vez."
"Sozinho."
Não, surpreso não. Confuso. A ideia me parecia tão... Absurda. Tão errada, tão anormal. Não posso negar que não havia pensado nisso, que não havia desejado isso. Mas naquele momento, eu não conseguia mais pensar em uma razão para querer voltar a ser um humano.
"Sim, voltar a ser um humano. As transformações que já ocorreram ao seu corpo não poderão ser revertidas, mas sua alma será salva. E o nenhum dos pontos fracos compartilhados pelos Monstros irá lhe afligir mais." Explicou Forca, ainda me fitando com aqueles olhos de prata.
"Você tem sete noites para decidir."
Uma hora depois dessa conversa, logo antes do amanhecer, eu me encontrava escondido dentro da mesma casa em que havia acordado no começo daquela noite. Ao contrário de Meu Pai, eu ainda não podia simplesmente invocar morcegos a partir da minha sombra e procurar uma casa qualquer para me esconder, então simplesmente voltei ao lugar onde sabia que estaria seguro durante o dia.
Uma vez dentro da casa, não me surpreendi em me encontrar com ele sentado confortavelmente em um dos sofás, me esperando.
"Então... Você conheceu aquele pivete." Disse ele, olhando para mim com seus olhos vermelho sangue. "Ele deve ter feito uma proposta a você, não? Te devolver sua humanidade? Toda aquela história de 'Salvar a alma', 'viver sob o sol'... Ele deve ter cuspido o mesmo discurso em você não?"
"O mesmo discurso?" Perguntei, sem entender.
"Sim. Bem, você não é o primeiro que eu transformei. E entre os que eu transformei, não é o único a ter encontrado com Forca antes de se transformar completamente. Ele é uma das razões de eu ter parado de criar servos e companheiros." Respondeu ele, se levantando do sofá. "Eu te deixei naquela casa esperando que o choque acelerasse a sua transformação sabe? Esperando que você se tornasse um de nós antes dele descobrir que eu sobrevivi. Aparentemente, eu falhei. Mas você realmente é um rapaz sortudo! Ainda não consegui acreditar que ele não simplesmente te matou bem ali. Ele deve ter achado que você ainda quer voltar a ser humano."
Eu estremeci.
"Mas é claro... Não existe a possibilidade de você querer voltar a ser humano... Existe?"
"E-eu... Não sei." Respondi, gaguejando.
"Ah... É assim então?" Respondeu ele. Não havia nem surpresa nem decepção em sua voz, apenas uma estranha... Aceitação. "Bem... No final das contas, você voltou para essa casa, voltou para mim. Voltou para o Seu Pai. E amanhã, você irá caçar pela primeira vez."
"Sozinho."
11 de mai. de 2013
Sete Noites - Capítulo 4
"Sete noites?" Perguntei, confuso.
Já deviam ser quase cinco horas da manhã. Eu me encontrava caminhando pela praia acompanhado por um homem misterioso que havia conhecido horas atrás, logo depois que Meu Pai me deixara sozinho.
"Sim. Você me disse que foi mordido no amanhecer de ontem certo? Isso significa que essa é a sua primeira noite, e que você ainda tem outras sete antes da transformação acabar por completo." Disse ele, começando a desenhar algo na areia.
"Por... Completo? Como assim? Afinal, o que está acontecendo? Quem diabos é você!?"
Exclamando a última pergunta, eu finalmente percebi que estava irritado. Além de confuso e enojado, mais do que isso, eu sentia raiva.
"Controle suas emoções." Ele disse, sem parar de desenhar. "Se deixar levar por elas só vai acelerar o processo."
Respirei fundo. Parte de mim queria voar no pescoço dele gritando "QUE PROCESSO? PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE DIREITO!?", enquanto o resto sabia que eu deveria tentar o máximo possível manter a calma.
"Por favor..." Consegui dizer.
Finalmente se virando para mim e esboçando um sorriso estúpido no rosto, o estranho começou a explicar tudo.
"Você foi mordido por um Monstro. 'Violência, o Vampiro'. Ele tomou parte do seu sangue e te deixou vivo, pois precisava de você para sobreviver. Você foi amaldiçoado. Gradualmente, tanto seu corpo quanto sua alma serão distorcidos de forma irreconhecível. Primeiro, você adquire parte dos pontos fracos deles, como a luz solar. Algumas habilidades menores também são transferidas depois de algumas horas, como a capacidade de enxergar no escuro. Amanhã, sua fome já não será mais de comida, e no dia seguinte, também não precisará mais de ar. Seu coração vai parar de bater, e a partir de então, as mudanças... Não podem mais ser explicadas. Um humano não é capaz de sequer entendê-las."
Cada palavra que ele dizia era mais absurda que a outra. Era irracional, não fazia sentindo algum. Monstros, vampiros e maldições não existiam. Mas uma parte cada vez mais profunda de mim sentia o contrário. Era como se minha natureza, meu senso de realidade, estivesse corrompido.
Porque tudo que ele dissera, pelo menos para mim, fazia completo sentido. E quanto as mudanças que humanos não seriam capazes de entender...
De alguma forma, eu já fazia alguma ideia do que seriam.
"Meu nome é 'Forca'. Sou um caçador de Monstros, e estou atrás de Violência faz alguma décadas." Disse ele, finalmente se apresentando. "Antes de mais nada, tenho que lhe fazer uma pergunta garoto..."
Ele então tirou o capuz, parou de desenhar o que parecia ser uma ave acorrentada na areia e pela primeira vez, abriu os olhos enquanto falava comigo, me fitando diretamente.
Seus olhos eram completamente cinzentos, como duas esferas de prata polida. Meu corpo inteiro estremeceu perante aquele olhar, de uma forma diferente da vez em que havia sido controlado por Meu Pai.
E com uma voz solene e impactante, ele me perguntou.
"Você quer voltar a ser um humano?"
Já deviam ser quase cinco horas da manhã. Eu me encontrava caminhando pela praia acompanhado por um homem misterioso que havia conhecido horas atrás, logo depois que Meu Pai me deixara sozinho.
"Sim. Você me disse que foi mordido no amanhecer de ontem certo? Isso significa que essa é a sua primeira noite, e que você ainda tem outras sete antes da transformação acabar por completo." Disse ele, começando a desenhar algo na areia.
"Por... Completo? Como assim? Afinal, o que está acontecendo? Quem diabos é você!?"
Exclamando a última pergunta, eu finalmente percebi que estava irritado. Além de confuso e enojado, mais do que isso, eu sentia raiva.
"Controle suas emoções." Ele disse, sem parar de desenhar. "Se deixar levar por elas só vai acelerar o processo."
Respirei fundo. Parte de mim queria voar no pescoço dele gritando "QUE PROCESSO? PORQUE VOCÊ NÃO ME RESPONDE DIREITO!?", enquanto o resto sabia que eu deveria tentar o máximo possível manter a calma.
"Por favor..." Consegui dizer.
Finalmente se virando para mim e esboçando um sorriso estúpido no rosto, o estranho começou a explicar tudo.
"Você foi mordido por um Monstro. 'Violência, o Vampiro'. Ele tomou parte do seu sangue e te deixou vivo, pois precisava de você para sobreviver. Você foi amaldiçoado. Gradualmente, tanto seu corpo quanto sua alma serão distorcidos de forma irreconhecível. Primeiro, você adquire parte dos pontos fracos deles, como a luz solar. Algumas habilidades menores também são transferidas depois de algumas horas, como a capacidade de enxergar no escuro. Amanhã, sua fome já não será mais de comida, e no dia seguinte, também não precisará mais de ar. Seu coração vai parar de bater, e a partir de então, as mudanças... Não podem mais ser explicadas. Um humano não é capaz de sequer entendê-las."
Cada palavra que ele dizia era mais absurda que a outra. Era irracional, não fazia sentindo algum. Monstros, vampiros e maldições não existiam. Mas uma parte cada vez mais profunda de mim sentia o contrário. Era como se minha natureza, meu senso de realidade, estivesse corrompido.
Porque tudo que ele dissera, pelo menos para mim, fazia completo sentido. E quanto as mudanças que humanos não seriam capazes de entender...
De alguma forma, eu já fazia alguma ideia do que seriam.
"Meu nome é 'Forca'. Sou um caçador de Monstros, e estou atrás de Violência faz alguma décadas." Disse ele, finalmente se apresentando. "Antes de mais nada, tenho que lhe fazer uma pergunta garoto..."
Ele então tirou o capuz, parou de desenhar o que parecia ser uma ave acorrentada na areia e pela primeira vez, abriu os olhos enquanto falava comigo, me fitando diretamente.
Seus olhos eram completamente cinzentos, como duas esferas de prata polida. Meu corpo inteiro estremeceu perante aquele olhar, de uma forma diferente da vez em que havia sido controlado por Meu Pai.
E com uma voz solene e impactante, ele me perguntou.
"Você quer voltar a ser um humano?"
5 de mai. de 2013
Sete Noites - Capítulo 3
"Que reação mais humana." Disse uma voz vinda da janela.
Eu me encontrava de quatro no chão, com os olhos vidrados, em cima de uma poça de sangue e vômito dentro do quarto de uma garotinha de aproximadamente seis anos que morava com a irmã de dez e os dois pais.
"Bem... Julgando pelas aparências, você deve ser um recém-transformado. Mordido a quanto tempo? Menos de um dia? É, acho que sim..." Continuou a voz.
Minha visão, capaz de enxergar perfeitamente bem no escuro, estava embaçada. Eu me sentia enjoado, confuso e novamente, apavorado. Minhas memórias daquela noite passavam repetidas vezes pela minha cabeça.
"E portanto, é muito improvável que tenha sido você a causar essa bagunça. Eu pelo menos nunca ouvi falar de um recém transformado capaz de fazer o que foi feito a essa família. Vocês ainda são humanos demais. É necessário alguns anos de vida como Monstro para chegar a esse ponto..."
Anoiteceu. Eu e... 'Meu Pai' saímos da casa onde nos escondemos do sol. Depois... Morcegos saíram da sombra dele e... Voaram em todas as direções... Procurando uma casa em que pudéssemos entrar. Com sorte, uma casa que...
"Tortura, estupro, esquartejamento, estupro e então, 'almoço'. Acertei a ordem? Do que foi feito com elas? Cada uma delas? As filhas e a mãe? Quanto ao pai... Assassinado, aparentemente. É a cara dele... Então, o bastardo maldito sobreviveu foi? Depois de todo o sacrifício que eu tive para finalmente emboscá-lo sem correr grandes riscos? Não dá pra acreditar.... E foi ele quem te transformou também?"
Ele... O monstro que é agora 'Meu Pai'. Ele precisava recuperar as energias, se alimentar. 'Quanto mais jovem melhor' ele disse. 'Eu prefiro mulheres' ele disse. 'TIVEMOS SORTE' ele disse.
Enquanto matava, a mãe. Enquanto matava a mais velha. Enquanto matava a menor. Enquanto... As destruía...
Volto a vomitar instantaneamente.
"Garoto, olhe para mim."
Me sentindo culpado demais para desobedecer, eu me virei para a janela.
Pendurado por uma corrente no telhado da casa, virado para mim com os olhos cerrados e as pálpebras tatuadas com suásticas, vestindo um sobretudo azul escuro e carregando uma estaca de madeira em sua mão. Ele calçava botas pretas e pesadas, pingando lama no chão. Um homem alto, com aproximadamente um metro e noventa. Sua voz era grave e casual, e estranhamente, me inspirava confiança.
"Você não devia tê-lo salvado." Disse ele, entrando pela janela.
Eu me encontrava de quatro no chão, com os olhos vidrados, em cima de uma poça de sangue e vômito dentro do quarto de uma garotinha de aproximadamente seis anos que morava com a irmã de dez e os dois pais.
"Bem... Julgando pelas aparências, você deve ser um recém-transformado. Mordido a quanto tempo? Menos de um dia? É, acho que sim..." Continuou a voz.
Minha visão, capaz de enxergar perfeitamente bem no escuro, estava embaçada. Eu me sentia enjoado, confuso e novamente, apavorado. Minhas memórias daquela noite passavam repetidas vezes pela minha cabeça.
"E portanto, é muito improvável que tenha sido você a causar essa bagunça. Eu pelo menos nunca ouvi falar de um recém transformado capaz de fazer o que foi feito a essa família. Vocês ainda são humanos demais. É necessário alguns anos de vida como Monstro para chegar a esse ponto..."
Anoiteceu. Eu e... 'Meu Pai' saímos da casa onde nos escondemos do sol. Depois... Morcegos saíram da sombra dele e... Voaram em todas as direções... Procurando uma casa em que pudéssemos entrar. Com sorte, uma casa que...
"Tortura, estupro, esquartejamento, estupro e então, 'almoço'. Acertei a ordem? Do que foi feito com elas? Cada uma delas? As filhas e a mãe? Quanto ao pai... Assassinado, aparentemente. É a cara dele... Então, o bastardo maldito sobreviveu foi? Depois de todo o sacrifício que eu tive para finalmente emboscá-lo sem correr grandes riscos? Não dá pra acreditar.... E foi ele quem te transformou também?"
Ele... O monstro que é agora 'Meu Pai'. Ele precisava recuperar as energias, se alimentar. 'Quanto mais jovem melhor' ele disse. 'Eu prefiro mulheres' ele disse. 'TIVEMOS SORTE' ele disse.
Enquanto matava, a mãe. Enquanto matava a mais velha. Enquanto matava a menor. Enquanto... As destruía...
Volto a vomitar instantaneamente.
"Garoto, olhe para mim."
Me sentindo culpado demais para desobedecer, eu me virei para a janela.
Pendurado por uma corrente no telhado da casa, virado para mim com os olhos cerrados e as pálpebras tatuadas com suásticas, vestindo um sobretudo azul escuro e carregando uma estaca de madeira em sua mão. Ele calçava botas pretas e pesadas, pingando lama no chão. Um homem alto, com aproximadamente um metro e noventa. Sua voz era grave e casual, e estranhamente, me inspirava confiança.
"Você não devia tê-lo salvado." Disse ele, entrando pela janela.
17 de abr. de 2013
Sete Noites - Capítulo 2
Quando eu "despertei", confuso e com a memória bagunçada, estava deitado em um sofá na sala de estar de uma casa. A princípio, tentei me lembrar de como fui para ali, mas logo outra detalhe chamou minha atenção. Todas as janelas estavam com as cortinas fechadas, bloqueando completamente a entrada de luz.
Ainda assim, eu conseguia enxergar perfeitamente.
"Finalmente acordou, garoto?"
Foi a primeira coisa que eu escutei. Imediatamente, reconheci a voz do homem que havia encontrado pregado em uma árvore e recordei tudo a respeito daquela noite. Apesar de ainda não fazer ideia de quanto tempo se passara desde então, haviam dois fatos dos quais eu tinha certeza naquele momento:
Aquele homem era o assassino que matara sete adolescentes e uma criança.
Eu tinha sido a nona vítima.
Infelizmente, o segundo fato era levemente contraditório. Eu tinha certeza que aquela... "Mordida", havia me matado.
Eu estava morto.
"O que... Aconteceu?" Resolvi perguntar.
"Bem... Você deu azar. Mas entre os que deram azar, você foi o mais sortudo." Respondeu o homem. Só agora eu notei que não havia sinal das enormes feridas causadas pelas estacas. Para falar a verdade, não haviam nem mesmos buracos em sua roupa. E ele parecia estranhamente... Vigoroso.
"Como assim"? Perguntei novamente, com mais firmeza na voz. Estranhamente, todo o medo que eu sentira ao vê-lo pregado na árvore parecia um sonho agora. Eu me sentia... Confiante. Forte. Poderoso.
"Bem... Eu havia espalhado alguns familiares pelas ruas durante a noite, na esperança de encontrar uma nova presa. Você encontrou um deles, e foi trazido por ele até mim. Eu costumo não escolher homens sabe? Normalmente, meu familiar teria te ignorado completamente. Mas como eu disse, você deu azar."
Lentamente, eu estava começando a entender.
"Um caçador insistente que está atrás de mim há algumas décadas descobriu minha localização e preparou uma armadilha. Eu caí nela e acabei parando naquela situação deplorável. O sol iria me matar se você não tivesse chegado sabe? Eu pretendia te usar para escapar e depois matá-lo, mas não havia tempo. Então resolvi te transformar, e aqui estamos." Terminou ele, com um sorriso.
"Onde estamos?"
"Não faço ideia. Seu corpo recém transformado aguentava melhor o sol, então simplesmente te deixei nos guiar até um lugar seguro e foquei em me regenerar. Quando chegamos, você perdeu a consciência e eu tomei a liberdade de me alimentar."
"Fui eu... Quem te trouxe aqui?"
"Sim. Eu te ordenei, e você me obedeceu. Você é meu servo agora."
Imediatamente me lembrei daqueles olhos vermelhos e da habilidade que eles possuíam.
"Então... Você é um vampiro?"
Ele sorriu.
"Vampiro, bruxo, transformista, mago, zumbi, necromante, lobisomen, espírito maligno... Nossa espécie tem muitos nomes. Pode-se dizer até que somos a origem de todos os mitos. Você vai entender, eventualmente." Respondeu, indo até a janela e abrindo a cortina.
O sol estava se pondo.
"Vamos indo? A noite vai ser longa..."
Ainda assim, eu conseguia enxergar perfeitamente.
"Finalmente acordou, garoto?"
Foi a primeira coisa que eu escutei. Imediatamente, reconheci a voz do homem que havia encontrado pregado em uma árvore e recordei tudo a respeito daquela noite. Apesar de ainda não fazer ideia de quanto tempo se passara desde então, haviam dois fatos dos quais eu tinha certeza naquele momento:
Aquele homem era o assassino que matara sete adolescentes e uma criança.
Eu tinha sido a nona vítima.
Infelizmente, o segundo fato era levemente contraditório. Eu tinha certeza que aquela... "Mordida", havia me matado.
Eu estava morto.
"O que... Aconteceu?" Resolvi perguntar.
"Bem... Você deu azar. Mas entre os que deram azar, você foi o mais sortudo." Respondeu o homem. Só agora eu notei que não havia sinal das enormes feridas causadas pelas estacas. Para falar a verdade, não haviam nem mesmos buracos em sua roupa. E ele parecia estranhamente... Vigoroso.
"Como assim"? Perguntei novamente, com mais firmeza na voz. Estranhamente, todo o medo que eu sentira ao vê-lo pregado na árvore parecia um sonho agora. Eu me sentia... Confiante. Forte. Poderoso.
"Bem... Eu havia espalhado alguns familiares pelas ruas durante a noite, na esperança de encontrar uma nova presa. Você encontrou um deles, e foi trazido por ele até mim. Eu costumo não escolher homens sabe? Normalmente, meu familiar teria te ignorado completamente. Mas como eu disse, você deu azar."
Lentamente, eu estava começando a entender.
"Um caçador insistente que está atrás de mim há algumas décadas descobriu minha localização e preparou uma armadilha. Eu caí nela e acabei parando naquela situação deplorável. O sol iria me matar se você não tivesse chegado sabe? Eu pretendia te usar para escapar e depois matá-lo, mas não havia tempo. Então resolvi te transformar, e aqui estamos." Terminou ele, com um sorriso.
"Onde estamos?"
"Não faço ideia. Seu corpo recém transformado aguentava melhor o sol, então simplesmente te deixei nos guiar até um lugar seguro e foquei em me regenerar. Quando chegamos, você perdeu a consciência e eu tomei a liberdade de me alimentar."
"Fui eu... Quem te trouxe aqui?"
"Sim. Eu te ordenei, e você me obedeceu. Você é meu servo agora."
Imediatamente me lembrei daqueles olhos vermelhos e da habilidade que eles possuíam.
"Então... Você é um vampiro?"
Ele sorriu.
"Vampiro, bruxo, transformista, mago, zumbi, necromante, lobisomen, espírito maligno... Nossa espécie tem muitos nomes. Pode-se dizer até que somos a origem de todos os mitos. Você vai entender, eventualmente." Respondeu, indo até a janela e abrindo a cortina.
O sol estava se pondo.
"Vamos indo? A noite vai ser longa..."
10 de abr. de 2013
Sete Noites - Capítulo 1
Espero conseguir terminar essa série (yeah, ta certo...)
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Não pretendo me identificar em momento algum durante este relato. Apesar de ter reunido coragem para partilhar dessa história, sei que é melhor fazê-lo de forma anônima. Acreditar ou não nas palavras que aqui serão escritas é escolha sua, e acho melhor que não o façam. É mais seguro. Tanto para mim quanto para vocês.
Bem... Vamos começar.
Ano passado, a minha vida mudou.
Durante uma semana, eu vivenciei o inferno na terra, e desde então, minha vida mudou.
Foi como se o destino estivesse pregando uma peça comigo. Bem, admito que também tive culpa. Afinal, se não fosse por mim, provavelmente não teria acontecido da forma que aconteceu, ou talvez nem mesmo tivesse acontecido.
Mas eu me recuso a acreditar que tudo foi apenas "por acaso".
Era uma noite de domingo quando o conheci. Meu pai, um policial solteiro, havia chegado em casa mais frustrado e irritado do que eu jamais tinha visto. Fazia alguns meses desde que um assassino em série havia aparecido em nossa cidade, e a mãe da oitava vítima havia feito uma cena na delegacia aquela tarde. Daqueles com direito a choro e xingamentos.
Bem, não posso culpá-la. A garotinha tinha dez anos e foi encontrada nua com o pescoço torcido deitada na areia da praia. Diga-se de passagem, sua casa ficava a três quarteirões do local. Qualquer mãe teria feito o mesmo, senão pior.
De qualquer forma, por causa disso, eu e meu pai brigamos naquela noite. Minha culpa. Apesar de que o estado emocional dele também ajudou bastante, claro. Ainda assim, fui eu quem o provocou no final e isso resultou na minha "expulsão" da casa.
"Expulsão"
Eu pretendia voltar, é claro. No dia seguinte mesmo. Ele não estaria lá durante a manhã e a tarde, e eu estava com as chaves no bolso. Em três dias, nós dois teríamos superado aquela briga e voltaríamos ao convívio "normal".
Mas o destino não quis que fosse assim, claro.
Naquela noite, enquanto eu caminhava pelas ruas vazias esperando o sol nascer, uma tempestade sem chuva começou a soprar. Não demorei para encontrar abrigo, em um coreto numa praça perto da praia (longe de onde a oitava vítima havia sido encontrada), e lá fiquei sozinho.
Não, não exatamente sozinho. Junto comigo havia outro ser vivo. Um morcego negro como a noite, que parecia não ser afetado pelo vento e que me fitava pendurado em uma das vigas de madeira.
Dizer quanto tempo passei apenas sentado lá, olhando para o morcego, seria impossível. Minha memória daquele momento está muito confusa agora. Só sei que quando percebi, já estava correndo.
Respiração ofegante, olhos semicerrados, vento soprando no meu rosto, correndo atrás do maldito morcego que agora não só ignorava o vento, mas também conseguia voar contra ele.
Apesar de ter recuperado minha consciência, meu corpo ainda não me obedecia. Eu continuei correndo além da exaustão por longos minutos, até que finalmente chegamos.
Um trecho deserto da praia, longe da cidade. Apenas o mar, uma faixa de areia e as árvores.
E em uma dessas árvores estava um homem pregado com estacas de madeira pendurado de cabeça para baixo. Uma estaca atravessando as duas mãos e o peito, outra estaca para os pés. As duas atravessavam a árvore por completo, e pareciam extremamente afiadas. Havia uma quantidade absurda de sangue escorrendo das feridas, digna de oito jovens garotas e sabe-se lá quantas mais. Todo o tronco da árvore e a terra envolta estava manchada de vermelho.
Mas apesar da situação miserável do homem, a única coisa que eu pude sentir foi medo.
"Tire-me daqui" ele ordenou. Seus olhos vermelhos pareciam emanar uma espécie de encanto sob meu corpo, fazendo-me sentir impelido a obedecer.
Então eu me aproximei. Mesmo querendo dar meia volta, mesmo querendo desaparecer dali o mais rápido possível, eu me aproximei.
"Remova as estacas. Rápido." ordenou ele novamente, me controlando com os olhos.
Essa segunda ordem não pareceu tão eficiente. Parecia que lentamente, o controle dele sobre mim ficava mais fraco. Provavelmente, me forçar a salvá-lo exigia todas as forças restantes dele. Foi então que eu me lembrei, o morcego que me atraiu até lá também havia perdido parte do controle sobre mim no meio do caminho.
Pensei que se fosse capaz de enrolar por tempo o suficiente, eventualmente conseguiria escapar.
Ideia estúpida.
"Eu não tenho tempo para brincar com você. Remova as estacas de uma vez." Ordenou ele, dessa vez quase dispensando a "hipnose".
Eu devia ter corrido então.
O sol começou a nascer, queimando o corpo do homem a partir dos pés, lentamente. Eventualmente o restante do corpo seria destruído e eu poderia voltar para casa. Ou pelo menos era para ser assim.
"Não tenho outra escolha. Ajoelhe-se e estenda o seu braço até minha boca garoto. Você vai ter de servir"
Novamente me controlando com seus olhos, ele me obrigou a obedecê-lo e assim como ele disse, eu me ajoelhei e estendi o braço direito.
"Seja bem vindo ao mundo da noite" Disse ele, antes de me morder.
Essa foi minha última lembrança daquela noite.
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Não pretendo me identificar em momento algum durante este relato. Apesar de ter reunido coragem para partilhar dessa história, sei que é melhor fazê-lo de forma anônima. Acreditar ou não nas palavras que aqui serão escritas é escolha sua, e acho melhor que não o façam. É mais seguro. Tanto para mim quanto para vocês.
Bem... Vamos começar.
Ano passado, a minha vida mudou.
Durante uma semana, eu vivenciei o inferno na terra, e desde então, minha vida mudou.
Foi como se o destino estivesse pregando uma peça comigo. Bem, admito que também tive culpa. Afinal, se não fosse por mim, provavelmente não teria acontecido da forma que aconteceu, ou talvez nem mesmo tivesse acontecido.
Mas eu me recuso a acreditar que tudo foi apenas "por acaso".
Era uma noite de domingo quando o conheci. Meu pai, um policial solteiro, havia chegado em casa mais frustrado e irritado do que eu jamais tinha visto. Fazia alguns meses desde que um assassino em série havia aparecido em nossa cidade, e a mãe da oitava vítima havia feito uma cena na delegacia aquela tarde. Daqueles com direito a choro e xingamentos.
Bem, não posso culpá-la. A garotinha tinha dez anos e foi encontrada nua com o pescoço torcido deitada na areia da praia. Diga-se de passagem, sua casa ficava a três quarteirões do local. Qualquer mãe teria feito o mesmo, senão pior.
De qualquer forma, por causa disso, eu e meu pai brigamos naquela noite. Minha culpa. Apesar de que o estado emocional dele também ajudou bastante, claro. Ainda assim, fui eu quem o provocou no final e isso resultou na minha "expulsão" da casa.
"Expulsão"
Eu pretendia voltar, é claro. No dia seguinte mesmo. Ele não estaria lá durante a manhã e a tarde, e eu estava com as chaves no bolso. Em três dias, nós dois teríamos superado aquela briga e voltaríamos ao convívio "normal".
Mas o destino não quis que fosse assim, claro.
Naquela noite, enquanto eu caminhava pelas ruas vazias esperando o sol nascer, uma tempestade sem chuva começou a soprar. Não demorei para encontrar abrigo, em um coreto numa praça perto da praia (longe de onde a oitava vítima havia sido encontrada), e lá fiquei sozinho.
Não, não exatamente sozinho. Junto comigo havia outro ser vivo. Um morcego negro como a noite, que parecia não ser afetado pelo vento e que me fitava pendurado em uma das vigas de madeira.
Dizer quanto tempo passei apenas sentado lá, olhando para o morcego, seria impossível. Minha memória daquele momento está muito confusa agora. Só sei que quando percebi, já estava correndo.
Respiração ofegante, olhos semicerrados, vento soprando no meu rosto, correndo atrás do maldito morcego que agora não só ignorava o vento, mas também conseguia voar contra ele.
Apesar de ter recuperado minha consciência, meu corpo ainda não me obedecia. Eu continuei correndo além da exaustão por longos minutos, até que finalmente chegamos.
Um trecho deserto da praia, longe da cidade. Apenas o mar, uma faixa de areia e as árvores.
E em uma dessas árvores estava um homem pregado com estacas de madeira pendurado de cabeça para baixo. Uma estaca atravessando as duas mãos e o peito, outra estaca para os pés. As duas atravessavam a árvore por completo, e pareciam extremamente afiadas. Havia uma quantidade absurda de sangue escorrendo das feridas, digna de oito jovens garotas e sabe-se lá quantas mais. Todo o tronco da árvore e a terra envolta estava manchada de vermelho.
Mas apesar da situação miserável do homem, a única coisa que eu pude sentir foi medo.
"Tire-me daqui" ele ordenou. Seus olhos vermelhos pareciam emanar uma espécie de encanto sob meu corpo, fazendo-me sentir impelido a obedecer.
Então eu me aproximei. Mesmo querendo dar meia volta, mesmo querendo desaparecer dali o mais rápido possível, eu me aproximei.
"Remova as estacas. Rápido." ordenou ele novamente, me controlando com os olhos.
Essa segunda ordem não pareceu tão eficiente. Parecia que lentamente, o controle dele sobre mim ficava mais fraco. Provavelmente, me forçar a salvá-lo exigia todas as forças restantes dele. Foi então que eu me lembrei, o morcego que me atraiu até lá também havia perdido parte do controle sobre mim no meio do caminho.
Pensei que se fosse capaz de enrolar por tempo o suficiente, eventualmente conseguiria escapar.
Ideia estúpida.
"Eu não tenho tempo para brincar com você. Remova as estacas de uma vez." Ordenou ele, dessa vez quase dispensando a "hipnose".
Eu devia ter corrido então.
O sol começou a nascer, queimando o corpo do homem a partir dos pés, lentamente. Eventualmente o restante do corpo seria destruído e eu poderia voltar para casa. Ou pelo menos era para ser assim.
"Não tenho outra escolha. Ajoelhe-se e estenda o seu braço até minha boca garoto. Você vai ter de servir"
Novamente me controlando com seus olhos, ele me obrigou a obedecê-lo e assim como ele disse, eu me ajoelhei e estendi o braço direito.
"Seja bem vindo ao mundo da noite" Disse ele, antes de me morder.
Essa foi minha última lembrança daquela noite.
1 de mar. de 2012
Confissão de uma Bruxa
Só pra deixar claro, não sou nenhum satanista nem nada assim. Como já disse, sou espírita, e se souberem observar, verão neste texto como julgo irônica e contraditória a existência de algo do gênero. Como sempre, expresso apenas a minha opinião, e se algo nesta narrativa lhe incomoda, sinta-se livre para deliberar a respeito e expressar sua opinião.
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Um dia, eu vi um sonho. E nesse sonho, eu o conheci.
Num reino sem castelo, ele se encontrava sentado em uma alta montanha. Cercado de seus súditos, em uma vasta planície gramada de marfim sob um céu nublado em escarlate, ele fitava o mundo que lhe fora oferecido.
Tudo o que ele desejara fora ser como quem mais amava. Benevolente, sábio, poderoso e perfeito, amado por seus filhos e amar tudo incondicionalmente.
Mas tudo que conseguira for um trono ardente revestido de couro e um reino de tristeza e morte. Suas asas enegreceram e suas penas caíram. Sua carne se desfez e seus ossos frios brotavam por trás da pele. Seu desejo esquecido, seu coração corrompido.
"Mas que triste!" Pensei. "Que injusto! Como pode existir uma criatura tão horrivelmente condenada, por tão tolo pecado?"
E então, ele olhou para mim. Sua face pútrida teria me assustado outrora, mas não havia nada de medonho naquele sorriso, naquele olhar. Apenas desespero, apenar desalento...
Foi então que me dei conta de meus sentimentos, e comecei a correr. Foi então que comecei a desejar ter aquela existência em meus braços, desejei poder amá-la como ninguém nunca o fez.
Tropecei através de ossos e dos condenados, o gramado e os súditos. Subi a montanha, feita de pecados e lágrimas. Me joguei aos pés de seu trono, forjado a carne e revestido com pele macia. Ergui minha cabeça para admirar mais uma vez seu semblante...
Foi então que jurei servi-lo. E assim o fiz até este dia. Esta carne pode arder nas chamas da ignorância, mas eu não me arrependo de nada. Se me tornei uma bruxa, o fiz por amor, e tal punição só faz me atirar nos braços deste amado.
Finalmente...
Lucas Rangel Lima
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"Uns acreditam. Outros não são capazes de duvidar. Mas no final, qual a diferença? Somos todos pecadores..."
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Um dia, eu vi um sonho. E nesse sonho, eu o conheci.
Num reino sem castelo, ele se encontrava sentado em uma alta montanha. Cercado de seus súditos, em uma vasta planície gramada de marfim sob um céu nublado em escarlate, ele fitava o mundo que lhe fora oferecido.
Tudo o que ele desejara fora ser como quem mais amava. Benevolente, sábio, poderoso e perfeito, amado por seus filhos e amar tudo incondicionalmente.
Mas tudo que conseguira for um trono ardente revestido de couro e um reino de tristeza e morte. Suas asas enegreceram e suas penas caíram. Sua carne se desfez e seus ossos frios brotavam por trás da pele. Seu desejo esquecido, seu coração corrompido.
"Mas que triste!" Pensei. "Que injusto! Como pode existir uma criatura tão horrivelmente condenada, por tão tolo pecado?"
E então, ele olhou para mim. Sua face pútrida teria me assustado outrora, mas não havia nada de medonho naquele sorriso, naquele olhar. Apenas desespero, apenar desalento...
Foi então que me dei conta de meus sentimentos, e comecei a correr. Foi então que comecei a desejar ter aquela existência em meus braços, desejei poder amá-la como ninguém nunca o fez.
Tropecei através de ossos e dos condenados, o gramado e os súditos. Subi a montanha, feita de pecados e lágrimas. Me joguei aos pés de seu trono, forjado a carne e revestido com pele macia. Ergui minha cabeça para admirar mais uma vez seu semblante...
Foi então que jurei servi-lo. E assim o fiz até este dia. Esta carne pode arder nas chamas da ignorância, mas eu não me arrependo de nada. Se me tornei uma bruxa, o fiz por amor, e tal punição só faz me atirar nos braços deste amado.
Finalmente...
Lucas Rangel Lima
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"Uns acreditam. Outros não são capazes de duvidar. Mas no final, qual a diferença? Somos todos pecadores..."
22 de fev. de 2012
Sangue
Fazia um tempo que eu não sentia o gosto do meu sangue. Bem, com excessão de pequenas feridas, arranhões e uma fissura acidental aberta na palma da minha mão direita (cujo crédito vai para minha querida animal de estimação felina), faz muito tempo que eu não me machuco.
Eu disse "sentir o gosto", mas realmente não senti o gosto de nada. Talvez fosse porque não estivesse exatamente fresco, uma vez que ele havia tido tempo para "secar" um pouco na minha mão, ou talvez meus sentidos estivessem um pouco distorcidos. De qualquer forma, eu descobri que não me incomodava com meu próprio sangue. Na verdade, vê-lo cobrindo minhas mãos e senti-lo escorrendo pelo meu rosto (sem falar nas manchas nas roupas) me agradou bastante.
A altura em que tive tempo de notar que estava sangrando, eu já estava calmo. Na verdade, foi apenas um segundo de descontrole, tanto que não fiz esforço algum para me defender em seguida. Não sou masoquista (acho). Só tenho medo da minha ira. E mesmo tendo saído em um estado deplorável, pelo menos havia conseguido segurá-la.
Voltando ao meu sangue, acho que havia sido a primeira vez desde a minha infância enlouquecida que eu o havia derramado em tamanha quantidade. Ele não só cobrira minhas mãos e rosto no momento do ferimento, mas continuou escorrendo por um longo período (Principalmente durante a realização do erro. Como eu disse, eu tenho medo da minha ira. Muito medo. E acredite, ter deixá-do ela me dominar, mesmo que só por um instante, era suficientemente aterrorizador para que... Bem, isso não é importante agora).
Agora, olho para minhas mãos limpas e me lembro daquele momento. Da sensação que o vermelho escarlate havia me passado. O paradoxo de sentimentos que a realização da minha resistência e fragilidade me proporcionava. Uma linha, que parecia quase tangível, entre minha força e impotência.
No final, se eu pudesse afastar todo o resto envolvido, a experiência não foi tão ruim. Ser ferido e sangrar de verdade... Eu até recomendaria a vocês experimentarem...
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"Ninguém quer sofrer. Mas todos, sem dúvida, um dia irão."
Eu disse "sentir o gosto", mas realmente não senti o gosto de nada. Talvez fosse porque não estivesse exatamente fresco, uma vez que ele havia tido tempo para "secar" um pouco na minha mão, ou talvez meus sentidos estivessem um pouco distorcidos. De qualquer forma, eu descobri que não me incomodava com meu próprio sangue. Na verdade, vê-lo cobrindo minhas mãos e senti-lo escorrendo pelo meu rosto (sem falar nas manchas nas roupas) me agradou bastante.
A altura em que tive tempo de notar que estava sangrando, eu já estava calmo. Na verdade, foi apenas um segundo de descontrole, tanto que não fiz esforço algum para me defender em seguida. Não sou masoquista (acho). Só tenho medo da minha ira. E mesmo tendo saído em um estado deplorável, pelo menos havia conseguido segurá-la.
Voltando ao meu sangue, acho que havia sido a primeira vez desde a minha infância enlouquecida que eu o havia derramado em tamanha quantidade. Ele não só cobrira minhas mãos e rosto no momento do ferimento, mas continuou escorrendo por um longo período (Principalmente durante a realização do erro. Como eu disse, eu tenho medo da minha ira. Muito medo. E acredite, ter deixá-do ela me dominar, mesmo que só por um instante, era suficientemente aterrorizador para que... Bem, isso não é importante agora).
Agora, olho para minhas mãos limpas e me lembro daquele momento. Da sensação que o vermelho escarlate havia me passado. O paradoxo de sentimentos que a realização da minha resistência e fragilidade me proporcionava. Uma linha, que parecia quase tangível, entre minha força e impotência.
No final, se eu pudesse afastar todo o resto envolvido, a experiência não foi tão ruim. Ser ferido e sangrar de verdade... Eu até recomendaria a vocês experimentarem...
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"Ninguém quer sofrer. Mas todos, sem dúvida, um dia irão."
12 de nov. de 2011
Futatsu no Shin Sekai wa...
Ultimamente anda muito difícil encontrar poesia nas coisas. Para conseguir inspiração, ando tendo que fazer releituras sobre aquilo que já vi, e honestamente, uma segunda leitura raramente causa tantas lágrimas quanto a primeira...
Apesar de que estar emocionado não se resume a verter lágrimas... De qualquer maneira, estou ficando sem recursos ultimamente. Que mundo é esse onde a profundidade foi deixada de lado? Do que as pessoas se alimentam, do que elas alimentam seus sentimentos?
Me surpreende a quantidade de pessoas que não conhecem o poder de emocionar contido num livro. Me surpreende ainda mais a popularidade das obras que possuem quase nada desse poder. É como se as pessoas estivessem perdendo a sensibilidade.
As músicas perderam o sentido, a arte já não é mais cultura e a escrita está sendo lentamente esquecida. A poesia é uma arvore secando, cujas folhas são uma por uma arrancadas fora e levadas embora pelo vento.
Não, eu estaria me contradizendo ao pensar isso. Nada nunca se perde. Nem o que está condenado ao esquecimento tem uma sentença tão longa quanto o infinito. A poesia é como um mundo paralelo ao nosso, repleto de verdades e emoções que foram e vão ser sentidas, pensamentos que a todo momento são redescobertos e esquecidos novamente. É certamente triste estarmos tão distantes desse planeta no momento, mas é só isso. Nada nele sumiu ou perdeu o brilho.
Ah... escrever essa pequena reflexão me lembrou a razão de eu ter nomeado esse espaço de "Futatsu no Shin Sekai". Afinal, minhas intenções eram justamente criar um portal para esse mundo, esse segundo mundo, repleto das mesmas verdades, das mesmas almas, dos mesmos sentimentos, em suas mais puras formas. Tudo em forma de palavras.
Agradeço a todos aqueles que desse mundo fazem, fizeram e um dia irão fazer parte
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"Existem aqueles que olham e não veem. Aqueles que olham e apenas enxergam. E, por fim, aqueles poucos cujos olhos podem também compreender."
Apesar de que estar emocionado não se resume a verter lágrimas... De qualquer maneira, estou ficando sem recursos ultimamente. Que mundo é esse onde a profundidade foi deixada de lado? Do que as pessoas se alimentam, do que elas alimentam seus sentimentos?
Me surpreende a quantidade de pessoas que não conhecem o poder de emocionar contido num livro. Me surpreende ainda mais a popularidade das obras que possuem quase nada desse poder. É como se as pessoas estivessem perdendo a sensibilidade.
As músicas perderam o sentido, a arte já não é mais cultura e a escrita está sendo lentamente esquecida. A poesia é uma arvore secando, cujas folhas são uma por uma arrancadas fora e levadas embora pelo vento.
Não, eu estaria me contradizendo ao pensar isso. Nada nunca se perde. Nem o que está condenado ao esquecimento tem uma sentença tão longa quanto o infinito. A poesia é como um mundo paralelo ao nosso, repleto de verdades e emoções que foram e vão ser sentidas, pensamentos que a todo momento são redescobertos e esquecidos novamente. É certamente triste estarmos tão distantes desse planeta no momento, mas é só isso. Nada nele sumiu ou perdeu o brilho.
Ah... escrever essa pequena reflexão me lembrou a razão de eu ter nomeado esse espaço de "Futatsu no Shin Sekai". Afinal, minhas intenções eram justamente criar um portal para esse mundo, esse segundo mundo, repleto das mesmas verdades, das mesmas almas, dos mesmos sentimentos, em suas mais puras formas. Tudo em forma de palavras.
Agradeço a todos aqueles que desse mundo fazem, fizeram e um dia irão fazer parte
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"Existem aqueles que olham e não veem. Aqueles que olham e apenas enxergam. E, por fim, aqueles poucos cujos olhos podem também compreender."
21 de out. de 2011
Uma Boa História
Hoje eu terminei de assistir mais uma série curta de doze episódios, Tsukihime, daquelas das quais eu vou lembrar apenas vagamente daqui a alguns poucos meses. Não era nenhum "Titanic" da vida, mas os sentimentos contidos naquela obra eram sinceros.
Um protagonista que carrega o estigma de um acidente na juventude
Uma garota que repentinamente começa a fazer parte de sua vida com uma naturalidade anormal
Uma mulher misteriosa que se aproxima dele com intenções desconhecidas
Uma reunião com a irmã mais nova afastada a anos, e agora se encontra completamente diferente
E os companheiros, dos quais o protagonista vai se afastar cada vez mais com o desenrolar dos fatos
São basicamente estes os elementos que formavam a obra, omitindo alguns outros fatos importantes. O protagonista enfrenta seus defeitos, cria laços com aquelas que escolheram acompanhá-lo, ganha força e supera seus traumas.
A garota acompanha o protagonista, vê nele a gentileza e escolhe protegê-lo. Mesmo sabendo que não vai poder fazê-lo por muito tempo.
A mulher a principio o odeia, mas depois percebe que ele se tornou tudo para ela, que nunca teve nada. No fim, eles se apaixonam e ela faz sua escolha final.
A irmã, assombrada pelos pecados do passado envolvendo o irmão, chora a perda e o erro cometido pela inocência após finalmente tudo ser revelado e encerrado.
E os companheiros simplesmente observam enquanto o mundo em que o jovem protagonista vivia muda repentinamente e desaparece, levando consigo as imaturidades e displicências do passado.
No fim, sobram apenas as memórias daquelas que não podiam acompanhá-lo por mais tempo. E ele segue a vida, pensando em mais hipóteses felizes.
Ah... foi uma boa história. Não fez ninguém chorar, mas estava repleta de poesia. Você só precisa olhar com os olhos certos...
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"Não devemos nos deixar levar pela ilusão da perda, pois as únicas coisas que realmente possuímos são as memórias. E estas estão gravadas em um lugar muito bem escondido."
Um protagonista que carrega o estigma de um acidente na juventude
Uma garota que repentinamente começa a fazer parte de sua vida com uma naturalidade anormal
Uma mulher misteriosa que se aproxima dele com intenções desconhecidas
Uma reunião com a irmã mais nova afastada a anos, e agora se encontra completamente diferente
E os companheiros, dos quais o protagonista vai se afastar cada vez mais com o desenrolar dos fatos
São basicamente estes os elementos que formavam a obra, omitindo alguns outros fatos importantes. O protagonista enfrenta seus defeitos, cria laços com aquelas que escolheram acompanhá-lo, ganha força e supera seus traumas.
A garota acompanha o protagonista, vê nele a gentileza e escolhe protegê-lo. Mesmo sabendo que não vai poder fazê-lo por muito tempo.
A mulher a principio o odeia, mas depois percebe que ele se tornou tudo para ela, que nunca teve nada. No fim, eles se apaixonam e ela faz sua escolha final.
A irmã, assombrada pelos pecados do passado envolvendo o irmão, chora a perda e o erro cometido pela inocência após finalmente tudo ser revelado e encerrado.
E os companheiros simplesmente observam enquanto o mundo em que o jovem protagonista vivia muda repentinamente e desaparece, levando consigo as imaturidades e displicências do passado.
No fim, sobram apenas as memórias daquelas que não podiam acompanhá-lo por mais tempo. E ele segue a vida, pensando em mais hipóteses felizes.
Ah... foi uma boa história. Não fez ninguém chorar, mas estava repleta de poesia. Você só precisa olhar com os olhos certos...
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"Não devemos nos deixar levar pela ilusão da perda, pois as únicas coisas que realmente possuímos são as memórias. E estas estão gravadas em um lugar muito bem escondido."
5 de ago. de 2011
Canções e Laços
Refletindo sobre os "laços" que firmamos com nossos irmãos e sobre as razões de o fazê-lo, acabei chegando a uma curiosa metáfora, a qual desejaria compartilhar e da qual irei me aproveitar para expor um pouco dos meus pensamentos.
Cada pessoa é como uma música diferente, com um ritmo, pensamento, estilo e encanto diferente. É nesse coral chamado vida em que nós aprimoramos as canções de nosso próprio ser ao escutar as vozes das almas de nossos companheiros.
Por interagirmos com muitos tipos musicais diferentes, aprendemos a apreciar cada vez mais as sensações que as canções alheias nos proporcionam. E por ansiarmos por um canto cada vez mais emocionante a ecoar em nossas almas, aprendemos a unir o nosso com outro, criando assim melodias de beleza imensurável.
E apesar de julgar quase todos os cantares das almas belos, assim como muitos outros, é apenas um o qual anseio.
Aquele que aos meus ouvidos, não é só uma canção
Aquele que me faz tremer, como nenhuma outra emoção
Aquele que me ensinou a sentir o medo e a excitação
Pois se for assim, e cada pessoa for uma canção, você sozinha monopoliza a zona de guerra que é meu coração. Pois cada nuance de seu olhar só faz aumentar ainda mais meu amar. Cada semitom a ecoar de sua alma me ensina de novo ao ar respirar.
E se existe um nome para chamá-la, para nomear a canção que reflete em sua alma, eu não saberia reconhecê-lo como outra coisa se não o bom e velho "Amor".
Lucas Rangel Lima
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"Quanto mais amamos, mais deveríamos nos esforçar para evitar conflitos. Pena que muitos pregam o contrário."
30 de jul. de 2011
I Can´t Fly
I guess there are times in our lifes that we just... Can´t understand. Something we did in the past, something we are doing to someone, things that we are thinking or that we used to think... Everything that one day in the future, when we look back to analise it, will look like infant drawings.
Right now I´m feeling like that. A thought that I can´t seem to understand is taking control over myself, an invisible and untoucheable excitement... The only expression that I can think of to explain it would be "freedom".
But that feeling is stuck inside me, crushing my chest, making my body tremble. Like a chained beast, trying to release itself. It´s frustrating... In many ways...
And after thinking about it more deeply, I kind of understood what is it. I... Want to fly. Not the "driving a plane" fly, I want to feel the liberty of having the sky in my hand's grasp, to feel the wind in my face, everything...
But I guess something like that is impossible. Because I Can´t Fly. The only thing I can do is to sit here and wait, until this feeling vanish in disapointment.
And after that, I will just forget it. Like all the other infant drawings's like dreams I had.
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"Every single dream you have is like a picture drawn by yourself, directly linked to your future"
5 de jul. de 2011
A Tristeza e o Cemitério
Era uma vez um homem, que vivia entre as centenas de túmulos de um cemitério. Este homem não tinha dinheiro nem moradia, era como uma sombra que morava em meio aos mortos e que se alimentava apenas das oferendas trazidas pelos familiares destes.
Ele era um momem sem história, sem passado. Sua vida não possuía propósito se não zelar por aqueles que já não precisam de seu auxilio. Seus dias se resumiam a perambular por aquele extenso cemitério, buscando oferendas das quais pudesse se alimentar.
Até que um dia, ele se encontrou com uma criança. Ao contrário de todos os adultos que a acompanhavam, e de todas as pessoas que ali um dia pisaram, ela se aproximou dele. Ela o notou. Para ela, ele não fazia parte do cenário, não era uma existência sem propósito. Para aquela criança, que experimentara tão cedo a dor da perda, o homem parecia ser a personificação de seus sentimentos. Todo o seu pesar, toda a sua tristeza, tudo era refletido naquela figura que vagava por ali aceitando oferendas por aqueles que não podiam fazê-lo.
E ao ver aquela figura, ao ter aquele rosto pesaroso refletido em seus olhos, a criança entendeu uma coisa, e parou de chorar. Deixou seu pesar de lado, e voltou ao altar, onde pôde abraçar seus parentes e consolá-los.
Quando todos foram embora, o homem se deu conta de seu propósito. Se deu conta de que deveria ir embora daquele lugar. Se deu conta de que os sentimentos ali depositados eram o que realmente o alimentava, e como aquela criança havia feito, deveria abandona-los.
Então ele esqueceu sua tristeza e partiu, esperando pela sua próxima chance.
Lucas Rangel Lima
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"Pesar pelo próximo é compaixão. Por si mesmo é apenas auto-piedade, e só trará mais dor"
28 de jun. de 2011
Sobre Um Jovem
Era uma vez um jovem garoto que após viver toda sua vida em uma pequena cidade, sem conhecer muitas coisas e com quase nenhuma experiência, acabou se mudando para um lugar muito distante para passar os próximos três anos, onde não possuía nenhum amigo ou conhecido.
Esse jovem parecia promissor, apesar de todos os seus numerosos defeitos e de sua falta de expectativa. Apesar da solidão inicial, ele não sucumbiu e não se deixou deprimir facilmente. Pois ele tinha uma memória, um sentimento, algo para dar-lhe ansiedade. Algo que ao mesmo tempo que o fazia querer voltar, o mantinha forte.
Esse algo o amparou por dois anos. No primeiro, ele enfrentou grandes dificuldades, como o choque cultural e o medo do desconhecido. No segundo, após ter vencido todas as outras ele se encontrou vencido pela única que realmente lhe importava.
Sua solidão o havia afastado de todos os que o acompanhavam. Ele notou que não se importava com as presenças ao redor dele, que havia aceitado o fato de que elas eram "passageiras". Novamente, a única coisa que o manteve de pé era seu fragmento de memória, agora deteriorada com o amadurecer da mente. Todas as noites ele ia dormir com aquele sentimento em seu peito, com aquelas poucas memórias em sua mente. E com apenas uma sombra de certeza.
Até que um dia, no primeiro mês de seu terceiro ano, ele enxergou luz. Muito mais radiante do que qualquer amizade, muito mais cativante do que qualquer sorriso, muito mais inspiradora do que infinitas canções. Alguém a quem compreender, a quem admirar, alguém que poderia compreender tanto quanto ele compreendia, alguém cujas idéias eram tão profundas quanto as dele, ou mais. Alguém que dali em diante, o faria dançar com uma alegria servil conforme a sua vontade. Alguém cujo simples riso o fazia feliz.
Suas memórias fragmentadas foram feitas em pó imediatamente, como a luz das estrelas se calam ao competirem com o brilho do Sol. Em uma tarde, ele viveu todos os anos que não havia vivido desde que nascera. E até hoje, quando com tal luz ele se encontra, ele se sente assim.
Sim, pois triste, o terceiro ano se acabou. Com pouquíssimos encontros, está nova luz também se calou, deixando um buraco infinitamente maior do que o de outrora. Mas agora, o jovem garoto não é mais tão jovem. Agora ele tem as forças para olhar à sua frente. Agora ele compreende que sua solidão é como uma chuva, como um belo e melancólico retrato de seus próprios sentimentos. E que, como esta, irá um dia acabar e dar lugar a pura luz.
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"Memórias são tão vagas quanto sonhos. Sentimentos não."
8 de mai. de 2011
Triste Ausência
Um dia, despertei com a estranha sensação de que havia me esquecido de algo muito importante. Algo que havia compartilhado muito comigo, e que eu precisava proteger a qualquer custo.
Então me levantei de minha cama e me pus a procurar pela casa, sem sucesso. Não importava o quando eu investigasse, o quanto eu tentasse me lembrar, a única coisa que eu conseguia encontrar naquele lugar era a estranha sensação de que algo estava faltando espelhada por todos os cantos.
Nas fotos, nas salas, no quarto, não importa aonde eu fosse. Faltava algo. Algo que deveria estar ali, algo que um dia estivera ali... E que eu não conseguia mais me lembrar.
A frustração logo tomou conta de mim. Porque isso estava acontecendo? Havia eu enlouquecido? Será que minha mente resolveu pregar peças em si mesma? Eu não compreendia... Eu não... Lembrava...
E dessa forma, esse dia passou, como todos os outros depois dele.
Pouco a pouco, meus sorrisos se tornaram vazios. Meus sentimentos pareciam quebrados, Como se seja lá o que eu tivesse esquecido fosse uma peça a completá-los, a completar-me. Até que um dia, cansado de procurar, fui dormir.
E terminar de te esquecer.
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"Não consigo deixar de te amar, mas se ao fazê-lo lhe faço doer, então farei o possível para não te recordar."
6 de mai. de 2011
A Ponte
Um dia, eu me encontrei no meio de uma extensa ponte. Uma ponte que não parecia ter fim, e que mal podia ser chamada assim de tão larga.
Eu precisava chegar do outro lado, então comecei a caminhar. Em meio a muitas outras pessoas, eu continuei a andar com meu próprio ritmo, esperando que chegasse logo o fim dessa travessia. Eu estava com pressa. Tinha muitas coisas para fazer, muitas metas para alcançar e incontáveis melhorias a realizar.
Mas meu passo curto era muito lento. Ou talvez o caminho fosse simplesmente longo demais. Conforme o tempo passou, comecei a prestar mais atenção naqueles que andavam, como eu, do que na minha própria caminhada. Haviam alguns poucos que corriam exasperados e eu logo perdia de vista. Haviam alguns que trombavam e caíam bastante, mas nunca hesitavam em se levantar e continuar sua caminhada. Haviam outros que não pareciam saber para onde iam. E haviam aqueles que simplesmente andavam, parecendo mais hesitantes do que deveriam.
E por último, e mais numerosos, haviam aqueles que simplesmente ficavam parados. Enquanto os outros os ultrapassavam, os derrubavam, os empurravam e os ignoravam, eles simplesmente permaneciam em seus lugares, como se aquele lugar de travessia houvesse se tornado alguma espécie de lar, de casa. Como se estivessem acomodados daquele jeito.
Eu logo estranhei. Porque alguém iria querer ficar aqui? Não há nada aqui. O propósito dessa ponte é ser atravessada. Eles não sabiam disso? Não entendiam isso? Minha indignação era demais. Mas depois de um pouco mais de observação, eu comecei a notar ainda outro grupo, que parecia aparecer do nada quando nós, que ainda estamos a atravessar, menos esperávamos. Eles tomavam aqueles que estavam parados pelo braço e os motivavam a correr. Se aproximavam daqueles que simplesmente andavam e incentivavam seus esforços. Alcançavam os perdidos e lhes mostravam o caminho. Guiavam os passos dos que caíam e os protegiam na queda.
Esse grupo, vestido de branco, se mostrava cada vez mais numeroso. O fato de que eu não os havia notado até me deixou surpreendido. Mas logo essa surpresa foi sobrepujada por uma outra sensação, e eu logo percebi que havia algo irritando. Ou melhor, que a falta de algo estava me incomodando.
Então eu olhei para frente, e vi um homem sorrindo para mim estendendo sua mão. Quando olhei em seus olhos, minha surpresa retornou, e eu compreendi o porque dessa sensação estranha.
Nos olhos dele, eu me vi com outro rosto, com outro sorriso, com outros olhos e com outro corpo. Não um mais velho, mas um completamente diferente. Quem sabe quantas vezes eu já havia passado por este processo. E provavelmente, iria passar por ele de novo.
Mas não era isso o que me incomodara. Muito menos essa a razão de eu poder vê-los. Eu os via porque eu precisava vê-los. Eu precisava deles, pois em minha distração, eu também me encontrava parado.
Lucas Rangel Lima
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"A vida é uma longa travessia, cujo destino é conhecido apenas por aqueles que já não precisam mais cruzá-la."
14 de abr. de 2011
Você, Meu Sonho
Sonhos,
Ilusões ou pensamentos em que devaneamos ao dormir. Desejos ou aspirações que cultivamos para colher no futuro. Pontes entre um plano e outro.
Ou, como para mim, simplesmente o lugar onde posso te ver.
Pode ser até criancisse minha, e você pode pensar que é tudo apenas sentimentalismo barato. Talvez seja mesmo. Afinal, não sei quem julga o preço dessas coisas. Mas de qualquer forma, é algo de valor para muitos, inclusive a mim.
Sem mencionar que esses "sonhos" são o único meio de aplacar minha frustração, de diminuir essa sensação de impotência perante a chamada "realidade".
Ilusões ou pensamentos em que devaneamos ao dormir. Desejos ou aspirações que cultivamos para colher no futuro. Pontes entre um plano e outro.
Ou, como para mim, simplesmente o lugar onde posso te ver.
Pode ser até criancisse minha, e você pode pensar que é tudo apenas sentimentalismo barato. Talvez seja mesmo. Afinal, não sei quem julga o preço dessas coisas. Mas de qualquer forma, é algo de valor para muitos, inclusive a mim.
Sem mencionar que esses "sonhos" são o único meio de aplacar minha frustração, de diminuir essa sensação de impotência perante a chamada "realidade".
"Realidade". O oposto do sonho ou aquilo que da origem a ele? É porque existimos e agimos dentro deste plano assim chamado que somos impulsionados a sonhar? ou os sonhos são como uma faceta oposta, destinada a permanecer um inverso irreal? Não, acho que se considerarmos os "sonhos" como a origem da existência, da alma, a realidade não passa de um reflexo daquilo que sonhamos.
Algo moldado pela vontade de centenas de milhares, tão munida de sentimentos e esperanças que afogou a si própria. Onde nossas existências, nossos sonhos, interagem.
Se os "sonhos" somos nós, a "realidade" seria nosso universo. Onde podemos projetar nossas existências, de forma a entrelaçá-las com as de nossos companheiros, e aprender a sonhar sonhos cada vez mais belos e iluminados.
E ao entender isso, percebi que você é meu brilho. Aquilo que faz meu sonhar não se afogar como o de muitos dentro da realidade. Aquilo que me faz crescer, aquilo que me faz caminhar e aprender. Aquilo que me engrandece, me preenche, me da propósito. Meu eu, minha existência, minha realidade, meu sonho.
Meu tudo.
Foi isso que sonhei. E é dessa forma que eu penso.
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"Se pudesse ser o que sonho, seria o que sou. Pois assim, serei aquilo que mais te ama."
16 de mar. de 2011
A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 7: Realização e Determinação
Agora percebo o quanto aprendi sobre a vida durante este curto período em que estive aqui. Ou melhor, foi aqui que comecei a viver, e a aprender o que essa palavra realmente significa.
Todos os dias são monótonos, mas ainda me vejo colocando tudo de mim em cada um deles. Meu trabalho pode ser repetitivo e cansativo, mas quando vejo meus animais, que já se tornaram minha família, meus vizinhos, minha plantação e todo a natureza que me cerca, só consigo desejar permanecer assim para sempre. Guardando esses momentos de satisfação e felicidade em minha alma pelo resto da minha vida.
Me sinto purificado pelo meu suor, como nunca me senti depois de passar horas sentado estudando. Sinto minha alma se elevar, como nenhum livro jamais conseguiu me fazer. Vejo o mundo com olhos novos, repletos de expectativa e ansiedade. Tenho amigos e companheiros que compartilham desses sentimentos, como nenhum colega nunca soube fazer. Sinto ter descoberto a mim mesmo.
Mas ainda me falta muito trabalho para merecer este lugar. Apesar de ter conseguido recolocar a fazenda nos trilhos, ela não pode ser comparada ao que um dia foi. A fazenda da minha infância, onde meu velho amigo depositou toda a vida dele. A fazenda que eu desejo recuperar, mas que permanece tão longe. Aquilo que me deu tudo o que eu tenho agora.
E por isso, eu sinto que não poderei ficar por mais muito tempo. Se eu não conseguir recuperar este lugar, eu não mereço a vida que ele me proporcionou. É meu dever retribuir tudo o que eu recebi, mas não me sinto capaz de alcançar esta meta. Me falta muito para ser como meu velho amigo.
E com esses pensamentos na cabeça, resolvo ir a biblioteca. Lá sempre encontro paz de espírito para refletir e ganhar a confiança de que necessito.
Ah, e isso me lembra de uma coisa. É melhor preparar alguma coisa que aprendi nas aulas de culinária da senhorita Patrícia. A senhorita Mariana (a jovem que cuida da bibliotéca) está sempre sozinha por lá durante o dia (o que me deixa preocupado), e eu deveria agradecer pelos diversos livros que já peguei emprestado com ela.
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"Devemos aproveitar nossas vidas ao máximo. Não porque elas são únicas e não vão se repetir, mas porque este é o único modo em que podemos realmente nos sentir vivos."
14 de fev. de 2011
A Vida Que Eu Sonhava Ter - Capítulo 6: Festival
Adoro a minha nova vida!
Ontem como sempre, eu acordei de manhã bem cedo e comecei minha rotina diária, regando as plantas, colhendo as frutas e vegetais e alimentando os animais. Me sinto muito mais forte e vigoroso do que quando me mudei. É como dizem, o trabalho realmente fortalece o homem!
Bem, depois disso o prefeito apareceu e me avisou que a cidade iria fazer um festival no dia seguinte (ele aparentemente esqueceu de me avisar com maior antecedência) e me convidou para participar.
Todos iriam se reunir na praça da cidade, e o festival era basicamente um concurso de culinária anual. Como eu não tinha tempo para preparar nada, apenas concordei em ir e participar como um dos jurados que iriam provar os pratos e escolher o melhor (todos na cidade eram parciais demais, então apenas eu, o padre e o prefeito estávamos em condições de fazer um julgamento justo, uma vez que a esposa do prefeito já faleceu).
E então, no dia seguinte eu despertei mais cedo do que de costume (já aprendi a acordar quando eu quiser), terminei todos os meus deveres na fazenda o mais rápido possível e fui até a praça para ajudar no preparo do festival. Nenhum dos participantes havia chegado aquela altura.
Assim que eu, o prefeito, um jovem que trabalhava na oficina do ferreiro e o irmão mais velho da senhorita Patrícia (duas pessoas extremamente carismáticas) terminamos de preparar as mesas, as cadeiras e os enfeites, os participantes começaram a chegar. A primeira a chegar foi uma garota que trabalhava no restaurante (Ou bar. O prefeito disse que ela e o pai dela, dono do bar, costumam vencer o festival todas as vezes), o nome dela era Ângela. Nunca a tinha visto, e não tive a oportunidade de conversar com ela direito.
Em seguida, chegaram praticamente juntas as senhoritas Elen e Patrícia. Conversamos um pouco, mas como elas também eram participantes não tivemos muito tempo. Todo participante tinha que preparar a comida na frente de todo mundo, para que não houvessem trapaças (qualquer coisa que necessitasse de muito tempo poderia ser pre-preparada, mas ainda era necessário completar o prato na frente de todo mundo. E é claro, isso era considerado na hora de escolher o campeão). Mais e mais pessoas chegaram depois, mas eu já não tinha tempo para conversar e não prestei atenção.
O concurso acabou (como o esperado) com uma vitória da senhorita Ângela. O pai dela parecia muito orgulhoso e decepcionado ao mesmo tempo, o que foi interessante de ver. Depois de provar a comida dos dois e ver como eles se dedicavam a seus trabalhos, achei que seria interessante aprender a cozinhar e participar no festival do ano que vem. Talvez eu peça para a senhorita Patrícia ou a senhorita Elen que me ensinem a cozinhar. Apesar de terem perdido, ambas cozinham muito bem...
Bem, de qualquer forma, foi um dia muito divertido. Mal posso esperar pela próxima vez.
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"Quando sentimos saudade, vivemos imaginando o dia em que reveremos nossos queridos. Quando finalmente os encontramos, desperdiçamos nosso tempo com eles. Que triste contradição."
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