27 de set. de 2011

Ilya

Yay! Este é (técnicamente) o centésimo post do Blog! Muito obrigado a todos que continuam visitando e lendo as nossas obras! Espero que possam nos acompanhar por mais 100 histórias.

Inspirada em um trecho do final verdadeiro de Heavens Feel, Fate\Stay Night.

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Mesmo tendo prometido
Que seria forte o suficiente
Que seria capaz de consertar tudo
De te compensar por tudo
No final,
Não pude fazer nada para te impedir.
E apesar da minha impotência
Perante a crueldade da sua história
Do seu triste destino
Mesmo sabendo que não havia escapatória
Eu ainda me sinto culpado
Por tê-la visto partir

Não queria ter de sacrificar nada
Mas no final, nem mesmo seu nome eu conseguia dizer
Não queria ter de viver uma felicidade manchada
Mas mesmo assim, não fui capaz de negar
Quando você me perguntou
Se eu queria viver

Sei que já deveria ter me preparado
Afinal, abri mão de tudo,
Só para chegar até o fim.
Era óbvio
Que quando chegasse o momento
Eu já não teria forças para voltar
Mal restaria minha vontade
Eu não enxergaria o meu objetivo
Teria sido tudo em vão

Era óbvio que você iria assumir o meu lugar
Como uma boa irmã
Apesar de merecer a felicidade muito mais do que eu

No fim
Por ter tentado sacrificado tudo de mim
Para não ter de sacrificar nada mais
Fui incapaz de impedir o último sacrifício
O mais cruel
E injusto

Agora, não posso nem mesmo dizer obrigado
Aquela que me protegeu
Que me salvou e me amou
A garota de cabelos brancos e olhos vermelhos
Que detestava o frio
Mas gostava da neve

Aquela a quem eu nunca vou me esquecer
Ou nunca deveria ter me esquecido...


Lucas Rangel Lima

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"Para sermos capaz de cuidar de alguém, devemos primeiro nos tornarmos capazes de cuidar de nós mesmos"

26 de set. de 2011

A Sombra Oca - O Filósofo Vazio

Era sábado, e minha vida era oca... Solitário, confuso, sem amigos ou amantes; e nem sequer uma realização que valha ser lembrada.
Acordei e abri os olhos, não necessariamente nessa ordem. Protelei como sempre para levantar da cama, tomei café e percebi a comodidade com que eu me enterrei nessa deprimente rotina...
Não havia absolutamente nada, de bom ou de ruim, que vá ser lembrado...
 Prossegui meu dia, atônito, e a cada momento mais certo de que, se eu desaparecesse de repente, não faria a menor diferença para o funcionamento do universo. Lembrei-me então do sonho, o que eu tive antes de acordar e, por consequência, perceber que sou nulo.
Era vazio, escuro e assombrosamente familiar... Sem nada a vista nem som algum para se ouvir. Apenas um vazio aterrador, que era assombrosamente familiar; só depois de acordar percebi que aquilo era minha vida, meu passado, meu presente, e se eu não fizesse algo a respeito, meu futuro...
Foi então, com meros sete anos de idade, que eu percebi a necessidade de mudar. Pois “se penso, logo existo”, ao não pensar, opino por não existir... E sendo o pensar a premissa de fazer, se não o fiz foi por não pensar. Precisava então começar a pensar, a questionar para então, fazer algo a respeito; e quem sabe remover o vazio que se fixava em meu peito.
Foi nesse dia, talvez por um sonho apressadamente interpretado, que eu me tornei, uma sombra oca...

Quintal

As vezes, quando me encontro particularmente incomodado pelo tédio nas horas em que não tenho nada a fazer, eu acabo me sentando em algum lugar fora de casa para observar atenciosamente meu próprio quintal.

Faço isso mais por preguiça na verdade, pois eu poderia muito bem andar até a praia ou vagar por aí a procura de algo para fazer. Não, talvez não seja preguiça exatamente. Não é como se eu estivesse procurando uma paisagem para ver ou um trabalho a ser feito. Eu só quero pensar, clarear a mente, e o meu quintal é o suficiente para isso.

De qualquer forma, ultimamente essa atividade tem se tornando algo cada vez mais doloroso. Não só por causa da chuva e do tempo frio, prefiro muito mais a companhia deles do que a do calor e do sol. Eu estou cansado.

Cada dia que passa eu continuo tateando o chão dentro de um nevoeiro. Sabe, procurando as razões pelas quais eu faço o que faço. Tudo é facilmente respondido, uma vez que homem nenhum faz algo sem propósito. Mas aí chegamos no que mais me incomoda:

"Porque eu NÃO faço o que eu quero?"

O problema não é nem que eu não consigo responder. Pelo contrário, eu consigo, e não sou capaz de fazer nada em relação à resposta.

Se eu não soubesse, bastaria procurar saber. Se eu pudesse fazer alguma coisa, bastaria fazê-lo. Mas ser impotente perante a própria infelicidade é muito frustrante.

É como se eu não estivesse inteiro. Falta alguma coisa, uma parte de mim, da minha alma, algo que vai me preencher com as sensações que eu tanto desejo.

É engraçado. Olhar para o meu quintal já não é mais a mesma coisa.

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"Viva pelo que quiser, se puder. Caso contrário, sobreviva até poder viver."

23 de set. de 2011

O Rei e o Lobo - Capítulo Final: O Rei, O Lobo, O Homem.

Reescrevi o fim. Espero que gostem. Ah, eu guardei a versão antiga, mas ela não está mais no site. Caso queiram lê-la novamente, me avisem nos comentários.

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Dias e meses se arrastaram. O castelo, a cidade, a floresta e em seguida, o restante do reino. Tudo se tornou um campo de batalha, e todos se tornaram vítimas de algo que só poderia ser comparado a uma guerra.

De um lado, uma fera negra e vermelha, que parecia não ser mais capaz de sentir a dor de suas feridas.

Do outro, um homem brilhando dourado, que parecia não ser mais capaz de conter o prazer de sua loucura.

Impotentes, os sobreviventes faziam apenas rezar e fugir, na esperança de que um dia a batalha chegasse a um fim. Esperando que um herói, como o que desapareceu anos atrás, se revelasse. Esperando que seu rei finalmente vencesse, e trouxesse de volta a paz. Ou até mesmo que a fera o devorasse e aplacasse sua fúria.

Mas nenhum desses sentimentos pôde jamais alcançou nenhum dos dois. Depois de tanto tempo em constante batalha, a unica coisa que ambos conseguiam perceber eram um ao outro. E o único desejo que eles conseguiam compartilhar era o de matar e usurpar a vida e o poder de seu oponente.

Era como se antes mesmo da batalha ter fim, as presas tivessem se unido novamente. Suas vontades, seus pensamentos, suas ações, sues corpos, tudo estava sincronizado. Nem mesmo a fera original, enlouquecida pela eternidade, havia as sublimado a tal nível. Qualquer sentimento a diferenciar seus mestres já havia sido jogado fora pelo bem da vitória. 

Logo, a batalha não tinha fim. Nunca teria. Os dois loucos infinitamente poderosos estavam destinados a batalhar para sempre e destruir a tudo.  

E assim foi. Todos os desejos e sentimentos que guiaram as peças até aquele momento haviam caído por terra, engolidos pela fúria. Uma chama que iria a tudo queimar, até que sobrasse somente a si mesma.

O reino logo encontrou seu fim. A terra também não tardou a ser silenciada. A única coisa que os impedia de acabar com o restante do mundo era o oceano.

E assim eles continuaram, até os dias de hoje. Destruindo suas próprias terras, seus entes queridos, seus servos leais e seus antigos protegidos. Seus antigos sentimentos, suas antigas ambições, até mesmo a memória dos dias de paz, tudo sendo arrastado e apagado por sua fúria. Uma premissa para a humanidade em contradição com a sua própria selvageria, estando igualmente destinada a auto-destruição em fúria.

Lucas Rangel Lima

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"O fim de um grande herói (ou vilão) é sempre o prólogo de um novo mundo"

16 de set. de 2011

A Beleza

Alguns as vezes me perguntam
O porque desse meu apego a tristeza
A razão de eu nunca ter saído da chuva
De que tudo que eu escrevo
Ser sempre tão sombrio

Ao que eu sempre respondo:
"Porque é belo.
É poesia
A comovente melancolia
Que toca tua alma e treme teu corpo
Simplesmente lindo"

Ainda assim,
Não compreendem
Me tomam por um tolo
Um louco
Ou por um simples revoltado

Ha! Quase rio!

Afinal, é tudo tão simples!
A tristeza é sempre uma lição
E como esta, é sempre seguida por compreensão
É ela que superamos, Ela é o amor,
E é nesse superar que aprendemos
A triste beleza da dor

Lucas Rangel Lima

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"A beleza é relativa, tão relativa quanto qualquer sentimento. Portanto, devemos tomar cuidado ao procurar nossas preferências naqueles que nos cercam"

Contradição e Aceitação

Me sinto dormindo
Fora da minha própria carne
Trancado dentro de mim mesmo
Apenas assistindo

A minha "vida"

Sem razão nem vontade,
"Eu" continuo aqui, "vivendo"
Dia após dia, nesta cidade
Onde meu coração não possui alento

"Não posso continuar assim"
Pensava, parado
"Eventualmente, terei que me mover"
Pensava, paralisado
"Em algum momento... Algo precisa mudar"
Pensava, mentindo para mim mesmo
Sabendo que as correntes que me prendiam
Nem mesmo haviam tremido

Indiferente aos meus desejos
Indiferente ao meu egoísmo
Indiferente até mesmo a minha felicidade
Meu corpo nem mesmo tentou
Demorou, mas enfim percebi
Eu não posso alcançar
O que minha mão se recusa a tocar

Deixei tudo ir
Deixando também finalmente de dormir
Deixei tudo escorrer por meus dedos
Como água, névoa ou lágrima
Aceitei minha solidão
E decidi "continuar vivendo"...

Lucas Rangel Lima

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"Não há dor mais contraditória e irônica do que a sentida quando nos tornamos incapazes de possuir aquilo  de que mais precisamos"

A Falta de uma Vida

Depois de refletir longamente
Finalmente pude entender minha doença
Consegui transformar essa dor em palavras
Mas ainda assim,
Não sei o que fazer...

Sempre senti uma estranha leveza
Uma dormência sentimental
E apesar de saber exatamente o que faltava
Eu não podia fazer nada a respeito
Uma vez que estava sozinho

"Ninguém pode viver por si mesmo"
Eu já havia entendido isso
Mas mesmo assim,
Eu continuava minha vida sem sentido
Sem ter a quem doar
Nem de quem receber

Parecia que eu estava vazio
Ou pelo menos,
Que aquilo que me preenchia
Era pura solidão

Pois mesmo quando cercado de companheiros
Nenhum deles compartilhava de minha alma
E mesmo amando e sendo amado por muitos
Ninguém conseguia tocar
A minha leve e triste calma

Mesmo agora,
Eu apenas procuro.
Algo que me faça sentir,
Que me complete
Que me proporcione os sentimentos
Que eu tanto admiro
E descrevo
Nessas minhas poesias

Uma vida.

Lucas Rangel Lima

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"Não importa qual for a distância. Se sua mão não alcança, você não pode possuir"

6 de set. de 2011

Refúgio

As vezes, sinto que estou preso dentro de minha própria mente, caminhando através de cenários que não deveriam estar conectados, vendo momentos tão distantes uns dos outros e principalmente, do agora...

Já não reconheço a "realidade", uma vez que o que me parece ser uma "ilusão" se tornou mais tangível e precioso do que qualquer outra coisa em meu coração. Estaria eu louco, apaixonado por uma fantasia criada por mim mesmo? Louco, por amar com toda minha força aquilo que minhas mãos não conseguem tocar? Sim, devo estar.

Mas essa minha loucura é de longe mais sana do que aquela que infesta minha realidade.

Afinal, não é sem razão que eu não reconheço nada que me cerca. Tudo é tão confuso, tão sem propósito e tão infantil que não me sobram escolhas.

Quando abro os olhos, sinto nojo. Quando os fecho, sobra apenas a solidão. Doce ironia...

Ainda assim, prefiro mantê-los fechados e continuar sonhando. Dessa forma, posso ficar sozinho, mas pelo menos não estarei tão triste.

Volto a caminhar dentro de minha própria mente, fugindo do que é, vendo o que já foi e perseguindo incansavelmente o que nunca será...

Lucas Rangel Lima

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"Quando paramos de tentar realizar nossos sonhos, deixamos a realidade se tornar um pesadelo."

2 de set. de 2011

O Quadro de Minha Amada

Quando ela me pediu para acompanhá-la
Para adentrar a imensa e sombria torre que a abrigava
Eu não poderia ter imaginado
Que com apenas uma pergunta
Ela dominaria para sempre meu coração

"Você gostaria de ver o quadro que eu pintei?"

Na hora, não consegui responder
Não pude dizer nem uma palavra
Fiquei paralisado, imaginando
O que poderia acontecer depois...

Eu queria ter dito "Sim"
Imediatamente
Mas aquele olhar tímido me parou...
O pequeno sorriso que ela tentava esboçar,
Transbordando fragilidade,
Estava repleto com tantas dúvidas que eu tremi por dentro

Seria este quadro
Tão belo e inocente quanto ela?
Tão repleto de Luz quanto ela?
Seria ele tão feliz
Quanto ela me parece ser?

Ou seria ele triste
Um reflexo desta torre onde ela vive
Escuro, frio, solitário
Tudo que eu não quero... Vê-la sentir?

Fiquei com medo
Hesitante
Ver aquele quadro seria ver o que existe no coração dela
Estaria eu preparado para isso?
Para aceitá-la por completo?

Não consegui responder
Havia muita coisa em jogo
Eu não podia arriscar de feri-la
Com uma ação impensada

Quase pensei em recusar

"Você não precisa ver, ser não quiser"
Ecoou a voz dela
Tímida, incerta, quase confusa
Me trazendo de volta
"Eu... Só queria mostrá-lo a você
Como forma de agradecimento
Por ter sempre estado comigo"

E simples assim,
Tais palavras afastaram as dúvidas
É claro que eu queria ver
O quadro de minha amada,
Seu coração...

E,
Acima de tudo,
É claro que eu iria aceitá-la

Lucas Rangel Lima

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"É preciso muita coragem para se abrir para alguém, mas apenas um pouco de tolice para magoar alguém tão corajoso"